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domingo, 14 julho, 2024

O que está por trás da onda de violência no Equador?

Quito, 10 de janeiro (Prensa Latina) O Equador está hoje no meio de um “conflito armado interno” e de um “estado de exceção” declarado como resultado de uma onda de violência incomum ligada ao tráfico de drogas e à ineficiência do Estado, analistas dizer.

El presidente ecuatoriano, Daniel Noboa, ordenó a las Fuerzas Armadas restablecer el orden en las calles, después de hechos violentos en varias ciudades y tras la irrupción de criminales en el canal TC Televisión, en Guayaquil, donde tomaron como rehenes al personal durante una transmisión em direto.

Esta é a primeira crise enfrentada pelo jovem presidente, que assumiu o poder há menos de dois meses com a promessa de atacar com mão pesada grupos ligados ao tráfico de droga e esta terça-feira classificou cerca de vinte destas organizações como “terroristas”.

O chefe do executivo descreveu o ataque como uma retaliação pelas suas ações para “recuperar o controlo oficial” das prisões e avisou que não negociará com “terroristas”.

O Equador terminou 2023 como o país mais violento da América Latina, com mais de 7.800 mortes violentas, um número inédito que contrasta com a diminuição dos crimes até 2017.

Este número é o resultado de como a partir daquele momento o tecido social foi negligenciado e a brecha foi deixada aberta aos grupos criminosos, que atualmente ocupam espaços onde o Estado não chega.

Para Jorge Paladines, professor da Universidade Central do Equador, a violência sistemática que vive esta nação sul-americana é produto de um processo de desestruturação deliberada do Estado de Direito devido às políticas implementadas nos últimos três governos do país.

As medidas decretadas sempre que há aumento da violência são estados de exceção para justificar legalmente a participação dos militares no controle de segurança, porém, são consideradas ineficientes.

Luis Córdova, também acadêmico da Universidade Central, destacou que a militarização das ruas é insuficiente e é preciso expurgar as instituições, porque dentro do Estado “há uma lacuna por onde entra e sai a informação das quadrilhas criminosas”.

Também é essencial uma abordagem de política pública, não num Plano Phoenix como o proposto por Noboa, para o qual não há clareza quanto aos seus objetivos, meios ou alcance, observou Córdova.

Por sua vez, o ex-vice-chanceler equatoriano Kintto Lucas considerou que além da violência real, “o caos é muito preconcebido, preparado pela inteligência para justificar e vencer uma consulta que consolide um modelo neoliberal no econômico, fascista no político, contra a integração e submisso internacionalmente.

Aliás, o embaixador dos Estados Unidos, Michel Fitzpatrick, foi visto a entrar no Palácio Carondelet, sede do Executivo, esta terça-feira, pouco antes do início da reunião do gabinete de segurança.

Entretanto, o subsecretário para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, Brian Nichols, declarou que estão “prontos para prestar assistência ao governo equatoriano”.

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