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Postado em 20/04/2018 3:50

‘Primeira-dama’, o novo papel da mulher do líder da Coreia do Norte

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Esposa de Kim Jong-Un, Ri Sol-Ju, ganha status de primeira-dama: marketing ou trauma? (KNS/KCNA/AFP)
por AFP* 
Carta Capital

Embora Ri Sol-ju costume acompanhar o marido nos atos oficiais, no fim de semana ela fez sua primeira aparição pública sozinha

O dirigente norte-coreano Kim Jong-unconcedeu a sua mulher, Ri Sol-ju, o título de “primeira-dama”. A ascensão, considerada importante por analistas, acontece antes das reuniões de cúpula com Coreia do Sul e com Estados Unidos.

Embora Ri Sol-ju costume acompanhar o marido nos atos oficiais, foi no último fim de semana que ela fez sua primeira aparição pública sozinha, ao assistir a uma apresentação de balé de uma companhia chinesa.

Elegantemente vestida de rosa para a ocasião, Ri Sol-ju estava acompanhada por funcionários do alto escalão norte-coreano, que aparecem, em geral, ao lado de Kim Jong-un. Entre eles, está sua irmã, Kim Yo-jong.

Os veículos oficiais norte-coreanos noticiaram o evento, classificando Ri como “respeitada primeira-dama”. É a primeira vez em 40 anos que se usa essa fórmula, com um adjetivo que normalmente está reservado para os dirigentes.

A conhecida apresentadora da Coreia do Norte, Ri Chun Hee, que costuma anunciar as grandes notícias do país, destacou o ato na televisão, o que reforçou o status de mulher de Kim.

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Os especialistas consideram Ri, que era cantora, como uma mulher de influência, ainda que até o momento seu papel tenha se limitado a ser a esposa elegante do líder de um país profundamente patriarcal.

Segundo os analistas, essa ascensão pode ser uma estratégia do país para parecer um “estado normal” antes das cúpulas com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e com o norte-americano, Donald Trump. Ambos devem estar com suas primeiras-damas, Kim Jung-sook e Melania Trump.

“A ascensão de Ri Sol-ju é a estratégia de marketing mais eficaz”, comenta An Chan-il, desertor norte-coreano e pesquisador no Instituto Mundial de Estudos Norte-Coreanos. “A cúpula acontecerá entre iguais. Se Melania Trump estiver presente, Ri Sol Ju estará presente”, diz An Cha-il à AFP.

Trauma materno

O especialista lembra que Ri acompanhou o marido a Pequim, no mês passado, na primeira visita ao exterior do líder norte-coreano desde sua chegada ao poder, no final de 2011.

Até agora, a imprensa oficial classificava Ri como “camarada”. O título de “primeira-dama” foi usado pela última vez por Kim Song-ae, a segunda esposa do fundador da Coreia do Norte Kim Il-sung, em 1974.

A figura de Ri Sol-ju, porém, continua cercada de mistério. Ela teria 29 anos e teria tido três filhos, entre eles pelo menos uma menina. Segundo o serviço secreto sul-coreano, vem de uma família comum, de pai professor e mãe médica.

Ex-membro da orquestra Unhasu, Ri teve formação musical na China, segundo a imprensa. Fez parte do grupo de animadoras enviado para a Coreia do Sul em 2005 para uma competição esportiva internacional. Num país minado pela pobreza crônica, a mulher de Kim é conhecida por usar roupas de luxo. Em uma ocasião, foi vista com uma bolsa da Dior.

Alguns analistas consideram que Kim quer reforçar a figura de sua esposa devido ao papel marginal imposto a sua própria mãe, Ko Yong-hui.

Coreana do Japão, Ko teve três filhos com o pai e antecessor de Kim Jong-un, Kim Jong-il. Mas, ao longo de seus 28 anos de matrimônio, sempre foi relegada a um plano marginal. Faleceu em 2004 de um câncer de mama, segundo a imprensa local. Foi tratada em Paris e seus restos mortais foram repatriados em segredo para Pyongyang. Até 2012, porém, não teve direito a um túmulo, o que só aconteceu após a chegada de Kim ao poder.

“Acredito que o trauma de Kim, de ter visto sua mãe viver na sombra, seja um fator”, avalia Shin Beom-chul, analista do Instituto Asan de Estudos Políticos. “Isso pode estimulá-lo a reforçar o status de sua mulher”, completou.

Diferentemente de seu pai e de seu avô, Kim Jong-un se viu, com frequência, acompanhado por mulheres, em especial Ri Sol-ju e Kim Yo-jong. Antes, as esposas ou irmãs dos dirigentes quase não apareciam em público.

Kim, por exemplo, enviou sua irmã para os Jogos Olímpicos de Inverno organizados este ano na Coreia do Sul para iniciar uma estratégia de aproximação.

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