Acusação: Joyce Rice
Por Ângela Carrato, no site Viomundo :
A grossa corrupção no liquidado banco Master e seus parceiros sumiu do foco dos jornais, que estão usando o assunto para atacar o STF.
Ao invés de revelar para o público todo o esquema utilizado pelos salafrários como o tal ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sua patota de ladrões do dinheiro de aposentados e pensionistas, os jornalistas e colunistas amestrados estas publicações estão fazendo de tudo para provocar uma crise no STF, com o objetivo de desestabilizar um Poder que tem sido crucial neste momento tão desafiador em que vivemos.
Umbilicalmente ligados aos interesses da classe dominante (Faria Lima, golpistas e entreguistas) estes jornais e seus “profissionais” acreditam que, ao desestabilizar o STF, atingirão, por tabela, o governo Lula.
Como assim? Podem informar alguns.
A turma do “andar de cima” não desiste de tentar inviabilizar um novo mandato para Lula e vê neste caso uma oportunidade, apesar da roubalheira ser toda dela e da sua turma.
Como no escândalo do INSS, que começou com Temer, ampliou-se com Bolsonaro e só foi estancado pelo governo Lula, com o Mestre se deu algo parecido.
Foi o Banco Central independente, presidido pelo neoliberal Roberto Campos Neto que, ao praticamente não fiscalizar o setor e possibilitar que instituições e fintechs atuassem sem regulação, redundou neste rombo de mais de R$ 30 bilhões.
Rombo que deve ampliar-se mais ainda, na medida em que as investigações avançam e os esquemas dos crimes vêm à tona.
Foi o presidente do BC indicado por Lula, Gabriel Galípolo, que decretou a falência extrajudicial do Master e, na última semana, também da fintech Will. E as liquidações não devem parar por aí.
O depoimento de Vorcaro, que a mídia “profissional” trata com deferência, é um escárnio.
Com todas as letras ele disse que fez o que fez, porque sabia que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) bancário o prejuízo de quem aplicou até R$ 250 mil.
Detalhe: o FGC é banido pelos bancos privados, pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal. Vale dizer: também pelos impostos que todos nós pagamos.
Se uma mídia “profissional” queria fazer jornalismo, o que não é e nunca foi o caso, era para estar detalhando toda a corrupção desta turma e de seus parceiros.
Um título de sugestão, por que esta mídia não procura mostrar as relações de Vorcaro com os políticos do Centrão e da extrema-direita?
Por que não vai fundo na sua ligação com a Igreja da Lagoinha, cuja sede é em Belo Horizonte?
Sem nenhuma explicação, os fundos de pensão dos governos do Rio de Janeiro e do Amapá aplicaram-se no Master.
Os gestores ligados ao governador de extrema-direita do Rio, Cláudio Castro, já foram alvo de busca e compreensão. E devem ser presos. O mesmo deve acontecer com o fundo do Amapá, cujo governador e amigo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Por que a mídia “profissional” não vasculha isso?
Por que não vasculha as razões que levaram o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, a proporção que o FGC passou a cobrir R$ 1 milhão aos investidores? Isso às vésperas da liquidação do Master!
Por que não mostra que o neoliberalismo do BC “independente” foi o responsável por esse rombo?
Não seria um bom momento para passarmos a jornalista esse absurdo que é a independência do BC? Independência do governo, mas com rabo preso no mercado.
Por que a mídia “profissional” não faz jornalismo e apura as nada republicanas relações do BRB, do governador do Distrito Federal, Ibanez, com o corrupto Vorcaro?
Ambos se encontraram quatro vezes e Ibanez disse que “nunca” trataram da compra do Master pelo BRB. E fica por isso mesmo?!
Em vez disso, o que a mídia “profissional” está fazendo? Primeiro foi o ministro Alexandre de Moraes, para que sua esposa tivesse um contrato com o banco Master.
O contrato que apareceu no celular de Vorcaro não é ilegal. E familiares de Moraes estão longe de serem os únicos a terem contratos no gênero.
Como o cancelamento de Moraes se mostrou inviável, agora a mídia “profissional” vai para cima do outro ministro do STF, Dias Toffoli, que assumiu o caso.
A turma do Vorcaro queria que o assunto fosse para a primeira instância, onde acredita que teria mais chances de se libertar da prisão.
Toffoli bateu o pé e vai ficar com o caso, mesmo diante da tremenda campanha que tenta ligar-lo e à sua família a um resort que teria tido, no passado, financiamento do Master.
O curioso neste processo é que Toffoli virou o Judas em função de dois outros assuntos que a mídia “profissional” faz questão de esconder: ter mandado para a prisão o ex-empresário e dono do jornal Metrópoles, Luis Esteves, por grossa corrupção, além de ter autorizado busca e apreensão na 13° Vara Federal de Curitiba, sede da Operação Lava Jato.
Até hoje a mídia “profissional” e seus jornalistas igualmente “profissionais” não informaram ao público que a Lava Jato foi o maior embuste contra o Brasil e os brasileiros. Tanto que o ex-juiz pau-mandado dos Estados Unidos, Sérgio Moro, continua sendo herói para a família Marinho, proprietária do grupo Globo.
É bom não perder de vista que Moro, aos olhos destes canais, sempre pode ser uma espécie de versão nacional para Juan Guaidó ou Corina Machado, se tiverem oportunidade para tanto.
Não por acaso as edições de hoje (25/1) desta mídia estão coalhadas de editoriais, colunas e notinhas tentando se autoelogiar na cobertura (?!) do caso Master e lançam farpas e pedradas contra o STF.
Não estou fazendo defesa do STF.
O Supremo, como todas as instituições, públicas e privadas, precisa de código de ética. Inclusive a mídia, que no Brasil não envelheceu sem qualquer lei e conseguiu até mesmo acabar com a exigência de diploma em Jornalismo para seus profissionais.
Estou apenas esperando atenção para a canalhice desta mídia, que trata Trump como se fosse um governo normal, que considera a gestão Milei um sucesso, que tem feito de tudo para emplacar a anistia aos golpistas do 8 de Janeiro e que tudo fará para evitar um quarto mandato para Lula.
Não vamos perder de vista que Trump tentou impedir que Bolsonaro fosse julgado e preso, taxou exportações brasileiras e aplicou a lei Magnitsky a Alexandre de Moraes.
Com sua firmeza, Lula conseguiu que tudo fosse revogado, enquanto essa mídia queria porque que Lula se ajoelhasse diante de Trump.
Lembra-se disso?
Pois é. Essa mídia e seus jornalistas amestrados continuam onde sempre serviram. Sempre batendo palmas e abandonando a cauda para o Tio Sam.
Enfraquecer o STF numa conjuntura como a atual faz todo sentido para esta turma. E para Trump também.
* Ângela Carrato é jornalista, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG e membro do Conselho Deliberativo da ABI.