Victor chega em Paris em maio de 1968. No outro dia, portando capacete de moto, já faz parte do comando de ocupação da Casa do Estudante do Brasil, erguendo barricadas na Maison du Brésil da Cité Universitaire. Mas só o conheci três anos depois na CIMADE – a Ong que ajudava exilados. Quem nos apresentou foi a baiana Irecê da Silva, a Madame da Silvá. Victor cursava pós-graduação no IRFED – Institut de Formation et de Recherches em vue du Développement. Seguindo seus passos, concorri com êxito à bolsa para o mesmo curso no ano seguinte.
Efetivamente foi lá, nos arquivos localizados em um antigo armazém de cacau na área portuária de Amsterdã, que encontrei o jornal “A Lucta Social” editado em Manaus, em 1914, pelo tipógrafo anarquista Tércio Miranda. Esse foi o nome que demos ao jornal do PT do Amazonas que, em sua segunda fase (1979-1984), teve sete edições microfilmadas pela Fundação Perseu Abramo. Mantivemos a grafia nas seis primeiras para registrar que a lucta era antiga.
O interesse pela temática indígena nos reuniu algumas vezes com amigos comuns: o cineasta Sérgio Bernardes e o indigenista Ezequias Heringer Filho, o Xará. Na época, Victor me convidou para fazer parte do Conselho Editorial da Revista de Estudos Amazônicos Terra das Águas da UnB, coordenada por Kelerson Semerene Costa, cujo primeiro número, de 1999, abre com o artigo de minha autoria A descoberta do museu pelos índios.