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Postado em 25/05/2021 6:39

Os princípios do poskeynesianismo

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Por Michael Roberts [*]

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Tal como a economia marxista ou a convencional, a economia keynesiana tem várias correntes. Há uma economia keynesiana vista dentro dos parâmetros da economia de equilíbrio geral , onde as mudanças nos rendimentos e gastos, o consumo e o investimento, as taxas de juro e o emprego tenderão a um equilíbrio entre o emprego e a inflação, desde que não existam “choques” exógenos que afectem a economia de mercado .

Isto é o que Joan Robinson, seguidora de Keynes , chamou “keynesianismo bastardo”. Uma corrente que elimina todas as características radicais da economia keynesiana que, para Robinson, politicamente uma quase maoista, partia de que não se podia conseguir automaticamente o pleno emprego nas economias “de mercado” modernas. É mais provável que haja um equilíbrio de subemprego; e que isto se deva à incerteza sobre o futuro dos capitalistas na hora de tomar decisões de investimento e à irracionalidade de “agentes” económicos como os consumidores e os capitalistas.

Esta visão radical da economia keynesiana chegou a denominar-se pós-keynesianismo (PK) e os principais proponentes foram contemporâneos de Keynes como Robinson e Michal Kalecki, o marxista-keynesiano , e mais tarde Hyman Minsky, o socialista-keynesiano . Agora há toda uma escola de teoria económica pós-keynesiana , com revistas, conferências e think-tanks .

A economia PK domina e influi nas opiniões e políticas da esquerda nos movimentos laborais das principais economias (Corbynomics, Sanders, etc). É a ala radical da teoria económica keynesiana em geral que, por sua vez, dominou o movimento operário desde Keynes (excepto em períodos posteriores à década de 1980, quando as teorias neoliberais do “mercado livre” da corrente ortodoxa influíram nos líderes sindicais durante algumas décadas).

No meu blogue tenho gasto muita tinta a explicar em que a teoria económica marxista difere da teoria económica keynesiana em todos os seus aspectos . Para mim, um enfoque marxista da teoria e da política explica melhor a natureza do capitalismo e quais são as políticas correctas que deve adoptar o movimento operário na sua luta contra o capital e por uma sociedade melhor para todos. De facto, creio que a economia keynesiana é um obstáculo para alcançá-la, principalmente porque a sua análise do capitalismo é incorrecta. Além disso, sua conclusão política é que o capitalismo se pode reformar ou gerir de maneira que funcione para todos com uns poucos ajustes políticos inteligentes .

A teoria PK, porque parece muito mais radical (no sentido de que considera que o capitalismo não pode ser gerido facilmente para benefício de todos) e porque muitos dos seus expoentes se consideram socialistas (inclusive marxistas), é ainda mais enganosa uma vez que se baseia numa visão radical do keynesianismo e, contudo, Keynes não era tão radical como os seguidores do PK acreditam que fosse .

Permitam-me, mais uma vez, examinar as ideias básicas da economia pós-keynesiana.

Para isso, tomarei como base um artigo recente intitulado “A visão pós-keynesiana do mundo em cinco princípios” , baseado numa palestra em zoom dada por um tal “Alex” no Instituto Berggruen.

Alex fala-nos primeiramente da crescente popularidade do “pós-keynesianismo” depois da crise financeira mundial e da crise do COVID. Alex reconhece que se tornou popular porque “encanta os mercados financeiros, porque explica bem como funciona a economia, o que é útil se o teu salário depende de compreender como funciona a economia”.

Não estou seguro de que seja uma boa razão o facto de os analistas financeiros aparentemente ficarem “encantados” por estarem de acordo com o PK. Mas Alex continua a explicar que o PK “proporciona uma boa heurística causal para compreender o impacto dos fluxos financeiros na produção e na economia em geral. Também aconselha realismo na hora do impacto das políticas públicas nos resultados económicos. A dívida pública e a dívida privada são diferentes, a oferta monetária não causa inflação, a dívida privada finalmente tem de ser saldada e terá um impacto real se assim não se fizer”.

