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Internacional

Postado em 15/04/2016 10:00

Panama Papers são “culpa de Putin”

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Brookings Institution e mais um míssil teledesatinado
11/4/2016, John Helmer, Dance with Bears, Moscou http://johnhelmer.net/?p=15446
Clifford Gaddy (imagem de abertura, esq.) jamais superou a quedinha que sempre teve, por 20 anos, por Anatoly Chubais e Alexei Kudrin. Tampouco o patrão de Gaddy na Brookings Institution em Washington, Strobe Talbott, o mudador-de-regime em-chefe no Departamento de Estado nos anos 1990s, quando Boris Yeltsin era o homem deles no Kremlin, e o resto da Rússia era fraca demais para lhes resistir.

Se a Rússia hoje tivesse Chubais, de presidente; e Kudrin, de primeiro-ministro, em vez do presidente Putin, Gaddy & Brookings nem cogitariam da trama ‘do Kremlin’ que ‘denunciaram’ semana passada, e que teria sido concebida para chantagear funcionários dos EUA e aliados, com coisa como os chamados Panama Papers. Mas complô para mudança de regime desse tipo não é tão inconcebível como parece – não porque Putin tenha inventado tudo, como Gaddy diz hoje, mas porque Gaddy & Talbott usaram incontáveis vezes em Moscou o mesmíssimo complô de que hoje falam. E assim prosseguiram até que Putin os pôs de lá para fora.

Para a desfalecente Brookings, o movimento de ‘desvendar’ ‘complôs’ de Putin é como desesperado anúncio, pago a preços de horário nobre, para tentar atrair novos doadores; ou arrancar mais dinheiro, dos de sempre.

A peça acusatória assinada por Gaddy leva o título de “Estarão os russos realmente por trás dos Panama Papers?”. E não é coluna plantada em algum jornal. Nem há a linhazinha final, de “… opinião exclusiva do autor, não do veículo/rede”. É umapublicação oficial do think-tank Brookings, do qual Gaddy é especialista-chefe em assuntos da Rússia; e Talbott é diretor executivo.

Além disso, a pergunta vem carregada de más intenções, posto que Gaddy apressa-se a responder que sim.
“Meu pensamento” – diz ele, ignorando os subjuntivos, condicionais e a civilização do контроль (“controle”) – “é que é operação da inteligência russa, que orquestrou vazamento high-profile e garantiu-lhe total credibilidade, ao ‘implicar’ (sem realmente implicar) a Rússia e ao manter a fonte perfeitamente oculta. Alguns documentos serão usados em campanhas anticorrupção nuns poucos países – derrubar regimes menores, destruir algumas poucas carreiras e fortunas. Para, afinal, chantagear os alvos reais nos EUA e noutros pontos (indivíduos cujos nomes não aparecem no vazamento já feito), o que daria aos russos manipuladores de fantoches, controle e influência.”
Gaddy não apresenta provas. Em vez disso, se serve do velho truque dos tribunais romanos, de empurrar toda a discussão da culpa na direção do motivo, porque não há absolutamente qualquer prova de que algum ato criminoso tenha sido praticado. “O princípio do cui bono [“quem se beneficia?”] faz a ligação direta entre proveito e motivos, e deixa de lado a questão central de se houve realmente ato criminoso, ou não. Outra das perguntas escorregadias de Gaddy é “Se os russos saem ganhando, não é possível que, sim, estejam pelo menos em parte por trás da história toda?” Mas Gaddy não faz essa pergunta porque seja a única pergunta lógica ou possível, que não é; essa, simplesmente, é a única pergunta para a qual Gaddy já tem resposta pronta.
“Digamos então que o ‘quem’ é os russos; e que o ‘por quê’ é diluir a atenção e mostrar que ‘todos fazem isso’. Mas como? Dadas as alardeadas capacidade dos russos para o hacking, uma unidade cyber-especial no Kremlin pode ter conseguido os documentos. (Monssack [sic] Fonseca tem repetido que o vazamento não foi trabalho interno.) Mas o mais provável é que a operação dehacking tenha sido executada por uma agência chamada Serviço Russo de Monitoramento Financeiro [ing. Russian Financial Monitoring Service (RFM), também referida adiante comoRosFinMonitoring (NTs)]. A agência RFM é a unidade de inteligência financeira conectada pessoalmente a Putin – ele a criou e a agência só responde a ele. É completamente legítima e amplamente reconhecida como a mais poderosa agência desse tipo em todo o mundo, com monopólio da informação sobre lavagem de dinheiro, centros offshore e questões relacionadas que envolvam a Rússia ou cidadãos russos.”
O chefe dessa RosFinMonitoring, Yury Chikhanchin, tem doutorado em economia como Gaddy e 16 anos de experiência nos serviços de segurança; começou na agência em 2008, como diretor. Quatro anos depois, em junho de 2012, Putin reuniu-se publicamente com ele, duas vezes, para entregar-lhe a história falsificada, segundo Gaddy, para quem o que a RFM realmente faz é muito diferente do que faz sua contraparte nos EUA, a Rede contra Crimes Financeiros do Tesouro dos EUA (US Treasury’s Financial Crimes Enforcement Network (FinCEN), chefiada por Jennifer Shasky Calvery (foto).

