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segunda-feira, 20 julho 2026

Pix Internacional ganha destaque em disputa com EUA

Foto de Marcello Casal Jr – Abr

Pix Internacional deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar o centro do debate sobre o futuro dos pagamentos globais.

Monitor Mercantil*

O projeto Nexus, que foi liderado pelo Banco de CompensaçõPix Internacional deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar o centro do debate sobrees Internacionais (BIS), prevê a conexão do Pix a sistemas de pagamento instantâneo de cerca de 60 países, viabilizando transferência internacional de valores em tempo real sem a dependência do Swift (controlado pelos EUA) ou dos cartões de crédito internacionais.

O movimento ganhou ainda mais projeção depois que representantes do governo norte-americano passaram a criticar publicamente a expansão do sistema brasileiro, sinalizando o peso geopolítico da iniciativa. Para o mercado de pagamentos, a leitura é clara: trata-se de uma ruptura estrutural com décadas de modelo intermediado.

A trajetória do Pix Internacional já estava desenhada desde 2021, quando o Banco Central do Brasil o inseriu na Agenda Evolutiva do Pix, ao lado de funcionalidades como Pix Saque/Troco, Pix Agendado e Pix Automático. A progressão foi natural: uma vez consolidada a infraestrutura doméstica, a interligação com sistemas internacionais de pagamento instantâneo tornou-se o passo seguinte.

O Brasil acumula hoje uma corrente de comércio de US$ 96,87 bilhões com a China, com mais de 33% das exportações nacionais destinadas ao país, e é membro dos Brics. Esse contexto posiciona o Pix Internacional não apenas como inovação tecnológica, mas como instrumento de política comercial.

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O Pix transformou a forma como o Brasil pensa pagamentos, e o Pix Internacional vai transformar a forma como o Brasil se conecta ao mundo. O que está em jogo não é apenas a redução de custos de transação, mas a reconfiguração do papel do país nas cadeias globais de valor. Para o mercado de pagamentos, isso significa um novo ciclo de adaptação, de oportunidades e, inevitavelmente, de pressão sobre modelos que antes pareciam consolidados.

José Tadeu Bijos, CEO e presidente da Multipagamentos

“O Pix Internacional não é uma novidade surgida do nada. Ele já estava previsto na Agenda Evolutiva do Pix desde 2021 e representa a evolução natural de uma infraestrutura que o Brasil construiu com consistência. O que estamos vendo agora é esse movimento ganhar escala e projeção geopolítica, o que só confirma a relevância do que foi feito,” complementa Bijos.

Pix Internacional traz ganhos para empresas de todos os portes

Pequenas e médias empresas integradas a marketplaces terão acesso a mercados internacionais com custos de transação significativamente menores, sem as barreiras impostas pelo modelo tradicional. Para grandes exportadoras, que já operam via Swift com suporte a cartas de crédito, o Pix Internacional representa principalmente uma oportunidade de redução de custos operacionais.

Em ambos os casos, a desintermediação é o vetor central da mudança. O paralelo com a inclusão financeira doméstica é ilustrativo: assim como o Pix aproximou do sistema financeiro mais de 160 milhões de brasileiros, o Pix Internacional pode aproximar empresas nacionais de mercados antes inacessíveis.

“Para pequenas empresas, a desintermediação aliada aos marketplaces pode abrir mercados inimagináveis, contribuindo diretamente para a balança comercial e para a geração de empregos em regiões onde o trabalho é escasso. Para grandes exportadoras, a decisão será focada em redução de custos. O denominador comum é a eficiência,” avalia Bijos.

Ganha destaque a figura do Iniciador de Pagamentos, modalidade regulamentada pelo Banco Central que ainda opera abaixo do seu potencial no mercado e que pode atuar em conjunto com todas as modalidades do Pix disponíveis.

O arcabouço tecnológico, especialmente as APIs abertas pelo Open Finance, já está disponível para viabilizar esses novos serviços.

O que é o Projeto Nexus

Segundo a divulgação do BIS, o Projeto Nexus busca viabilizar pagamentos transfronteiriços instantâneos. “Atualmente, em mais de 70 países, os pagamentos domésticos chegam ao destino em segundos, a um custo praticamente nulo para o remetente ou o destinatário. Isso é possível graças à crescente disponibilidade de sistemas de pagamento instantâneo (IPS). A interconexão desses sistemas pode viabilizar pagamentos transfronteiriços do remetente ao destinatário em até 60 segundos (na maioria dos casos)”, avaliava a instituição, em documento de agosto do ano passado.

O Nexus foi projetado para padronizar a forma como os sistemas de pagamento instantâneo se conectam entre si. Em vez de criar conexões personalizadas para cada novo país, o operador de um sistema de pagamento pode estabelecer uma única conexão com a plataforma Nexus. Essa conexão única permite que o sistema de pagamentos rápidos alcance todos os outros países da rede.

O projeto está sendo liderado por países do Sudeste Asiático. Em comunicado de 2024, o BIS anunciou que “o Nexus evoluiu de uma iniciativa liderada pelo BIS para um esforço independente e colaborativo, com o objetivo de moldar o futuro dos pagamentos globais”.

O Banco Central Europeu já manifestou interesse em se juntar ao Nexus.

Atualização (às 14h17 de 17/7/2026): a matéria foi atualizada a pedido do BIS, que informa que “não participa mais do Nexus; o projeto foi transferido para os parceiros do projeto, conforme anunciado neste comunicado à imprensa: Comunicado à imprensa: O Projeto Nexus conclui plano abrangente para conectar sistemas domésticos de pagamentos instantâneos globalmente e se prepara para trabalhar na implementação em ambiente real, de 1º de julho de 2024.

O BIS também solicitou correção na informação de que forneceria consultoria tecnológica ao projeto. Esta informação, porém, consta na nota “Project Nexus: enabling instant cross-border payments” (“Projeto Nexus: viabilizando pagamentos transfronteiriços

*O original encontra-se em https://monitormercantil.com.br/pix-internacional-ganha-destaque-em-disputa-com-eua/

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