Então, segundo Alex, o PK explica melhor como funciona a economia moderna e porque a dívida (particularmente a dívida privada) é importante. Um ramo do PK, a Moderna teoria monetária (MTM), iluminou-nos recentemente sobre o funcionamento do dinheiro no capitalismo, reconhece Alex e, como disse, “a MTM surgiu originalmente da agenda de investigação pós-keynesiana e grande parte do seu modelo económico subjacente é ainda muito pós-keynesiano na sua estrutura”. Portanto, minha crítica da MTM também se aplica ao PK .

Alex faz depois uma declaração interessante. “Numa economia capitalista, a produção realiza-se com fins de lucro e não de uso. Como tal, o valor geralmente é medido utilizando a convenção social da contabilidade. A produção ocorre antecipando-se aos fluxos de dinheiro, tal como o investimento e o consumo. A partir deste ponto de vista, as coisas valem o seu valor contabilístico, mais ou menos, e os actores económicos actual na base destes valores contabilísticos. O que pensam os pós-keynesianos é que isto representa um bom ponto de partida para a teorização económica, para utilizar as quantidades que utilizam os próprios actores”.

O que significa isto? Alex parece adoptar o ponto básico da lei do valor de Marx: a saber, que a produção capitalista tem o lucro como finalidade, não a utilização social. E deveríamos medir o valor em termos monetários como fazem os capitalistas. Isso soa prometedor. Mas a seguir Alex passa directamente a falar de fluxos de dinheiro e de investimento e consumo. Não se menciona mais o papel do lucro, depois de nos haver dito que a produção capitalista tem o lucro como finalidade, não o investimento ou o consumo. Na minha opinião isto é típico dos seguidores do PK. Muito rapidamente prescindem do lucro nas suas explicações teóricas, como veremos mais adiante.

Tendo prescindido do papel dos lucros, Alex nos diz que, em contrapartida, deveríamos considerar as economias modernas a partir de uma “visão da economia no seu conjunto baseada no balanço. Os actores individuais têm activos e passivos, rendimentos e gastos. O activo de alguém é a responsabilidade de outro e vice-versa. Tudo está inter-relacionado mediante o uso destas convenções”.

Assim passamos do motor subjacente da economia capitalista: o lucro e o que acontece com os lucros e a rentabilidade para “estudar o fluxo de pagamentos e a acumulação de activos, não a distribuição de recursos escassos para suas finalidades mais eficientes. Um dos principais benefícios desta abordagem é que descarta alguns resultados impossíveis: nem todos podem ter um superávite comercial, se há um défice comercial, ou o sector privado ou o sector público têm que incidir num défice para financiá-lo”.

Desse modo somos reduzidos rapidamente a macro-identidades ao analisar economias, isto é, Rendimento = Despesa; défices e superávites dos sectores público e privado; balanças comerciais, etc. Mas nada sobre o lucro ou as origens dos lucros.

“Nosso princípio seguinte é que tudo é expectativa”. Alex nos diz que um princípio chave do PK é analisar as “expectativas”. “As expectativas informam as acções e estas acções, por sua vez, criam realidade. Talvez o modelo mais simples do ciclo causal keynesiano seja dizer que a procura esperada impulsiona o investimento, o investimento impulsiona o emprego, o emprego impulsiona os salários, os salários impulsionam o consumo, o consumo impulsiona a procura e a procura valida o investimento. A procura esperada impulsiona o investimento, porque as empresas só investem em capacidade adicional ou em contratar mais trabalhadores quando pensam que mais pessoas desejarão comprar seu produto no futuro do que no momento presente. Se esperassem a mesma procura, ou menos, não haveria de todo necessidade de investir. Poderiam continuar a utilizar o mesmo equipamento”.

Assim, estamos nisto. O investimento sob o capitalismo não é de todo impulsionado pelo lucro ou pela rentabilidade, mas sim pelas “expectativas” – e nem sequer pelo lucro futuro e sim pela “procura esperada”. Isto impulsiona o investimento que, por sua vez, gera emprego e salários.

Mas será esta a sequência causal na produção e acumulação capitalistas? Em muitas publicações anteriores destaquei as macro-equação chave nas identidades pós-keynesianas . Ei-las aqui, mais uma vez.

