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terça-feira, 21 abril 2026

 O nascimento da esperança no Brasil presencial ou virtual

Pedro Pinho*

Há 143 anos nascia em São Borja, município fronteiriço com a Argentina, no Rio Grande do Sul, Getúlio Dornelles Vargas, filho de Cândida Francisca Dornelles Vargas e de Manuel do Nascimento Vargas.  Antecedia, por quase um mês, a libertação dos escravos pela Princesa Isabel, e por pouco mais de ano e meio a Proclamação da República.

O escritor inglês Herbert George Wells (H.G.Wells) só publicaria seu romance de ficção científica, passado num mundo virtual, “A Máquina do Tempo”, quando Getúlio já completara 13 anos, portanto não há que falar em virtualidade na formação de Getúlio, tudo foi sempre muito presencial. Este contato com pessoas foi fundamental para que Getúlio ganhasse a compreensão da injustiça, das diferenças e viesse a propor, não um afago, uma bolsa família, mais a solução definitiva para o problema da exclusão e para o desenvolvimento integrado do Brasil.

Fez então inimigos que não hesitaram em fraudar, mentir, corromper e subornar para destruir Getúlio e a Era Vargas. O denominado “crime da rua Tonelero”, na madrugada de 5 de agosto de 1954, em Copacabana, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, que impulsionou as forças contra o Brasil, teve tudo isso: fraude, mentira, corrupção e suborno. Pergunte onde está a bala que supostamente atingiu o repórter Carlos Lacerda? Que médico o engessou? E ficará sem respostas.

Muito provavelmente, o assassino do major da aeronáutica Rubens Florentino Vaz, que se fazia segurança para Carlos Lacerda, jamais sentou no banco dos réus. O espetáculo não era para isso. Era para alcançar Getúlio Vargas, cujo amor à Pátria e ao seu povo fê-lo se imolar em seu altar, presencialmente, no dia 24 daquele mesmo mês de agosto.

Eu já completara 10 anos à época destes acontecimentos, embora criança sentia, mais do que compreendia, que não se trilhava o caminho da esperança, da ordem e do progresso, da soberania brasileira. E até hoje o aguardo. E vejo o quanto nos afastamos quando as pessoas até mesmo deixaram de serem presenças indispensáveis.

Há um chiste que bem retrata o momento que vivemos. João conheceu Maria no Facebook. Namoraram pelo WhatsApp. Casaram por procuração e esperam ter um filho virtual. Jamais estiveram presencialmente juntos e não consideram ser necessário. O fim da espécie humana está próximo.

ROMPENDO AS AMARRAS

“Esão todos dormindo

Estão todos deitados

Dormindo

Profundamente”

(Manuel Bandeira, do “Libertinagem” (1930), “Profundamente”).

O brasileiro precisa aparecer, assumir presencialmente, lutar pelo seu destino, ou se entregará dormindo ao virtual, alienando-se de si mesmo.

O nascimento de Getúlio Vargas pode ser o clarim para você acordar, levantar, lutar por si mesmo e pelo Brasil.

Em 1942, o então capitão Severino Sombra de Albuquerque, que no ano anterior constituíra, em sessão solene do Clube Militar, o Instituto de Geografia e História Militar do Brasil com oficiais intelectuais da marinha e do exército, publica uma antologia de discursos de Getúlio Vargas.

Escreve Severino Sombra no Prólogo: “A obra político-administrativa do Presidente Getúlio Vargas já fixou um quadro histórico da evolução nacional. Ao observador de hoje, seja qual for o seu ponto de vista ideológico, o setor de sua curiosidade intelectual ou seu objetivo de pesquisa sociográfica, o governo getuliano apresenta, não apenas intenções ou programas, de asserto a discutir e efeito a conjeturar, mas realizações alinhadas para exame, criações incorporadas à dinâmica da civilização brasileira – não atos que, por inexistentes, precisam ser admitidos, mas que podem ser julgados porque são reais. Constituem um fato nacional”.

Expõe o capitão a materialidade de um governo pelas palavras do próprio Presidente, organizadas pelos temas mais candentes: Política Interna, Política Externa, Política Econômica, Política Social, Política Militar, Política Demográfica e Política Cultural. Nada de sonhos e virtualidades, políticas que conduzissem à ação concreta como a extraída do discurso de Getúlio, proferido em 2 de janeiro de 1930, sobre a Plataforma da Aliança Liberal: “Nenhuma política financeira poderá vingar sem a coexistência paralela da política de desenvolvimento econômico”.

Veja o caro leitor o absurdo da Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021, que estabeleceu a autonomia do Banco Central, assinada pelo então presidente Jair Messias Bolsonaro, pelo Ministro Paulo Guedes e pelo diretamente interessado Roberto de Oliveira Campos Neto. Fica pois o Brasil como biruta de aeroporto, oscilando para todos os lados e, obviamente, não sabendo para onde ir.

Nenhum projeto mais consistente, para que se tivesse um governo de corrupção, não apenas no poder executivo, mas em todos demais. A falta de rumo, coerente, estabelecido como obra do povo, participativa “cuja órbita não podia circunscrever-se a dos partidos ou facções políticas, mas ao esforço popular e coletivo”.

Estamos no dia 19 de abril. Governos fracos, antinacionais, venais, envergonhados da própria nacionalidade, trouxeram o neoliberalismo financeiro para o Brasil, encoberto pela indefinível “redemocratização”. Se não estivessem se referindo ao Governo Vargas, por que tanto esforço, tantas ardilosidades, firulas jurídicas, para não entregar o Brasil ao seu único sucessor político vivo: Leonel de Moura Brizola?

Que haja um mínimo de pudor e vergonha e não se diga que o povo não queria. Quem viveu aqueles dias da década de 1980, verificou que o nome Brizola seria o eleito em pleito direto e tratou-se de postergá-lo. Depois uniram-se da extrema direita à extrema esquerda e os pretensos apolíticos e sindicalistas para retirar votos de Brizola. Não foi suficiente. Então foi-se para o extremo do apagão e consequente alteração nos votos em Minas Gerais. E tudo apenas para que o nacional trabalhismo, a soberania brasileira, cultivada até a morte por Vargas não ressurgisse com Brizola.

E, passados 35 anos, o Brasil chafurda na mentira, revolve-se no lamaçal do crime, macula o que toca, pratica torpezas e nem sustenta com hombridade seu próprio ato de 8 de janeiro de 2023.

Rompam-se as amarras com este passado recente! Reerga-se a Era Vargas!

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, do Conselho Editorial do Grupo Pátria Latina.

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