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Peru

Postado em 29/03/2016 11:44

Peru: ‘somos as filhas das camponesas que não conseguiu esterilizar, Keiko Fujimori!’

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Resumen Latinoamericano
Adital

Por Dick y Miriam Emanuelsson

Keiko Fujimori está fazendo um embate no processo eleitoral com uma crescente “oposição indignada”, que a iguala a seu pai. Este deu a ordem de esterilizar as mulheres pobres do Peru em um programa nacional de planejamento familiar, chamado “Plano de Saúde Pública”. Foram esterilizadas forçadamente mais de 340.000 mulheres e 25.000 homens, que só pode ser comparado ao programa de esterilização de Indira Gandhi, na Índia, 1996-1997.

Videos, desde Cusco, Perú:

[1] Voces en CONTRA o a FAVOR de Keiko Fujimori

https://www.youtube.com/watch?v=eUabxeNSTKE

https://www.youtube.com/watch?v=_ZWHczbTrbI

[3] Keiko Fujimori é rechaçada em Cusco

https://www.youtube.com/watch?v=eLkgE9XzP2w

A ex-primeira dama do Peru e atual congressista lidera as pesquisas, um mês antes das eleições no Peru. Como um presente do céu, o Júri Nacional de Eleições até agora retirou dois candidatos presidenciais por terem tentado comprar votos de diferentes maneiras, entre eles o oficialista Julio Guzmán, que tinha 16-17 por cento nas pesquisas, quando foi eliminado da contenda eleitoral. O caminho para a Presidência deveria estar mais aberto do que nunca para “La China” [A chinesa], mas há obstáculos nesse caminho, que a preocupa mais do que os adversários.

Cusco

Vozes CONTRA ou a FAVOR, ou apenas CURIOSIDADE

Eram 16h40, da sexta-feira, 10 de março de 2016, na Praça da Municipalidade de Santiago de Cusco. Os organizadores da campanha eleitoral de Keiko Fujimori haviam convocado as pessoas para as 16h. Mas a praça estava semivazia. Apenas umas quatro-cinco bandeirinhas com as letras de “Keiko”, combinadas com a postulação de algum candidato local do Fujimorismo para o Congresso Nacional, eram vistos na praça. Para ser a candidata favorita, que lidera as pesquisas, com 34-37 por cento, pois a presença popular na praça Santiago, em Cusco, deveria preocupar os chefes da campanha de “La China”.

mirian-emanuelsson
Passaram as horas e as aproveitamos para perceber a reação das pessoas na praça. A senhora Mauricia dizia que estava curiosa “para ver, nada mais”, mas que sim, ia votar em Keiko, mas, apesar de insistirmos em perguntar por que, não deu razões profundas.

JUAN FOI OUTRO SIMPATIZANTE DE KEIKO que, da sua cadeira de rodas defendia até Alberto Fujimori, o pai de Keiko, que, atualmente, se encontra encarcerado com uma sentença de 25 anos. Fujimori fugiu para o Japão em novembro de 2000, pelas acusações de massacres e corrupção. Voltou para a América Latina e aterrisou, no Chile, em novembro de 2005, onde foi detido e deportado para o Peru. Em Lima, um tribunal especial o sentenciou, no dia 07 de abril de 2009, a 25 anos de prisão.

Mas Juan admira o presidente Fujimori porque, segundo diz, Fujimori executou reformas no setor de educação e entre os pobres.

– Graças a Fujimori estamos todos pela mineração. Temos luz, água e colégios, sustenta, enquanto nos cercam as pessoas, curiosas para ouvirem as declarações de Juan e as nossas perguntas.

Lhe parece correto entregar as concessões da linha férrea entre Cusco-Machu Picchu a uma empresa privada que cobra 230 dólares para uma viagem de três horas? Perguntamos.

Mas não responde a pergunta, que lhe incomoda.

– Só queremos que Keiko melhore Cusco, mais hospitais, mais colégios, responde.

MAS AS PESSOAS AO REDOR NÃO ESTÁ CONTENTE com a defesa da família Fujimori, apesar de que nos encontramos em uma praça onde ia ser realizado um ato de proselitismo em favor de Keiko Fujimori.

Mario é um deles, opositor à candidata Keiko Fujimori:

– Vou votar no candidato da Ação Popular (Alfredo Barnechea), disse Mario, com um rosto de enojado.

Está dirigindo-se para sua casa depois de uma longa jornada de trabalho e, casualmente, passava pela praça em direção ao seu lar.

RAMIRO ARIAS É VENDEDOR DE “BOMBONS” na praça e ouve intensamente quando entrevistamos Mario, mas não está convencido das declarações do seu compatriota na cadeira de rodas:

– A política está até os dentes, como se diz, com um sotaque quase impossível de entender, mistura entre quechua e castelhano.