Rendimento Nacional = Despesa Nacional
Rendimento Nacional = Lucros + Salários
Despesa Nacional = Investimento + Consumo.
Assim, Lucros + Salários = Investimento + Consumo

Se assumirmos que os trabalhadores gastam todo o seu salário em consumo e os capitalistas investem todos os seus lucros, obtemos:

Lucros = Investimento

Segundo a teoria PK, é o investimento que gera os lucros, não o invés. E a “procura esperada” impulsiona o investimento (diz Alex) e o investimento impulsiona os salários e os lucros.

Ou como disse Michel Kalecki, cuja equação é esta : “os trabalhadores gastam (Consumo) o que recebem (Salários); e os capitalistas recebem (Lucros) o que gastam (Investimento)”.

Na minha opinião, esta é uma visão manifestamente errónea sobre a economia capitalista. Em vez de o investimento impulsionar os lucros como foi indicado anteriormente, a realidade é que os lucros impulsionam o investimento. Portanto, o investimento capitalistas não é o resultado do nível de “procurada esperada”, ou de uma visão psicológica completamente subjectiva dos investidores que têm o que Keynes chamou “espíritos animais”, e sim o resultado de uma medida objectiva da rentabilidade prévia (e provável) do investimento. Mas tal como Keynes, a PK não quer por os lucros na frente e sim reduzi-los a uma consequência do investimento (ou, na realidade, ocultá-los completamente da análise). Para mais informação, leia o excelente capítulo 3 de José Tapia em World in Crisis .

Alex refere-se ao trabalho de Hyman Minsky, um teórico PK que em grande medida se baseou nas “expectativas” para explicar as decisões de investimento. “Hyman Minsky fala disto extensamente: se acredita que o preço de um activo será disparado, comece a comprá-lo para obter lucros. Pode inclusive pedir dinheiro emprestado e usá-lo para comprar mais. A medida que aumenta o preço, também aumenta a quantidade contra a qual pode pedir emprestado e o preço começa a voar. Todo o episódio do Gamestop do mês passado foi uma versão disto que utilizou opções de compra (call options) ao invés de empréstimos de margem, mas o princípio é semelhante. O problema para Minsky surge quando se cortam os empréstimos: não há nada que sustente os preços e tudo desmorona. Por vezes, a operação de expectativas extremas pode criar loucura nos mercados financeiros que podem ter consequências terríveis para a economia em geral”.

Então, segundo Alex (e Minsky), as “expectativas extremas” criam uma “loucura nos mercados financeiros” que faz com que toda a economia desmorone como no colapso financeiro global de 2008. Mas por que tudo desmorona depois de ter ido tão bem, graças às “expectativas extremas”? Mas a resposta só coloca a pergunta de por que as expectativas são boas num momento e a seguir “extremas” em outro? O que as torna extremas?

Sem dúvida, os minkistas citarão a famosa frase de Minsky de que “a estabilidade gera instabilidade” . Mas mais uma vez, está é apenas um frase inteligente para cobrir o facto de que a teoria PK não tem uma teoria das crises financeiras, excepto que ocorrem quando as coisas se põem “extremas”.

Na minha opinião, a teoria económica marxista tem uma resposta. Baseia-se numa visão objectiva das leis do movimento sob o capitalismo, em concreto as mudanças na rentabilidade do capital produtivo (gerador de valor). Se a rentabilidade for baixa nos sectores produtivos, os capitalistas tentam contrapor-se a isto de várias formas, uma das quais é investir no que Marx chamou de capital fictício. Mas os lucros financeiros ainda dependem da rentabilidade dos sectores produtivos e se a rentabilidade cair até o ponto em que caia a massa de lucros ou o novo valor (salários e lucros), produz-se uma crise no sector produtivo que se estende ao sector financeiro. Eu e outros académicos marxistas temos proporcionado muita evidência empírica para explicar as recessões e, em particular, o colapso financeiro mundial e a consequente Grande Recessão, não como um “momento Minsky” no qual a estabilidade financeira converte-se repentinamente em instabilidade e sim como um “momento Marx”, quando os lucros caem até o ponto em que o valor dos meios de produção e o trabalho devem desvalorizar-se, incluídos os activos fictícios.

