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Postado em 19/03/2021 11:26

Pentágono usa China como desculpa para conseguir orçamentos cada vez maiores, afirma especialista

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AMÉRICAS

Sputnik –A “ameaça chinesa” será usada como argumento pelo Departamento de Defesa dos EUA para aumentar sua fatia no orçamento, afirma colunista do jornal The Washington Post.

Em sua coluna mais recente no jornal The Washington Post, publicada na quinta-feira (18), o especialista em política externa Farred Zakaria questiona os altos gastos do governo norte-americano com o Pentágono.

Zakaria começa o artigo por recordar que na véspera de sua visita esta semana à Ásia, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin reafirmou que a atenção da administração do democrata Joe Biden está na China: “Nossa ameaça progressiva”. O secretário destacou que, nos últimos 20 anos, os EUA se concentraram no Oriente Médio, enquanto a China vinha modernizando suas Forças Armadas. “Ainda mantemos a vantagem e vamos aumentá-la daqui para frente”, concluiu Austin.

“Bem-vindo à nova era de orçamentos inchados do Pentágono, tudo justificado pela grande ameaça chinesa”, afirma Zakaria.

Vantagem norte-americana

O que o secretário de Defesa chama de “vantagem” sobre a China seria mais como um abismo, defende o especialista. Os EUA têm cerca de 20 vezes o número de ogivas nucleares que a China. Tem o dobro da tonelagem de navios de guerra no mar, incluindo 11 porta-aviões nucleares em comparação com os dois porta-aviões da China, que são muito menos avançados.

Destróier USS Jack Lucas da Marinha dos EUA
Destróier USS Jack Lucas da Marinha dos EUA

Além disso, Washington tem mais de dois mil caças modernos em comparação com os cerca de 600 de Pequim e os EUA possuem uma vasta rede de cerca de 800 bases no exterior, quanto a China tem três.

“Os gastos militares dos EUA continuam maiores que os orçamentos de defesa dos próximos dez países juntos, a maioria dos quais são aliados próximos de Washington. Apenas o orçamento de inteligência dos EUA, cerca de US$ 85 bilhões (aproximadamente R$ 444 bilhões), é maior do que o gasto total da Rússia com defesa”, escreve Zakaria.

Estratégias fracassadas

Ainda assim, o especialista afirma que o tamanho dos gastos militares pode ser um indicador enganoso de força, uma vez que muito mais importante são os objetivos buscados e a estratégia político-militar utilizada para alcançá-los.

Sob esse prisma, os EUA provavelmente gastaram mais do que o Talibã (grupo terrorista proibido na Rússia e em diversos países) em uma proporção de dez mil para um no Afeganistão. E, no entanto, Washington não conseguiu atingir seu objetivo: garantir que o governo de Cabul governe o país sem contestação.

Helicóptero militar dos EUA AH1-Huey no aeroporto de Candaar, Afeganistão (foto de arquivo)
© AP PHOTO / MARCO DI LAURO
Helicóptero militar dos EUA AH1-Huey no aeroporto de Candaar, Afeganistão (foto de arquivo)

“Se os EUA definirem seus objetivos com cuidado e montarem uma estratégia política e militar inteligente e consistente para alcançá-los, eles poderão ter sucesso. Sem isso, milhões de soldados e trilhões de dólares não garantirão a vitória. Tamanho não é um substituto para o cérebro”, explica Zakaria.

O especialista cita outro exemplo em que a estratégia norte-americana falhou: o programa do caça F-35, que vai custar cerca de US$ 1,7 trilhão (R$ 9,4 trilhões) aos contribuintes dos EUA e está sofrendo com uma série de problemas técnicos.

“A China gastará uma quantia comparável de dinheiro em sua Nova Rota da Seda, um ambicioso conjunto de empréstimos, ajuda e financiamento para infraestrutura em todo o mundo, com o objetivo de criar maior interdependência com dezenas de países que são importantes para Pequim. Qual é o dinheiro mais bem gasto?”, pergunta o articulista.

Zakaria afirma que, após duas décadas lutando em guerras no Oriente Médio sem muito sucesso, o Pentágono “agora voltará ao seu tipo favorito de conflito, uma Guerra Fria com energia nuclear”. Dessa forma, argumenta o especialista, o Departamento de Defesa dos EUA pode arrecadar quantias infinitas de dinheiro para “ultrapassar” a China, mesmo que a dissuasão nuclear torne improvável que haja uma guerra real na Ásia.

“Claro, pode haver guerras de orçamento em Washington, mas essas são as batalhas que o Pentágono sabe como vencer!”, conclui o especialista.

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