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domingo, 19 abril 2026

O Globo, a campanha eleitoral e o mundo em 2026

Pedro Augusto Pinho*

Seria inimaginável que o poderoso sistema de comunicação, criado por Roberto Marinho no período dos Governos Militares (1964-1985) e que se associou a interesses financeiros apátridas, ficasse fora de ativa participação na renovação/manutenção (?) do legislativo nacional (Senado – 54 e Câmara – 513 cadeiras), dos estaduais (1.035) e do Distrito Federal (DF – 24 cadeiras), além dos executivos brasileiro (Presidente) e de todos estados (26 Governadores) e do DF (Governador), com respectivos vices numa mesma chapa.

O Brasil sofre as consequências da invasão ideológica neoliberal que veio embrulhada na redemocratização dos anos 1980. E o mais prejudicado foi o próprio estado brasileiro que passou a ser privatizado, ou seja, foi deixando de existir.

Porém, como não existe dinheiro sem dono, os pedaços que ficaram do Estado foram sendo ampliados por interesses privados, a tal ponto, que não surpreende a uma única pessoa que qualquer deputado faça emenda parlamentar apenas para se enriquecer ou que um juiz dê sua sentença a quem lhe pagou mais, ou de alguma maneira menos visível.

Com este sistema, apoiado nos capitais internacionais e nos mais escravocratas dos nacionais, ao longo de 46 anos, quase meio século, é até surpreendente que o Brasil ainda não tenha se repartido geograficamente, pois política, social e economicamente existem muitos “Brasis”.

Houvesse um único partido, eles provavelmente reduziriam a mamata, pois não faria sentido o “fundo partidário” e outras benesses criados unicamente para manter a existência de 30 partidos. A esse respeito, se houvesse um mínimo de coerência, o Globo propugnaria por cinco partidos, pois, na avaliação realizada por aquele jornal, em 2016, só existiam: um partido de direita (os Progressistas – PP), dois de centro-direita (Novo e Republicanos), oito de centro, três de centro-esquerda (PDT, PSB e Cidadania), e cinco de esquerda (PCB, PCO, PSOL, PSTU e PT), logo bastariam o de direita, de centro-direita, de centro, de centro-esquerda e de esquerda. E ficaria muito mais barato para o contribuinte, que, no final, é quem fica sempre com a conta.

Na crítica que o pensador, intelectual e escritor, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães escreve em “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes” (2006), encontramos: “a maioria da população, vítima das disparidades e dos mecanismos de concentração do poder que as agravam, não tem sido capaz de se mobilizar para promover a reversão desses mecanismos e a consequente redução das disparidades”. E prossegue o analista: “A desmobilização dessa massa se faz pela difusão de visões da sociedade que a responsabilizam pelas suas misérias; pela distração incessante, promovida pela mídia por meio do culto ao individualismo, à violência anômica, às personalidades dos esportes e do show business; pela exploração do sexo; pelos hábitos introduzidos pela televisão; pela ação de seitas que atribuem a culpa de suas desditas sociais ao indivíduo pecador que cede ao demônio; e pelo incessante vilipendiar da política e dos políticos, apresentados como corruptos, sem que se indiquem alternativas a não ser a implícita submissão resignada da massa ao seu destino”.

No entanto, o povo, além da falta do pão nosso de cada dia, também sente medo, vinte e quatro horas por dia. Um medo que se materializa conforme o lugar que vive. O da milícia local que o achaca permanentemente, pelo dinheiro, pelo bem que carrega ou pelo sexo; ou pela insegurança, que a inexistência do Estado provoca indistintamente a todos, levando os mais ricos a contratar segurança particular. E nesta insegurança surge a maior parceria público privada do Brasil que é o sistema prisional; verdadeira escola de formação de marginais. E ainda vem os Estados Unidos da América (EUA) querer que sejam sócios no “terrorismo”, que lhes dá pretexto para dominar integralmente as frágeis nações latino-americanas.

Agora veja o caro leitor que ainda querem lhe dar o trabalho de sair para votar por absolutamente nada. Pois tudo continuará como antes, como ocorre desde a chegada de Pedro Álvares Cabral nesta Terra de Santa Cruz.

Vejam só a ironia; começam a denominar o Brasil como um lugar abençoado! Um verdadeiro incentivo para somar o Brasil a países como a China, que mais de 90% da população se declara sem crença em Deus, de acordo com levantamento da Pew Research Center – empresa de pesquisas, localizada em Washington (DC), para “entender o mundo” – realizada em 2022, sobre a importância da religião para a vida das pessoas.

É oportuno verificar um mundo em guerra e a presença da religião na vida das pessoas conforme o mapa da Pew denominado “Religião é muito importante para o povo na África, no Oriente Médio, Sul da Ásia e América Latina”.

O que chama mais atenção neste mapa, produzido pela PEW, é o mundo acima do Trópico de Câncer, o norte, que vemos como a matriz da civilização ocidental, onde mais de 19% das pessoas dispensam as ideias religiosas. E entre as 40% que têm algum tipo de ideia religiosa estão todas as religiões de matriz africana e a multinacional católica, o Vaticano.

O Brasil não o consideramos religioso, mas supersticioso; a melhor imagem é do jogador fazendo o sinal da cruz, como um católico, ao entrar em campo para o jogo de futebol.

Porém é este “misticismo” que o faz acreditar no milagre da mudança política sem sua intensa e permanente participação. O povo reclama, mas não junta as palavras a ação. Por exemplo, não votar e convencer o vizinho, o amigo, o parente a fazer o mesmo nas eleições de 2026.

Como arguir representatividade se o Congresso, dos 81 senadores e 513 deputados, tiver menos de um milhão de votos, dos 155 milhões 300 mil eleitores inscritos na Justiça Eleitoral.

E estamos em ano de guerra, que já chegou ao Brasil nas ameaças do presidente estadunidense Donald Trump de vê na marginalidade brasileira não uma parceria público-privada para se locupletar à margem da lei, mas uma organização que disputa ocupar o lugar deste sócio no governo do País. Também na falta ou no aumento do preço do petróleo que move 83% da energia necessária ao mundo.

Por tudo isso, caro leitor, não vote, vá à luta por nova institucionalização do Brasil.

*Pedro Augusto Pinho é administrador aposentado e membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.

 

 

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