Como o próprio réu tinha anunciado ao pedir uma oportunidade para sair da prisão, começou a revelar nomes, sobrenomes, cargos e todas as senhas necessárias daqueles que receberam subornos para aprovar a reforma energética, compra de fábricas (todas superfaturadas), contratos e atribuições ilegais, entre outros fatos de corrupção.
A longa lista de envolvidos e os detalhes revelados sobre cada ação ilegal que cometeu apontam indiscutivelmente aos ex-presidentes Felipe Calderón (2006-2012) e Enrique Peña Nieto (2012-2018) como os máximos responsáveis pela partilha de montanhas de dinheiro, uma grande parte entregue pela empresa brasileira Odebrecht.
No escrito, Lozoya acusa senadores do Partido Ação Nacional (PAN) que, segundo ele, exigiram 50 milhões de dólares para aprovar a reforma energética criada para quebrar a Pemex e a Comissão Federal de Eletricidade (CFE), com o objetivo de entregar o setor energético ao capital privado nacional e estrangeiro.
Em sua denúncia, afirma que o grupo que levava essas extorsões a cabo estava composto por Francisco Javier García Cabeza de Vaca, Francisco Domínguez Servién (governadores hoje de Tamaulipas e Querétaro, respectivamente), Salvador Vega Casillas e Jorge Luis Lavalle Maury.
Os subornos ocorriam constantemente no escritório de Lozoya, localizado em Marina Nacional 329, à pedido de Luis Videgaray Caso, que era secretário de Fazenda e presidia o Conselho de Administração da Pemex; e Pedro Joaquín Coldwell, então secretário de Energia, quem recebia instruções supostamente ditadas por Peña Nieto. Acusa vários senadores do PAN que tinham projetos políticos em diversos estados da república, como Tamaulipas, Campeche e Querétaro, e os usavam como desculpa para pedir constantemente mais dinheiro e contratos para empresários de seu entorno.
A entrega de subornos da Odebrecht e outras empresas começaram durante o mandato de Felipe Calderón e acabaram no de Enrique Peña Nieto, informa Lozoya, que agora tem que apresentar provas de suas acusações.
O vídeo com cerca de quatro minutos posto em circulação – em que não há muitos detalhes pois se limita à contagem de uma parte do dinheiro e sua embalagem – deixa as pessoas com vontade de ver as demais gravações de 15 horas, porque lá poderiam estar as provas que confirmem as acusações.
Os implicados já começaram a desmenti-las, o primeiro deles o ex-presidente Calderón, os governadores de Tamaulipas e Querétaro, e o ex-candidato presidencial do PAN Ricardo Anaya, que procuram se converter em acusadores.
Essas gravações não reveladas demonstrarão, disse Lozoya, que ele foi um instrumento não doloso da comissão do crime, pois não foi o autor dos atos de corrupção dos quais é acusado, e os reais são bem mais importantes que os crimes atribuídos à sua autoria.
Em relação ao mandato de Felipe Calderón, diz que em seu governo foram operacionalizados esquemas sólidos de corrupção, particularmente com a Odebrecht, através de sua filial Braskem, a que não apenas obteve um contrato por mais de 20 anos de venda de etanol, mas um desconto inexplicável de 25%.
Essas 60 páginas estremecem o México, mas esse movimento telúrico realmente começa agora e, como apontam fontes jurídicas, o furacão ainda está por chegar.


