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Colômbia

Postado em 29/07/2021 10:01

O governo colombiano está assustado

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As ‘armas letais’ exibidas por Duque.

Por Aldinever Morantes [*]

O governo está “assustado” porque já se passaram quase três meses e não cessa o dilúvio da indignação nacional.

A sublevação da Colômbia contra o mau governo de Duque mal começou. Um empurrãozinho das imensas multidões e pode cair. Isso é que está a “assustá-lo”. Duque não sabe o que fazer e atua como se houvesse perdido a razão. Por isso está a criminalizar os jovens da Primera Línea, aos quais atribuiu o status de “terroristas”. E, para demonstrá-lo, apresentou à imprensa os primeiros rapazes capturados em rusgas, com todo o seu “arsenal terrorista”: capacetes de operário, protetores de olhos, luvas de trabalho, latas e pedaços de folha de zinco. O protesto mantém-no louco. Estabeleceu preço para as cabeças dos/as líderes das Primeras Líneas, criminalizando de facto o protesto legítimo. Não lhe pareceu suficiente que, na repressão destes últimos meses, o exército e a polícia tenham assassinado mais de uma centena de jovens, sem contar os feridos e os desaparecidos.

Frente às recomendações da CIDH [1] que visitou a Colômbia em meio aos protestos respondeu que para o governo não é obrigação cumprir tais recomendações, desconhecendo abertamente a conclusão do Tribunal Constitucional no sentido de que “os padrões inter-americanos têm caráter vinculante”. E para rematar agora inventaram a estupidez de fechar as fronteiras dos Departamentos para que os povoadores das regiões não se vinculem às mobilizações nacionais contra o governo. O que é isso? Fascismo puro.

Desesperado, pretende distrair a atenção do povo das causas que o lançaram em protestos nas ruas, mas o problema é que o governo é o problema. Os auto-atentados que montaram no Norte de Santander, fronteira com a Venezuela, não servem para nada porque o povo não é tonto. Três ou quatro dias antes já se sabia que isso ia ocorrer. E agora, nas vésperas de uma nova mobilização contra o seu governo em 20 de Julho, dia do grito da nossa independência há 211 anos, Duque resolver prosseguir o seu jogo de enganos detendo pessoas supostamente ligada aos atentados a fim de dar credibilidade ao artifício.

Tenha em conta, senhor Duque, que o assassinato do presidente do Haiti não o deixa isento de salpicaduras, porque em companhia do seu amigo Antonio Intriago, chefe da empresa de mercenários CTU Security dos Estados Unidos, o senhor já tentou fazer com Maduro o que agora fizeram mercenários colombianos contra Moïse.

19/Julho/2021

[1] Comissão Interamericana de Direitos Humanos

 

[*] Combatente das FARC-EP

 

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