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Internacional

Postado em 13/02/2021 10:28

Os 42 anos da Revolução Iraniana são um triunfo da luta anti-imperialismo mundial

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Ha 42 anos, num 11 de fevereiro, triunfava a Revolução Islâmica do Irã, marcada por uma impressionante insurreição popular que, a partir das mesquitas, centros de trabalho, universidades, atendeu à convocação do líder Aiatola Khomeyni para derrubar a mais sanguinária ditadura da região, obrigando seu dirigente, o Xa Reza Pahlevi,  a fugir do país dirigente no próprio avião presidencial, em direção à Inglaterra, pais que rapinava o petróleo iraniano e apoiava todas as atrocidades da Savak, serviço de espionagem e repressão política montado pelos próprios ingleses, que , mesmo assim, pretendem ser reconhecidos como  democratas.

O avião presidencial pilotado pelo Xa zarpou para Londres carregado de ouro do tesouro público iraniano, e, lá chegando, o governo inglês decretou o congelamento das reservas financeiras iranianas nos bancos locais, estimadas em 100 bilhões de dólares, mantidas, ilegalmente, até hoje, indicando bem a cumplicidade inglesa com aquela monarquia persa. Aliás, foi por meio de um golpe de Estado, organizado pela CIA, que derrubou o governo do presidente nacionalista Mossadeg, em 1953, que Reza Pahlevi chega ao poder para garantir o fornecimento de petróleo a preços negativos aos EUA e à Ingleterra.

Após 42 anos de Revolução, sustentada por uma unidade popular que resiste a todos os ataques terroristas, sanções econômicas e bloqueios financeiros, ameaças e assassinatos seletivos de cientistas nucleares e de militares representativos da capacidade de defesa iraniana, como o General Suleimani, o Irã é hoje um outro país. Já não há mais um técnico ou uma empresa inglesa na indústria petroleira iraniana, totalmente, nacionalizada, e com uma tecnologia de altíssimo calibre, capaz de satisfazer suas necessidades e, além disso, abastecer países cooperantes, como a China e a Venezuela, neste caso de modo extraordinário, em razão das sanções sofridas pela nação bolivariana da parte do imperialismo dos EUA. Aliás, a chegada de navios iranianos à Venezuela, com combustível solidário, representou, em 2020, uma monumental derrota política dos EUA, passivos ante a decisão persa, que, obviamente, conta com o apoio da Rússia e da China.

O desenvolvimento tecnológico iraniano talvez seja uma das marcas fundamentais conquistadas pela Revolução Iraniana, e com méritos próprios. Logo no início da Revolução, os EUA manipulou o governo do Iraque, então presidido por Sadam Houssein, lançando-o a uma guerra de 8 anos contra o Irã, cujo objetivo claro era o de debilitar os dois países, facilitando uma agressão futura, e, com isso, favorecendo as posições geopolíticas de Israel na região. Em 8 anos de guerra, o Irã armou sua população, inclusive seu contingente feminino, com elevada participação no processo revolucionário e nas instituições mais importantes do país, e convocou seus cientistas e técnicos para um desenvolvmento autônomo de tecnologias de defesa, que faz o Irã hoje ser respeitado na região, além de alcançar uma capacidade de prestar solidariedade aos países agredidos pelo imperialismo ianque e o sionismo, este dependente econômica e militarmente daquele.

Hoje, tanto a Síria como a Palestina, o movimento nacionalista do Líbano, bem como o movimento de libertação do Iêmen recebem ajuda concreta, militar, econômica e política da Revolução Iraniana. Vale recordar que, desde sua chegada ao poder revolucionário, em Teerã, Aiatola Khomeyini decretou, oficialmente, o Dia da Solidariedade Palestina. A partir da avaliação, realista, de que a opressão sionista sobre a Nação Palestina é um projeto da tirania financeira internacional, aliás, desde a criação artificial do Estado de Israel, como um instrumento permanente de agressão e intervenção militar imperial na região.

Simbólico deste salto tecnológico iraniano durante os 42 anos de Revolução e o fato do Irã ser hoje um dos poucos países que podem frequentar, com tecnologia genuinamente nacional, o seleto grupo de nações que realizam voos espaciais, sendo que, o Irã, já realizou a proeza de, mesmo agredido, sancionado, alcançar a capacidade de lançar naves tripuladas ao espaço sideral, sendo um dos cosmonautas uma mulher. Além disso, diante de sua relevante projeção internacional, o Irã realiza, em cooperação com a China e a Rússia, produtivas experiências de integração econômica e comercial de largo prazo, incluindo, num importante golpe ao funcionamento do capitalismo mundial, a prática de acordos trilaterais sem o uso da moeda dolar.

Assim, ante todas aos ataques e ameaças dos EUA, práticas totalmente ilegais, e frente às agressões terroristas de Israel, a Revolução Iraniana segue intacta e avança, com um país  registrando elevação econômica e tecnológica, com presença cada vez mais robusta no cenário internacional, onde se faz respeitar de tal forma que  obriga o imperialismo norte-americano a revisar, constantemente, seus planos e a adaptar-se ao crescente poderio nacional da nação  persa, sem condição para impedir, por exemplo,  o desenvolvimento da sua tecnologia nuclear.

Portanto, os 42 anos de vida da Revolução Iraniana são, por si só,  42 anos de derrotas para os EUA e seu representante na região, Israel, obrigados a admitir o fortalecimento da presença geopolítica iraniana em solidariedade aos países agredidos pelo sionismo, que já não pode mais repetir a ocupação militar do Líbano, como ficou provado, em 2005, quando as tropas ocupantes israelenses foram enxotadas, em 35 dias, pelos nacionalistas árabes libaneses, hoje muito mais bem armados, organizados e preparados para defenderem-se  de agressões de Tel Aviv, conforme admitem graduados chefes militares deste mesmo país.

Aliás, os nacionalistas libaneses possuem uma televisão internacional em vários idiomas, que não saiu do ar mesmo quando Israel bombardeou Beirute, da mesma forma que o Irã também possui sua própria televisão internacional, em vários idiomas, realizando um jornalismo construtivo para o multilateralismo e a cooperação entre as nações, filosofias de comunicação humanifestas e libertadoras, que também se verificam no fecundo cinema iraniano, muito respeitado mundialmente.

(*) Beto Almeida é jornalista

 

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