De facto, como demonstrou G. Carchedi (ver gráfico), quando tanto os lucros financeiros como os lucros do sector produtivo começam a cair, produz-se uma recessão económica. Essa é a evidência das recessões do pós-guerra nos Estados Unidos. Mas uma crise financeira por si só (medida pela queda dos lucros financeiros) não conduz a uma recessão se os lucros do sector produtivo continuarem a aumentar . Ver Carchedi, pgs. 59-62, Capítulo 2 de World in Crisis .

Gráfico 1.

Apesar disso, Alex continua a defender a opinião PK de que “a procura cria oferta, impulsionando o investimento. Assim, o investimento cria tanto as poupanças como o capital social, ao passo que o capital social, por sua vez, cria recursos”. Novamente, não há explicação de porque a procura desacelera ou cai, o que leva a um colapso do investimento. “O consumo não é poupança, impulsiona o investimento e ajuda a sociedade a preparar-se para o futuro”, diz Alex. Mas a evidência empírica é exactamente o contrário. Em quase todas as recessões nos EUA desde 1945 foi o investimento que afundou antes, ao passo que o consumo apenas diminuiu. E, de maneira decisiva, são os lucros que levam o investimento a afundar e a sair do fundo, não o inverso.

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Alex cita: “Na Teoria geral Keynes menciona, como é bem sabido, a ‘Fábula das abelhas’. Resumindo rapidamente, a fábula conta a história de uma comunidade que proíbe o luxo e fica muito mais pobre quando todos os que costumavam trabalhar na produção de luxo ficam sem trabalho”. Este é o argumento absurdo apresentado por Keynes e, antes dele, em princípios do século XIX pelo pároco reaccionário Thomas Malthus, de que sem gente rica que gaste havia uma “falta de procura” e as economias entrariam em depressão. Trata-se de palavras tranquilizadoras para os ouvidos dos multimilionários que possuem as FAANG [NT] (além de serem empiricamente incorrectas, pois muitos estudos mostram que os ricos tendem a poupar mais que os pobres, como o fizeram durante a crise do COVID).

Segundo Alex, o equívoco das teorias alternativas da crise é que assumem que o investimento deve provir da poupança, pelo que o consumo deve ser reduzido para permitir o investimento. “Na versão ricardiana, que ainda hoje utilizam os marxistas e austríacos, o principal fundo de investimento é a poupança. A suposição é que a economia tem uma capacidade máxima de poupança e que poupa tudo o que não consome num período determinado. Para investir, as poupanças devem vir primeiro, pelo que ipso facto deve reduzir-se o consumo a fim de aumentar o investimento”.

Alex acredita que Keynes destroçou este ponto de vista com a sua ideia do paradoxo da poupança. “Se todos tentarem aumentar a sua taxa de poupança, isso significa que estão reduzindo a sua taxa de consumo. Se a sua taxa de consumo diminui, os rendimentos das pessoas que vendem coisas para consumir diminuem. O problema é que a produção total está determinada pelo consumo e pelo investimento. Se o investimento se mantém constante e o consumo cai, a produção total cai. A taxa de poupança aumenta, mas só porque agora todos estão a poupar a mesma quantidade em termos dólares com um rendimento mais baixo em dólares”.

Como diz Alex, o PK de Kalecki “examina a mesma ideia do lado da empresa, ao invés do lado da família. Se os empregadores minimizam os custos ao minimizar salários no seu conjunto, acabam por canibalizar a base de consumo da economia como um todo, o que afecta os lucros. Se se for pelo outro lado e deixar os salários aumentarem, as taxas de lucro aumentam ao mesmo tempo.

Aqui há duas coisas. Pode ser que a escola austríaca acredite que as poupanças são necessárias para o investimento, mas não a teoria económica marxista. Não são as “poupanças” que são requeridas para o investimento e sim os lucros ou as poupanças capitalistas. Não se requer a poupança das famílias para iniciar o processo de acumulação capitalista. O que se segue é que as poupanças conduzem ao investimento que por sua vez conduz ao emprego, rendimentos e finalmente ao consumo – o contrário da visão PK. Qual é a correcta? Já citei a evidência.

