Por Jorge Petinaud Martínez
Correspondente-chefe na Bolívia
Nesta quarta-feira, o Ministro do Governo (Interior), Marco Antonio Oviedo, confirmou a demissão do Vice-Ministro do Interior, René Calla, devido a uma reestruturação; no entanto, ele já havia anunciado que Calla havia fornecido informações errôneas sobre a investigação do caso apresentado à imprensa sob o nome de “Malas”.
Pela primeira vez, Oviedo falou à imprensa em um comunicado sobre o escândalo que eclodiu há uma semana, quando vazaram vídeos da ex-deputada Laura Rojas, que retirou 31 malas no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz, usando um passaporte diplomático que não lhe pertencia mais.
Durante a investigação, um juiz, em audiência sobre medidas cautelares, ordenou 180 dias de prisão preventiva no presídio de Palmasola, em Santa Cruz, para o candidato a vereador, tendo em vista as eleições subnacionais de março próximo.
Questionado por repórteres, o ministro confirmou a demissão de Calla e disse que o ex-vice-ministro o informou sobre a mala quando a investigação já estava em andamento, desde a primeira semana de dezembro de 2025.
“Ele alega ter me dado essa informação em 15 de dezembro”, explicou Oviedo, “o que é mentira… porque a investigação já estava em andamento em 15 de dezembro. Ele foi afastado do cargo devido a uma reestruturação que estamos implementando em todo o ministério”, afirmou.
A autoridade esclareceu que o Governo recebeu essa informação na primeira semana de dezembro e que, como resultado, “os órgãos subordinados à Polícia Boliviana, à Inteligência e à Força Especial de Combate ao Narcotráfico foram instruídos a iniciar as investigações correspondentes”.
Ele explicou que, até o momento, os processos investigativos estão progredindo e têm fornecido indícios da ligação entre a ex-congressista e um juiz, aparentemente com maior responsabilidade neste caso, bem como o envolvimento de empresas.
“Mantivemos o caso confidencial por um senso de responsabilidade, para que as investigações possam progredir e produzir resultados”, argumentou ele, referindo-se ao propósito de respeitar a independência do Ministério Público e do Poder Judiciário, “sem proteger ou acobertar ninguém”.
OS PRESOS
O ministro informou que, em consequência do processo em curso, um juiz, uma ex-congressista e funcionários do Serviço Nacional de Alfândega foram presos e estão sendo investigados de acordo com a legislação vigente.
Ele especificou que o responsável pelo armazém onde as 31 malas foram depositadas e no qual foram apreendidos quase 80 quilos de substâncias proibidas permanece detido; assim como o juiz Zeballos, a ex-deputada Rojas, funcionários da alfândega e três funcionários judiciais.
Segundo Oviedo, ficou comprovado que a ex-legisladora utilizou um passaporte comum e um passaporte diplomático em duas ocasiões distintas ao recolher a sua bagagem.
“(…) Ao passar com sua bagagem, ele usou um passaporte diplomático. A imigração relatou isso com todos os detalhes correspondentes, fotografias e vídeos”, disse ele.
O ministro insistiu que as investigações estão nas mãos do Ministério Público e do órgão jurisdicional, e defendeu que os detidos não sejam libertados por pelo menos seis meses.
O presidente do conselho e o vice-presidente elevam o padrão.
Em contraste com o Governo, o secretário-geral da Central Operária Boliviana (COB), Claudio Choque, exigiu que o presidente Rodrigo Paz e seu ministro de Governo fossem incluídos pelo Ministério Público, sem privilégios, como investigados no processo.
“A questão é por que o presidente não relatou isso na época, se ele sabia das malas. Ele precisa dar uma explicação clara ao povo boliviano”, disse Choque aos repórteres.
O líder sindical opinou que o silêncio das autoridades gera suspeitas e enfraquece a credibilidade do governo em seu discurso sobre o combate à corrupção.
Por sua vez, o vice-presidente da Bolívia, Edman Lara, em um contexto de ataques ao Poder Executivo chefiado por Paz, afirmou que “estamos em um narcoestado, o governo protege os traficantes de drogas e lhes dá cobertura para fazerem o que quiserem em nosso país”.
Em resposta, Oviedo afirmou que um narcoestado não prende ex-juízes, ex-deputados ou candidatos a vereador.