A ideia de Putin foi que “temos de preparar um plano nacional para combater lavagem de dinheiro, evasão fiscal e os sonegadores que se escondem em paraísos fiscais, para compreender que empresa mais se beneficia de tudo isso. É o que fazem outros países, ou, pelo menos, muitos deles” (como se lê em documento do Kremlin).

IMAGEM: Putin e Chikhanchin, 13/6/2012.

Segundo o documento da Brookings, Putin teria ordenado a Chikhanchin que invadisse os registros da empresa panamenhaoffshore para encontrar nomes de funcionários influentes e empresários norte-americanos os quais, na sequência, passariam a ser chantageados para que obedecessem o que o Kremlin os mandasse fazer.

Putin, afinal, realmente disse a Chikhanchin que mantivesse secreto o seu trabalho, como também se lê em documento do Kremlin:
“Observo que ao longo de todos esses anos, apesar da complexidade e do caráter confidencial do trabalho que faz, o Serviço jamais sofreu qualquer vazamento que causasse dano ao nosso país e a nossa economia. Espero que os senhores continuem a trabalhar com a mesma intensidade, atentamente e cuidadosamente.”
Até que, em Julho de 2013, a agência russa RFM foi revelada publicamente como “a agência de espiões pessoal de Putin”, não pelos russos, mas numa publicação financiada pelo orçamento russo para mídia estatal. O autor da ‘revelação’? O próprio Gaddy de Brookings!

Um dos segredos que Gaddy contudo não revelou, nem então, nem hoje, é que entre 2000 e 2002 Chikhanchin dirigia o Departamento de Controle Monetário no Ministério das Finanças. E reportava ao ministro: Kudrin, precisamente.

Fato é que, hoje, o suposto segredo Putin-Chikhanchin foi afinal vazado/revelado ao mundo, por Gaddy de Brookings:
“O objetivo da operação Panama Papers (…) é a mensagem que envia a líderes políticos nos EUA e no ocidente, de que poderiam ser citados, mas não o foram. A mensagem é: ‘Temos informação também sobre seus crimes financeiros. Vocês sabem que temos. Podemos mantê-la em segredo, se cooperarem conosco’. Em outras palavras: os indivíduos mencionados nos documentos não são os alvos; alvos são os que não são mencionados.”
No tempo quando Cícero perguntava “quem se beneficia?”, os romanos no tribunal jamais haviam ouvido falar de bumerangue.

Sem provas, o complô que Gaddy atribui a Putin passa a ser complô de Gaddy, não de Putin.

Foi Gaddy, afinal, quem levantou a questão: que motivo haveria, que benefício, que lucro podem advir, para Gaddy, Talbot & Brookings, para que se tenham posto a atacar e desqualificar osPanama Papers como golpe de chantagem putinesco? Pergunta perigosa, essa.