De facto, não existe tanto um “paradoxo da frugalidade” no estilo keynesiano em um “paradoxo da rentabilidade” , ou seja, à medida que os capitalistas se esforçam por aumentar a sua rentabilidade individual através de investimentos em meios de produção e livrar-se mão-de-obra, na realidade reduzem a rentabilidade global da economia capitalista e finalmente provocam uma crise.

O segundo ponto é que a teoria de Kalecki conduz a uma visão eclética da crise. Por vezes elas são “impulsionadas pelos salários”, ou seja, os salários e o consumo são demasiado baixos para sustentar o crescimento. E por vezes elas são “impulsionadas pelos lucros”, ou seja, os salários são demasiado altos e os lucros demasiado baixos para sustentar o crescimento. Mas nem uma nem outra deverão encontrar-se. Não existe uma teoria coerente das causas das crises regulares e recorrentes a cada 8-10 anos; por vezes é uma coisa e por vezes a outra.

Isso me leva às conclusões de política económica do PK, segundo Alex. Ele não vê a necessidade de acabar com o sistema de mercado de produção e investimento. Em contrapartida, a tarefa do estado é regular e neutralizar as falhas e desigualdades da economia capitalista. Como diz Alex, “isto é um desenvolvimento da posição de John Kenneth Galbraith, de que o estado está destinado a ser um ‘poder compensatório’ das empresas no mercado. Se aos estados não lhe agrada o impacto social da forma como os actores privados governam os mercados, são mais ou menos capazes de intervir e mudar as coisas. É impossível dizer que isto não é legítimo, porque o Estado é um dos muitos actores do mercado, mas tão pouco é particularmente radical dizer que é legítimo”. Sim, naturalmente não é muito radical.

Para Alex e o PK, “um mercado é só uma tecnologia administrativa que concede aos actores um lugar para coordenarem-se. Um preço é só um dos muitos sinais que se obtém num mercado que funcione bem”. O que é isso de um mercado que “funciona bem”? Dificilmente se supõe que isso seja o ponto de vista do PK, não é? Ou talvez seja.

Alex continua a sua explicação lançando no lixo uma teoria de classe para o capitalismo moderno. “A ideia de que existe uma lógica global para todas as estruturas de governação do mercado associada às que se chegou através dos processos anteriores acaba por condenar não só a maioria das análises convencionais, como também a maioria das análises marxistas. Não existe uma “lógica” unificada subjacente do capitalismo, só uma série de estruturas de governo interactivas e em competição. Nenhum comportamento individual ou grupal está realmente de acordo com o comportamento estrutural emergente”.

Alex quer descartar a ideia marxista de que existem estruturas sociais específicas baseadas em diferentes modos de produção e classes baseadas nesses modos e estrutura. Para ele, a teoria económica não é economia política e sim como estabelecer uma “tecnologia administrativa” para fazer com que o capitalismo funcione para todos.

Assim, quando chegamos ao fim da análise teórica também acabamos com a mesma visão pró-capitalista do “keynesianismo bastardo” ou mesmo da teoria económica neoclássica dominante. O objectivo da política económica PK é regular o sistema capitalista e utilizar o estado para “compensar” suas falha a fim de produzir um “mercado que funcione melhor”. Mas até Alex tem de admitir, no fim da sua explicação dos “princípios” do PK, que “nenhum sistema regulatório é realmente definitivo e que o capitalismo nunca é realmente consertado, o objectivo único é passar para o cenário seguinte”. Com efeito.

[NT] FAANG: grupo de empresas constituído por Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google, cinco companhias que dominam o mercado da tecnologia e consideradas como representantes de um novo cenário económico e de novas relações de consumo e comportamento social globalizado.

[*] Economista.

O original encontra-se em

thenextrecession.wordpress.com/2021/04/26/post-keynesianism-the-principles/

e a versão em castelhano em

cubayeconomia.blogspot.com/2021/05/los-principios-del-poskeynesianismo.html

Este artigo encontra-se em https://resistir.info

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