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sexta-feira, 13 fevereiro 2026

Paz na Ucrânia fomenta guerra na Venezuela para valorizar ações do complexo industrial militar americano

© Foto / Twitter / @NicolasMaduro

César Fonseca

Paz na Ucrânia, acertada entre Donald Trump e Vladimir Putin, desestabiliza mercado especulativo.

Indústria de guerra com paz sente queda nas ações registrada nas principais bolsas internacionais nesta segunda-feira, levantando, com isso, temores de instabilidade geral no mercado bursátil.

Qual a alternativa capaz de recuperar as ações das indústrias armamentistas?

Nova Guerra!

É o que ensina o historiador José Luís Fiori, em “História, Estratégia e Desenvolvimento”, Boitempo, 2014.

O capitalismo só se realiza na guerra.

Uma guerra puxa a outra, diz Fiori, não importa qual o vencedor, importa a produção de armas, dinamizando a infraestrutura produtiva e ocupacional que puxa a demanda global, valorizando as ações das empresas do setor.

Qual a próxima guerra para ativar a produção de armas e valorizar ações das indústrias armamentistas?

Expectativas de guerra EUA x Venezuela aumentariam ou não as ações do complexo industrial militar norte-americano?

Discurso japonês da primeira-ministra Sanae Takachi pró-Taiwan  idem, cria expectativas ao armamentismo japonês, bombeado pela indústria de guerra americana.

A China reage energicamente e as relações sino-japonesas estão por um fio, fazendo a alegria da indústria de armas, com expectativa de valorização de suas ações na bolsa.

Expectativa de guerra é o remédio capitalista para dinamizar o sistema capitalista.

Quem consome armas, essencialmente, não-mercadorias, absorvidas, apenas, pelo dinheiro estatal?

Os governos mediante gastos do tesouro!

Criam moeda para sustentar guerras.

INDUSTRIALIZAÇÃO AMERICANA DEPENDE DA GUERRA

Os bancos, desde a segunda guerra mundial, com as ações do tesouro americano em carteira, fazem circular a moeda que amplia o crédito, ao dinamizarem empresas fornecedoras de partes, peças e componentes no setor de vanguarda e inovação tecnológica, expandindo a produtividade do capitalismo de guerra.

“Penso ser incompatível com o desenvolvimento capitalista que o governo eleve seus gastos capazes de valer a minha tese – a do pleno emprego –, exceto em condições de guerra; se os Estados Unidos se INSENSIBILIZAREM para preparação das armas, aprenderão a conhecer a sua força.”(Keynes em recado a Roosevelt, em 1936, em “A crise da ideologia keynesiana”, Lauro Campos, Boitempo, 2012)

O mercado valoriza as ações com a produção bélica, fazendo circular/valorizar ações das empresas do complexo militar.

Sem guerras, as ações das empresas se desvalorizam, gerando corrida às bolsas.

A paz, portanto, é péssimo negócio para a bolsa.

A dialética da paz leva o capitalismo à crise de realização de lucros.

Não é à toa que os mercados estão entrando numa fase pessimista com o prenúncio de paz na Ucrânia negociada entre Trump e Putin.

O otimismo do mercado de ações somente cresce, se a guerra se expandir.

GUERRA COM VENEZUELA PARA VALORIZAR AÇÕES E EVITAR COLAPSO BURSÁTIL

Assim, do ponto de vista da economia de guerra, o melhor negócio, com a paz na Ucrânia, é tensionar as relações EUA- Venezuela.

Por extensão, tal tensão se expandirá por toda América Latina.

A motivação americana, nesse sentido, justifica-se como resistência dos Estados Unidos ao avanço da China na América Latina, tomando mercados dos produtores americanos.

O continente sul-americano e a América Central são reserva geopolítica estratégica de Washington, seu campo de caça exclusivo, ancorado ideologicamente na Doutrina Monroe, criada em 1823, para os Estados Unidos eliminarem a hegemonia da Inglaterra e da libra esterlina na América Latina.

Ampliar bases militares americanas na América Latina passa a ser prioridade geopolítica e geoestratégica de Washington, para barrar o crescimento do BRICS, sob domínio da China, no espaço geopolítico do Sul Global.

O Comando Sul dos Estados Unidos, responsável por monitorar a América Latina, em nome dos interesses dos EUA, tem, nesse sentido, seu foco primeiro na Venezuela, como estopim de ação generalizada para tensionar a guerra continental.

Nada mais conveniente para valorizar as ações das empresas do complexo militar industrial norte-americano, que começam a se desvalorizar com a paz acertada entre Rússia e Estados Unidos para encerrar a guerra na Ucrânia.

As expectativas de guerra na América Latina, portanto, são a melhor notícia para as indústrias armamentistas dos Estados Unidos, cuja economia tem seu centro dinâmico na guerra.

Afinal, o capitalismo depende, fundamentalmente, de expectativas.

A América Latina mergulhada em guerra é o sonho de consumo do Pentágono, diante da paz na Ucrânia.

Essa, também, é a expectativa de Wall Street para o novo ciclo especulativo acelerado pela crescente instabilidade latino-americana, alavancada pela guerra que Trump move contra a Venezuela.

Abocanhar as riquezas latino-americanas é o objetivo imediato do imperialismo americano.

A Ucrânia sai de cena, entra a Venezuela no seu lugar.

A guerra não pode parar para Wall Street prosperar.

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