O currículo de Gaddy revela que, em meados dos anos 1990s ele trabalhava para o governo dos EUA como “assessor do Ministério de Finanças da Rússia e governos regionais, para questões de federalismo fiscal, dentro do Projeto Supervisão da Reforma Fiscal da Rússia.” Talbott era Subsecretário de Estado.

Transcrições de conversas de telefone e reuniões recentemente divulgadas, entre o presidente Bill Clinton e o primeiro-ministro britânico Tony Blair, revelam que o serviço de Talbott era ‘segurar’ Yeltsin no poder, se possível; e, se impossível, garantir que fosse substituído por Yegor Gaidar no melhor dos casos; e por Victor Chernomyrdin, no pior. Livrar-se do primeiro-ministro Yevgeny Primakov era uma das ‘mudanças-de-regime’ que cabiam a Talbott ‘completar’. E, ao mesmo tempo, ele conspirava para derrubar Slobodan Milosevic na Sérvia (detalhes sobre isso encontram-se aqui).

Aí está. Como e por quê seriam os interesses desses todos, e os interesses da Brookings Institution, afetados pelos Panama Papers? Onde se lê “o que interessa e está em disputa”, pode-se ler “dinheiro”.

A Brookings não revela a origem, a identidade, nem o valor de todos os fundos que a mantêm. Mas os descreve como segue:
“Indivíduos, fundações, grandes empresas generosas, e agências do governo dos EUA e de outros países que partilham nosso compromisso com a qualidade, a independência e o impacto na pesquisa e análise de políticas públicas, apoiam a Brookings com contribuição financeira e engajamento intelectual. Doadores investem na Brookings seja com doações para projetos específicos seja com fundos ilimitados que nos ajudam a reagir prontamente a eventos e a fazer frente a desafios urgentes, da economia doméstica e global, a questões de política exterior e à saúde das cidades e áreas metropolitanas dos EUA.”
Em matéria de qualidade, independência e impacto, eis como Talbott e Gaddy definem a atual missão que Brookings cumpre, relacionada à Rússia:
“Para poder confrontar uma Rússia agressiva, políticos norte-americanos têm de compreender as motivações do presidente Putin e sua visão de mundo, o que os capacita para conceber contraestratégia efetiva que faça frente à agenda revanchista de Moscou. Seja em relação aos esforços de Putin para restabelecer uma esfera de influência na Europa Oriental, ou sua conversão ao nacionalismo para reforçar sua popularidade nacional, nossos diretores sêniores Fiona Hill e Clifford Gaddy oferecem aos legisladores e governantes norte-americanos amplos insightssobre o líder russo.

Em 2015, Gaddy e Hill, diretor do Centro sobre EUA e Europa, distribuíram edição expandida de Mr. Putin: Agente no Kremlin, com cinco novos capítulos, que oferecem contextualização muito mais ampla sobre as ambições de Putin para a Rússia.”
Rússia e China são definidas pelo think-tank como “principais ameaças diretas contra a ordem liberal internacional”.
Fiona Hill, subespecialista em Rússia, subordinada de Gaddy, é cidadã britânica, PhD e depois professora em Harvard, e entre 2006 e 2009 “funcionária da inteligência nacional para assuntos de Rússia e Eurásia no National Intelligence Council [Conselho Nacional de Inteligência].”

O segundo subespecialista em Rússia na folha de pagamento de Brookings, que tem o cargo de “colaborador sênior no Projeto de Ordem Internacional e Estratégia, no programa de Política Externa”, é Robert Kagan. É marido de Victoria Nuland, hoje diretamente encarregada das operações de mudança-de-regime para Rússia e Ucrânia, no Departamento de Estado (detalhes sobre isso, aqui).

Para saber de onde vem o dinheiro pago a Talbott, Gaddy, Hill e Kagan, abram a página 39 do Relatório Anual de 2015 onde se vê a lista atualizada dos patrões da Brookings. Dentre “governos estrangeiros” que pagam, estão os aliados militares dos EUA, a Austrália (Ministério de Relações Exteriores e Ministério da Defesa), Canadá, Grã-Bretanha, Japão, Coreia do Sul, Qatar, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Noruega.