– As leis devem mudar porque, uma vez que mudam (as leis), tudo mudaria.

Diz-se que são os ricos que decidem sobre as leis no Congresso e não o povo.

– Creio que, nessa parte, exerce a corrupção porque todos os grupos que estão no poder adquirem bastante dinheiro, fazem as cosas que lhes convenham.

JOSELYN TEM APENAS 18 ANOS E JÁ É MÃE de um rapazinho, Romario, de apenas um ano, que nos olha com olhos grandes do ser colorida “caminha”, porta-bebês, nas costas da sua mãe, bonita com umas longas tranças.

mirian-emanuelssonPor que ela está em um ato eleitoral de Keiko Fujimori e o que gostaria de dizer a uma futura presidenta, chamada Keiko Fujimori?

– Para ouvir suas propostas. Quero que (meu filho) tenha uma boa educação, mais que todo trabalho para as mulheres, porque, diz, o mercado de trabalho é complicado, sobretudo quando a mulher, como ela, não terminou o bacharelado.

O qué pensa ela como uma jovem mãe sobre as esterilizações forçadas, ordenadas pelo pai de Keiko Fujimori?

– Fizeram muito mal. Pessoas que quiçá queriam ter filhos não puderam chegar a ter.

”KEIKO LADRA!”

A calma da raça do distrito do Município de Santiago, em Cusco, de repente, foi interrompida pelos gritos: ”KEIKO LADRA CHINESA!”

E: “SOMOS AS FILHAS DAS CAMPONESAS QUE NÃO CONSEGUIU ESTERILIZAR”!

São 17h38 da tarde e Keiko Fujimori não aparece. Mas, sim, cerca de 200-300 jovens e pessoas que não estão de acordo com a presença de Keiko Fujimori em Cusco. A razão, podemos ver em um dos cartazes que uma jovem leva:

“ESTERILIZAÇÃO FORÇADA NUNCA MAIS! OS ANOS 90 NÃO VÃO MAIS!”

– “Os jovens se levantam, se indignam porque esse governo de Fujimori foi assassino, esterilizou as mulheres ingênuas no campo. Foi um governo ditatorial, que se apropriou das terras dos peruanos. Por isso viemos lutar contra essa senhora que quer ser presidenta do nosso país”, disse um universitário que não quis dar seu nome.

Afirmou que os jovens e os profissionais não vão novamente “permitir a uma japonesa nos governar”.

– Os jovens leem sobre a história, como profissionais, conhecemos nossa história e não vai nos enganar mais uma vez.

Perguntamos a eles: Qual seria a alternativa às privatizações do Sr. Fujimori e também à entrega dos recursos naturais, como a água e os minerais nos Andes, que tem entregado o atual presidente, Ollanta Humala?

Um dos líderes “Indignados” foi entrevistado por Dick & Miriam Emanuelsson.

SUSTENTA QUE NÃO É O POVO que elege o presidente, mas um poder de fato. Os movimentos sociais têm a tarefa de organizar e unir o povo em defesa dos recursos naturais e dos direitos do povo.

– O que se quer é que se reinvista nos recursos humanos, para que aumente a industrialização no país. Somos um país subdesenvolvido e não avançamos por culpa dessa gente corrupta que gosta de controlar e viver do dinheiro do povo e das pessoas pobres. Oxalá que o povo desperte e não eleja essa senhora, que nunca trabalhou! Fala de trabalho quando nunca trabalhou. Vive do seu pai e do dinheiro do povo, da corrupção e do narcotráfico.

Uns 15 minutos antes de que chegasse a contramanifestação à praça Santiago, nós estivemos atrás do palco na frente da igreja do município e, de repente, chegaram cerca de 50-60 jovens com corte militar no cabelo. Puseram em fila ante uma pessoa de cerca de 40 anos, que falava como se fosse um oficial ante suas tropas. Nos chamou a atenção porque parecia um grupo de choque.

“Os Indignados”.

CHEGOU A CONTRAMANIFESTAÇÃO e o “oficial deu uma ordem que não pudemos escutar, mas os rapazes se trasladaron rapidamente para o canto da praça de onde havia entrado a contramanifestação. Por sorte, havia chegado a polícia da ordem e se colocou entre os contramanifestantes e o grupo de choque. Em um momento, se sentia uma grande tensão na praça, mas os “Indignados” não se calaram, e seguiram com as palavras de ordem contra Keiko Fujimori, enquanto a imensa maoria dos presentes na praça apenas olhava o que estava acontecendo.

mirian-emanuelsson– É indignante o procedimiento e vocês se darão conta que justamente é o procedimento dos fujimoristas, dessa gente ditatorial. Nós estamos vivendo e manifestando como jovens pacificamente e não estamos instigando a violência. Chegamos para protestar o que sentimos e pensamos.

