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Papo do Dia

Postado em 27/10/2017 5:47

TEMER, O CONGRESSO E O DINHEIRO DO SUBORNO

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Pedro Augusto Pinho*

Triste destino dos bate-panelas, coxinhas e fantasiados de amarelo-pato. Trocaram um suborno que gerava emprego e manutenção dos negócios por um suborno que salva bandidos, tira empregos e fecha negócios.

Longe de mim a defesa de qualquer suborno, qualquer ilícito, qualquer fraude – e coerente, não assisto noticiários televisivos nacionais – mas não tenho os antolhos que não me permitam ver as diferenças dos subornos, e também das  virtudes.

Jessé Souza, o maior sociólogo brasileiro, expõe, em “A Construção Social da Subcidadania” (Editora ufmg, BH, 2ª Edição, 2012), a junção dos pensamentos do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002) com do filósofo canadense Charles Taylor (1931), que lhe permitiu “vincular o dado do interesse e de seu uso estratégico, com o dado moral da possibilidade do aprendizado”. Ou, em outras palavras, a sociologia crítica que permite entender “os fios invisíveis” das simpatias e preconceitos, com a “estrutura moral e simbólica que acompanha o capitalismo e permite determinar os estímulos não econômicos da ação humana”.

Trataremos, portanto, das diferentes percepções dos subornos, pois, na verdade, ou existem ou não existem, mas que tem compreensões e aceitações sociais distintas, com um moralismo tão falso quanto dos bispos políticos das “igrejas das caixinhas” (obrigado Gregório Duvivier).

Vou facilitar a questão distinguindo o suborno Odebrecht (SO) do suborno Temer (ST). O suborno Odebrecht tem ampla aceitação e difusão internacional. Ele foi o grande impulsionador da construção dos Estados Unidos da América (EUA), nas ações dos Rockefeller, dos Vanderbilt, dos Ford, dos Morgans, dos Carnegies, dos Mellons e muitos outros.

O que eles faziam? Compravam políticos, nos executivos e legislativos, para que seus negócios se firmassem, crescessem, prosperassem, para que eles próprios enriquecessem, além de criarem emprego e renda para nação. Também para constituir monopólios privados, a revelia das legislações.

A farsa de Adam Smith, se alguma vez saiu do seu livro, foi para uma dezena, se tanto, de peregrinos do século XVII. Logo que começa a produção, a disputa de mercado, e com elas a corrupção, o suborno, o “incentivo” para aprovação de uma lei ou para impedir outra proposta legislativa.

O que fizeram os Odebrecht, os empreiteiros torturados na Operação Lava Jato, em nada difere da ação dos “fundadores estadunidenses”.

Mas para que não me acusem de olhar somente nosso grande “irmão do norte” (sic), vamos mencionar os europeus: Krupp, Page, Dassault, Bouygues, Agnelli e outros tantos.

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Diferente é o suborno Temer. Um Natal permanente para os parlamentares, para a “base de apoio” no Congresso, com objetivo de livrá-lo do inquérito policial, da provável condenação penal, com provas, e não no modelo lava jato (convicção semiótica) ou STF (Supremo Tribunal Federal – que condena pela literatura jurídica).

O ST, que em nada difere dos Serra, dos Moreira Franco, dos Jucá, dos Geddel etc, tem um único objetivo: o enriquecimento pessoal, familiar e as despesas luxuosas e ostentatórias. Agora para comprar a liberdade de ir e vir.

Não tenho procuração do Partido dos Trabalhadores (PT), nem do ex-presidente Lula ou Dilma. Mas em favor da verdade, tiraram, como saiu na imprensa estrangeira, “uma mulher honesta, para colocar uma quadrilha no governo brasileiro”.

E o exemplo mais gritante, que só não sai na Globo e suas imitadoras, está nas folhas de suborno que os agentes de Temer levam para o plenário nos dias de votação.

Eu pergunto aos que viam nos governos petistas a “pandemia” corrupta: o que estão vendo agora? Os milagres de Frei Galvão?

Jessé Souza, neste recente e imperdível livro “A Elite do Atraso – da escravidão à lava jato” (Leya, RJ, 2017), escreve: “o desmascaramento do fabuloso esquema de corrupção planetário do capitalismo financeiro americano a partir da crise de 2008 não parece ter enfraquecido as bases do viralatismo nacional”.

A grande corrupção, a pandemia nacional tem início com o empoderamento do capitalismo financeiro, que denomino a banca, com o golpe aplicado no Presidente Geisel, se firma com a eleição de Collor, e se espalha nos períodos FHC, agora retomados pelo golpismo. Quod erat demonstrandum.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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