Para comparar esses países e governos e a lista de nomes revelados nos Panama Papers, vejam aqui. Dos governos que se veem nas duas relações, de patrocinadores pagantes da Brookings e nas listas vindas do Panamá, diretamente ou mediante testas de ferro, os que primeiro saltam à vista são Qatar, Ucrânia, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos.

Mas todas essas guerras em que a Brookings Institution promove ou se intromete podem estar tendo efeito negativo nas folhas de balancetes. O think-tank noticia que as receitas caíram 11% em 2015, comparadas ao ano anterior, para $95,6 milhões; mas os custos operacionais aumentaram 5%, para $104,2 milhões. Os investimentos da Brookings também padeceram, despencando, de $38,9 milhões positivos em 2014 para um negativo de $22 milhões em 2015. Significa que o think-tankestá operacionalmente no vermelho, muito precisado de arrancar mais dinheiro dos mantenedores, e rápido.

Imagem: BROOKINGS OPERA HOJE NO VERMELHO Balancete de 2015, p. 42

A falta de dinheiro novo é especialmente urgente para o setor de política exterior, porque Talbott, Gaddy, Hill, Pifer e Kagan não são baratos: só esses consomem um terço do orçamento anual do think-tank. Inimigos estrangeiros, não questões internas dos EUA, é que rendem o filé mignon, para a Brookings.

A comissão da Brookings encarregada de levantar dinheirooffshore é chefiada por Antoine van Agtmael, norte-americano de origem holandesa. O negócio dele é fundos de investimento em mercados emergentes; aparecem com sede na Grã-Bretanha e usam a Irlanda para registro offshore; a Rússia nunca recebeu investimentos dele.

A diretoria da Brookings Institution é cheia de norte-americanos (3), espanhóis (3), mexicanos (2), canadenses (2) e israelenses (2).

Imagem: Maiores mantenedores da Brookings Institution em 2015
Brookings Annual Report, p. 39

Os Panama Papers listam contém nomes de cinco oligarcas israelenses – Lev Leviev, Idnan Ofer, Teddy Sagi, Dan Gertler e Beny Steinmetz. Vários espanhóis, inclusive a duquesa Pilar de Borbon, irmã do ex-rei Juan Carlos.

Não há russos entre os que doam dinheiro para manter a Brookings – só militantes anti-Rússia. O mais abonado deles é o oligarca ucraniano Victor Pinchuk, que garante $200 mil dólares anuais à instituição e tem assento no Conselho para Assuntos Internacionais. É quem paga pela cobertura pró-Kiev e anti-Moscou garantida pelo ex-embaixador dos EUA na Ucrânia, Steven Pifer, Fellow assalariado da Brookings.

Para mais detalhes, inclusive da recusa de Brookings e Pifer, que não falam sobre o dinheiro de Pinchuk, leiam aqui. O mais recente relatório da Brookings, sobre de onde veio o dinheiro que a manteve em 2015 identifica Pinchuk, que continua a fazer doações, que vão de $100 mil a $249 mil dólares.

Seguir o dinheiro da Brookings já logo aponta para um motivo, na linha do “quem se beneficia”, porque a Brookings beneficia-se muito, se proteger seus doadores. E os protege, sim, se ataca os Panama Papers no caso de o dinheiro de seus doadores permanecer na lavanderia Brookings até ser alvejado e limpo de todo e qualquer crime. As acusações que lhe fazem os russos, segundo os quais Pinchuk roubou mais de $200 milhões de sua empresa Rossiya Insurance Company em Moscou, sugerem algo nessa direção, embora não tenha havido nem julgamento nem condenações. Detalhes desse caso, aqui.

Quanto à teoria de Talbott-Gaddy, de que Putin-Chikhanchik estariam chantageando ‘o ocidente’, exige, para ser crível, um perfeito, absoluto idiota – na verdade, vários deles, inclusive toda a mídia-empresa pervertida e anti-Rússia, no mundo anglófono: o Guardian de Londres; todos os veículos que pertencem a Rupert Murdoch, o Daily Beast (dirigido por Chelsea Clinton) e o Financial Times que pertence ao grupo Nikkei de comunicação (ano passado, o Nikkei doou mais de $50 mil à Brookings).

