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segunda-feira, 18 maio 2026

Obrigado Cuba, até breve!

Por Luis Onofa

Em algum lugar de Cuba, certamente com as honras que convêm aos heróis da solidariedade internacional que caracteriza seu país e com o carinho de suas famílias, repousam os restos mortais de Bárbara Cruz Ruiz, Leonardo Ortiz Estrada e Eric Omar Pérez de Alejo, membros da brigada médica cubana, que morreram no terremoto que atingiu a província equatoriana de Manabí em abril de 2016. Seus nomes não foram mais mencionados no Equador.

Pelo contrário, a presença do que antes era um contingente de quase mil médicos e profissionais de saúde da ilha caribenha neste país sul-americano era constantemente atacada pelos adversários da Revolução Cubana, políticos e meios de comunicação, com a intenção de desacreditar os programas de cooperação com o Equador e, com a miséria que os caracteriza, acabar com eles, sem considerar que, com essa miséria, prejudicavam as camadas mais pobres da população.

E eles conseguiram. Três anos depois, em 2019, o governo de Lenin Moreno, sob a liderança de sua Ministra do Interior, María Paula Romo, encerrou unilateralmente o acordo de cooperação na área da saúde com Cuba, e as brigadas médicas deixaram o país, alegando que o programa facilitava a interferência cubana na política interna do Equador. Nunca provaram isso, mas o programa chegou ao fim.


O governo de Daniel Noboa adotou agora uma postura semelhante, rompendo literalmente as relações diplomáticas com Cuba ao expulsar peremptoriamente toda a missão diplomática e retirar o embaixador equatoriano de Havana. Embora isso não tenha sido explicitamente declarado no anúncio oficial da expulsão da delegação cubana, veículos de comunicação alinhados ao presidente inundaram as emissoras com a alegação de que a missão diplomática havia interferido na política interna do Equador.

Uma vez que o cenário estava montado, o presidente veio a público para finalizar a estratégia, confirmando que esse era o motivo da expulsão dos diplomatas. Mas, assim como Moreno em 2019, ele não apresentou provas. Não há nenhuma agora, assim como não havia anos atrás, porque se há algo que caracteriza as missões diplomáticas cubanas, é um profundo e cuidadoso respeito pela política interna de um país.
Mas Noboa cumpriu sua tarefa antes do encontro entre alguns líderes da região e Donald Trump em Miami, de formar um bloco regional que busca construir um muro para deter o avanço da China, a nova potência global, e da Rússia nas economias e na geopolítica da região, embora oficialmente se alegue que o verdadeiro objetivo seja combater o narcotráfico, o narcoterrorismo e a imigração ilegal. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, cujo país deveria ter sido o primeiro convidado, se os verdadeiros objetivos fossem o combate ao narcotráfico, previu uma vida insignificante para esse bloco, devido à escassa representação dos governantes que compareceram à reunião.

Mas, seja qual for o destino da coalizão de Miami, essa estratégia é desnecessária para o Equador. A intervenção militar dos EUA, implícita na mente de Washington, já está em curso nesta nação sul-americana, sem esse acordo e contrária à sua Constituição vigente, sem produzir resultados positivos, assim como aconteceu na Colômbia com o Plano Colômbia. A intervenção militar e de inteligência dos EUA para neutralizar o narcotráfico tem se intensificado constantemente desde o governo de Lenin Moreno (2017-2021), quando a direita assumiu o poder.

No entanto, a insegurança no Equador cresceu a tal ponto que o coloca entre os países mais inseguros e violentos do mundo. Os motivos? Pobreza, marginalização, falta de empregos dignos e a negligência do Estado em cumprir suas responsabilidades de fornecer educação e serviços de saúde eficientes criam as condições para o florescimento do crime organizado. Esse flagelo sequer foi abordado, muito menos combatido, por qualquer um dos governos de direita que estiveram no poder no país desde 2017.
Essa é uma razão que muitos analistas citam publicamente quase diariamente, mas Noboa a ignora porque sua prioridade é alocar recursos estatais para o pagamento da dívida pública externa, argumentando que essa estratégia gerará confiança entre os investidores estrangeiros, que, por sua vez, trarão seu capital. Mas o capital não está vindo.

O que sempre se fez presente, com a generosidade que seus recursos limitados permitem, foi a solidariedade cubana. Milhares de jovens, principalmente de origem humilde, formaram-se em medicina na Escola Latino-Americana de Medicina, na ilha caribenha, e trabalham por todo o país com uma ética de serviço à comunidade que contrasta fortemente com a abordagem rentista utilizada na formação de médicos em universidades privadas.

Essa é a “interferência” cubana nos assuntos internos do Equador: curar os doentes, salvar vidas. A “intervenção” cubana no setor da saúde também se estendeu à Missão de Solidariedade Manuela Espejo, que prestava assistência a pessoas com deficiência e obteve tanto sucesso no país que Lenin Moreno ganhou prestígio imerecido. Cuba contribuiu com sua expertise para a concepção e implementação do plano, mas nunca reivindicou qualquer reconhecimento por suas conquistas.

A “intervenção” cubana também alcançou outros campos, como as artes e o esporte, nos quais contribuiu para a formação de figuras que se destacaram internacionalmente.

Obrigado, Cuba. Até breve, não para sempre, porque mais cedo ou mais tarde, os povos do Equador e de Cuba se reencontrarão num abraço de solidariedade.

*Luís Onofa

Jornalista. Mestrado em Comunicação Social, Universidad Andina Simón Bolívar, Equador. Bacharel em Ciências da Informação pela Universidade Central do Equador. Produtor e apresentador do programa de opinião La Oreja Libertaria, produzido pelo Colectivo Espejo Libertario, na Rádio Pichincha, Quito. Correspondente da Agência Estatal Mexicana de Notícias, Notimex. Escritor e coeditor da edição de fim de semana do Diario HOY.

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