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Postado em 10/04/2016 7:01

Trem bioceânico, outra aposta na integração da América do Sul

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  Entreouvido na redação do Pátria Latina

Não vai demorar em aparecer no congresso brasileiro parlamentares o projeto, pois sempre que o Brasil fala em construir uma ferrovia ligando o Atlântico ao Pacifico, colocando os produtos brasileiros em portos do Pacifico e mais perto do continente asiático. isso incomoda bastante os Estados Unidos que de imediato aciona seus órgão sob fachadas de ONGS que atuam no continente para abortar a ideia, levantando as populações por onde deverá passar a ferrovia para se posicionarem contra o projeto”.

 Valter Xéu

La Paz (Prensa Latina) Pelo coração da América do Sul, correrá o Trem Bioceânico Central, um megaprojeto que ligará portos dos oceanos Atlântico e Pacífico, passando pelo Brasil, pela Bolívia e pelo Peru, e que busca fortalecer a integração regional.

Dos mais de 3.360 quilômetros de ferrovias, mais de 1.600 quilômetros estarão em solo boliviano.

Autoridades estimam que permitirá o transporte de 10 milhões de toneladas de carga para 2021 e 24 milhões de toneladas até 2055.

Cifras oficiais indicam que só os bolivianos movem mais de oito milhões de toneladas de carga entre importações e exportações ao ano.

Um estudo da empresa Consultrans projeta que para 2021 esta nação andina mobilizará cerca de 15,3 milhões de toneladas de mercadoria.

Os planos para construir a linha férrea bioceânica projetam começar no Porto de Santos, do gigante sul-americano; entrar à Bolívia por Porto Suárez, passar pelos municípios de Santa Cruz, Montero e Bulo Bulo até chegar ao altiplano de La Paz.

O traçado continuará para o Peru por Hito Cuatro para terminar no Porto de Ilo, desenhando assim a conexão interoceânica.

Segundo meios de imprensa bolivianos, a linha ferroviária se articulará também com as hidrovias da bacia do rio La Plata e do Amazonas.

Especialistas e responsáveis pelo projeto concordam que esta espécie de canal do Panamá no centro da América do Sul estimulará o comércio entre o Atlântico e o Pacífico e permitirá estabelecer novas rotas comerciais com a Ásia e a África.

Seria uma alternativa para que a Bolívia reverta os efeitos econômicos negativos provocados pela falta de uma saída ao mar, problema que a limita desde finais do século XIX.

O país dos altiplanos perdeu o departamento (estado boliviano) do Litoral em uma invasão e posterior guerra territorial com o Chile (1879-1884), quando viu arrebatados 120 mil quilômetros quadrados de território e ao redor de 400 quilômetros de costa.

A importância estratégica e integradora deste projeto o converte em um dos planos amparados pela União de Nações Sul-americanas (Unasul).

 

Avançamos muito em relação ao trem bioceânico, uma passo importante em matéria de integração regional, afirmou no dia 30 de março o presidente Evo Morales depois da assinatura de um acordo sobre mineração entre a Bolívia e a China, no departamento de Santa Cruz, sudeste do país.

Explicou que durante sua visita ao Brasil no começo de fevereiro, a presidenta brasileira, Dilma Rousseff, apoiou publicamente o início das obras da ferrovia.

Existia um projeto para se realizar pelo norte, mas não era viável do ponto de vista técnico porque era um trecho mais longo e também estava o tema ambiental, especificou Morales.

Segundo o mandatário, desta iniciativa não só se beneficiarão as nações mencionadas, mas também o Uruguai, o Paraguai e inclusive a Argentina.

Quero dizer que o secretário geral da Unasul, Ernesto Samper, assumiu como prioridade os grandes investimentos na região, entre eles, este projeto transcontinental, acrescentou o chefe de Estado.

NEGOCIAÇÕES COM O PERU

Em meados de março, os governos da Bolívia e do Peru assinaram um acordo para conformar um grupo permanente de trabalho para a construção do chamado Corredor Ferroviário Bioceânico Central.

Segundo o ministro boliviano de Planejamento do Desenvolvimento, René Orellana, também se decidiu realizar um gabinete binacional no final de maio, na cidade de Sucre, capital constitucional do país.

Junto ao ministro boliviano de Obras Públicas, Milton Claros, Orellana viajou a Lima onde expuseram a empresários peruanos os benefícios do projeto que exigirá um investimento de sete bilhões de dólares durante os próximos cinco anos.

Na apresentação do estudo de viabilidade, além de representantes empresariais, participaram também o embaixador da Bolívia no Peru, Gustavo Rodríguez, e o secretário Geral da Comunidade Andina, Walker San Miguel.

O ministro de Planejamento afirmou que no Peru se explicaram os detalhes do estudo, a necessidade de implementar o trem bioceânico para um desenvolvimento comercial maior da região e a possibilidade de que a Alemanha se some ao projeto como patrocinador.

Por sua vez, Claros explicou que o plano conta com quatro estudos de pré-investimento.

O primeiro é de prospecção comercial, mercado e alternativas logísticas; o segundo estratégico e corredor resultante; o outro de avaliação ambiental estratégica; e o último de traçado, alinhamento definitivo, desenho básico preliminar, custos de construção e operação.

O avanço feito pela Bolívia é importantíssimo. Assim o reconheceu a parte peruana e estão muito interessados em que este projeto continue, enfatizou o ministro de Obras Públicas.

Argumentou também que “o projeto é uma alternativa viável do ponto de vista técnico, econômico, social e ambiental”.

MODERNIZAR O PORTO DE ILO

Também em março, a Administração de Serviços Portuários da Bolívia (ASPB) estendeu um convite para se associar a empresas nacionais ou internacionais para competir no processo de concessão da administração do terminal portuário de Ilo, Peru.

La Paz pretende construir lá um grande porto com facilidades para o trânsito de contêiners e de mercadorias, como parte do Corredor Ferroviário Bioceânico Central.

Dada a condição mediterrânea boliviana, as autoridades procuram converter esse projeto no principal passo de desenvolvimento de seu comércio exterior, pois na atualidade utilizam portos chilenos para exportar.

De acordo com o gerente da ASPB, David Sánchez, a iniciativa surgiu depois de conhecer que a Empresa Nacional de Portos do Peru decidiu outorgar concessão a uma empresa privada, considerando que o terminal portuário sofreu nos últimos anos limitações de investimento.

Segundo Sánchez, a proposta boliviana pretende demonstrar capacidade financeira e técnica no manejo de portos para se somar ao projeto, que exige um desembolso de cerca de 230 milhões de dólares, segundo meios de imprensa.

O funcionário público afirmou que o convite pretende gerar um banco de dados de empresas que desejem acompanhar o processo de adjudicação e depois elaborar uma proposta rentável, que gere emprego e não afete o meio-ambiente.

Agregou que também podem se somar à proposta especialistas em administração portuária como engenheiros, arquitetos ou agentes de mercado.

Em 1991, o Peru concedeu à Bolívia por 99 anos uma zona franca, acesso ao uso e administração do porto de Ilo e cinco quilômetros de praia denominada “Boliviamar”, em um tratado ratificado em 2010 pelo então presidente peruano Alan García e pelo mandatário Evo Morales.

Naquele momento, ambos governos estabeleceram acordos sobre facilidades portuárias e econômicas e inclusive se estabeleceu que navios da Armada da Bolívia poderiam chegar ao oceano Pacífico, pela primeira vez desde a Guerra do Pacífico (1879), e que seria construída uma sede da Escola Naval boliviana.

*Correspondente da Prensa Latina na Bolívia.

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