Segundo a versão de Gaddy, o International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) de Washington, que teria supervisionado a autenticação e disseminação dos Panama Papers, “se autoapresenta como elite dos jornalistas investigativos –, mas o que descobriram eles sobre a fonte de todos esses documentos?” Quem sabe? [orig. em ru. Nichevo], diz  Gaddy.
“Talvez, por ser mantido por norte-americanos, o ICIJ não morda a mão que o alimenta (…) Ou talvez, quem sabe, alguém apagou de lá referências a norte-americanos antes de os documentos serem entregues ao jornal alemão. E esse “alguém” pode ser russo – e a ausência de informação que incrimine norte-americanos é importante pista para descobrir-se o que, me parece, é o real objetivo desse vazamento.”
A Brookings aproxima-se de seguir a pista do dinheiro diretamente até o  ICIJ, mas não; para antes. Tivesse avançado um pouco, teria descoberto, que os mantenedores do ICIJ e de seu parente em Washington, o Center for Public Integrity (CPI), são fundações da Open Society de George Soros;  muitas dessas mesmas fundações norte-americanas também aparecem na lista de mantenedoras da Brookings Institution; além dos proprietários das mídia-empresas que estão publicando osPanama Papers.

Essa trilha de ‘quem se beneficia’ anda em círculos pelo mundo. Por exemplo, Soros paga para que o ICIJ receba e edite osPanama Papers e paga também para que o jornalMail&Guardian da África do Sul faça, dos Papers, notícia.[1]

A Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional [ing.US Agency for International Development (USAID) também põe dinheiro no circuito, financiando a “confirmação das informações”, o “jornalismo investigativo” e os projetos de “mídia-empresa responsáveis” nos países nos quais os Panama Papers foram amplificados, como, por exemplo, nos Bálcãs, naUcrânia, no México e nas Filipinas.

Dia 9 de abril, o porta-voz do Departamento de Estado reconheceu que pelo menos um dos grupos que trabalham para a divulgação dos Panama Papers, o Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), é financiado pelaUSAID. “Eles” – disse o porta-voz Mark Toner –, “essa organização faz jornalismo investigativo, basicamente, me parece, na Europa.”

“Obviamente, é uma dessas organizações que a USAIDmantinha e continua a manter, mas não especificamente para – perseguir algum governo em particular, mas – ou algum indivíduo em particular, mas simplesmente fazem… – e aqui o que estamos mantendo é o serviço de produzir jornalismo investigativo independente que, temos certeza, pode lançar uma luz sobre a corrupção, porque, como o próprio secretário já disse, a corrupção continua a ter efeito corrosivo contra a boa governança em todo o mundo. Assim sendo, porque faz parte do objetivo central de nossa política exterior, nós apoiamos organizações que combatem a corrupção.”

Cui bono? Quem ganha com isso? – perguntaram os repórteres ao porta-voz. – “Não temos controle editorial sobre o que noticiam”, Tones respondeu. “Eles podem [quer dizer: o governo dos EUA permite] que cubram o que queiram.”

O ataque da Brookings Institution contra os Panama Papers – a acusação de que seria conspiração comandada da Rússia – apareceu dia 7 de abril, dois dias antes de o Departamento de Estado ter admitido o que acima se lê.

O OCCRP informa sobre dinheiro de Soros e do governo dos EUA, na seção de sua website sobre financiadores e mantenedores; mas não fala deles no histórico da organização. Quanto à transparência, que facilitasse  investigar os próprios fundos que mantêm o ICIJ, não há; a opacidade é total. Foi o que se constatou, quando o diretor do ICIJ, Gerard Ryle, ao ser perguntado sobre uma investigação na Rússia, cujos resultados o ICIJ acabava de publicar no Guardian em novembro de 2012, bateu o telefone.*****

[1] “No Brasil, participaram da apuração (sic) o UOL, o jornal O Estado de S. Paulo e a RedeTV!” (in “Blog do Fernando Rodrigues”, 3/4/2016. Não se sabe se esses todos, ou alguns, foram pagos para ‘noticiar’) [NTs].

Tradução: Vila Vudu

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