POR QUE A SENHORA FUJIMORI NÃO VEIO? Perguntamos a um dos chefes da equipe de Keiko Fujimori, que estava nas grades do palco.

– É que não quer vir enquanto estejam esses ´baderneiros´, afrimou e sinalizou com a mão para a parte da praça onde se encontravam os indignados.

Havia uma hora que já estava escuro e a chuvia caía mais forte do que antes. A banda, que era parte da equipe eleitoral da campanha de Keiko Fujimori, parecia já não ter mais força para tocar e cantar, depois de ter tocado quase duas horas seguidas. A cantora tentava animar os presentes na praça, mas sem resposta alguma, apenas o núcleo dos partidários do fujimorismo em Cusco, e peruanos transportados das províncias de Cusco tratavam de subir a temperatura. Mas era totalmente notório que, na praça, não existia uma simpatia, mas apenas curiosidade dos presentes sobre Keiko Fujimori.

Às 19h48 da noite apareceu ela, vestida com um colorido e lindo poncho. As pessoas já estavam esperando há quase quatro horas.

Keiko Fujimori apareceu três horas depois e falou durante cinco minutos.

COMEÇOU SEU DISCURSO, QUE IRIA DURAR apenas uns cinco minutos. Quase não se escutava por causa do barulho da contramanifestação, que aumentou sua atividade porque, agora, também lançavam ovos para o palco, sem atingir seu alvo. Alguns fujimoristas com bandeirola se aproximaram dos contramanifestantes, pero estes as transformaram em pedaços.

A candidata da “Força Popular”, como se chama seu movimento, tratou com promessas de impedir as tentativas de privatizar a água e entregar “tratores diretamente aos camponeses”, pois não tinha muito eco na praça onde estavam os “Calados”, e na outra metade se ouvia cada vez mais barulho porque os “Indignados” aumentaram em número.

A filha do personagem que foi classificado como um simples ditador e ladrão, em 2000, se retirou sem muitos aplausos, mas sim muitos gritos de raiva de opositores da política fujimorista.

2.074 mulheres vítimas da esterilização forçada por Alberto Fujimori 1995-2001 processam o ex-presidente, que é classificado como um criminoso ex-ditador. No total, são 346.000 mulheres e 25.000 rapazes.

PROTESTOS AUTÊNTICOS?

Por que não houve entusiasmo e alegria no ato de Keiko Fujimori? Apenas o núcleo fujimorista perto do palco aplaudia.

No dia seguinte, em Lima e Arequipa, houve concentrações de milhares de peruanos, que repudiavam a candidata presidencial e a “ex-primeira dama do Peru”, advertindo sobre o que significaria um governo da família Fujimori.

mirian-emanuelssonSem dúvida, a postulação à Presidência, por parte da filha de Fujimori, provoca fortes reações. É a segunda vez que tenta ganhar a Presidência. Foi congressista entre 2006-2011, ano em que se candidatou e chegou ao segundo lugar, depois de Ollanta Humala.

Ela rechaça as acusações contra seu pai, por ter imposto as massivas esterilizações a centenas de milhares de mulheres campesinas e indígenas, na serra peruana, a maioria delas analfabetas, enganadas ou levadas à força em caminhões ou ambulâncias para as clínicas ou lugares temporários. Muitas vezes, foram amarradas nos pés e mãos em uma cama, onde foram vítimas da intervenção cirúrgica, segundo os testemunhos. Depois, foram colocadas como animais na estrada, onde foram obrigadas a caminharem para suas casas, que, muitas vezes, se encontravam a quilômetros da rodovia para suas comunidades.

Por que surgiram os protestos em Cusco, justo agora? Quais são os interesses da embaixada estadunidense e que “mão peluda” pode ter o Departamento de Estado nos protestos em Lima e Arequipa?

NÃO DUVIDAMOS QUE OS PROTESTOS EM CUSCO foram autênticos, que a raiva dos jovens, que não são do campesinato, mas são universitarios, seja autêntica.

Mas a experiência da Guatemala, Honduras ou outros países na América Latina nos ensina que a embaixada estadunidense, de uma forma ou de outra, tem interesse de canalizar e desviar o descontentamento e o repúdio contra os corruptos, para que respondam aos interesses dos EUA. O que a embaixada teme é que as mobilizações se transformem em ações dirigidas contra os interesses tanto dos EUA. como da burguesia nacional. Encontros na embaixada ou viagens aos EUA de pessoas “indignadas”, que são selecionadas pelos gringos, iempre terminam mal para uma saída popular.

mirian-emanuelssonQuais são os candidatos da Embaixada no Peru? A quem representa o Júri Nacional de Eleições no Peru, que até agora excluiu dois candidatos do oficialismo?

Nas respostas destas perguntas, seguramente, encontramos partes da origem dos Indignados.

[2] “Somos as filhas das camponesas que não conseguiu esterilizar!’

Resumen Latinoamericano

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