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Papo do Dia

Postado em 22/08/2016 10:40

O FUTURO DO BRASIL: JAPÃO OU ETIÓPIA?

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Foto: Agencia Brasil
Alyne Bautista*
A VERDADE VOS LIBERTARÁ DA ALIENAÇÃO DESTRUIDORA
Bom dia senhoras e senhores, cumprimento toda a mesa e cada um dos presentes com todo meu carinho. Infelizmente por uma questão de logística de passagens aéreas não foi possível minha presença física neste evento, mas aqui deixo minha pegada, neste caminhar que é a vida. Fiquei muito comovida com o convite para participar deste evento em razão de ser filha de José Walter Bautista Vidal, um gigante que dedicou sua vida ao desenvolvimento Nacional especialmente centrado na questão energética, tecnológica e social, tema deste encontro.
Meu pai se formou em engenharia como vocês, fez doutorado em física nuclear em Stanford, Estados Unidos; aos 34 anos foi o primeiro Secretario de Estado de Ciência e Tecnologia do Brasil, na Bahia. Chefiou por três vezes a Secretaria de Tecnologia Industrial, foi o principal responsável pela implantação do Programa Nacional do Alcool. Participou de conselhos nacionais das áreas industrial, ciência, tecnologia, meio ambiente e educação, tendo fundado mais de trinta instituições nestes setores. Recebeu inúmeros prêmios e medalhas no Brasil e no exterior, autor premiado, seu livro De Estado Servil a nação soberanarecebeu o prêmio Casa Grande e Senzala de Interpretação da Cultura Brasileira em 1987/88. Deixou dez livros publicados e inúmeros trabalhos e artigos, muitas entrevistas que os senhores podem encontrar na Internet apenas colocando no google o nome Bautista Vidal. Foi um grande lutador das causas nacionais e passou seus últimos anos de vida em campanha cívica pela libertação nacional.
Vou tentar aqui e agora fazer uma breve fala através de quem me lê com o objetivo de os contaminar (entre aspas) com as ideias deste homem. Desejo que seu pensamento se viralize de boca em boca e pelas redes sociais já que isso é impossível pelas grandes mídias, todas  vinculadas a interesses que nada têm a ver com o desenvolvimento nacional, apesar de assim fazerem parecer.
Senhores e senhoras, meu pai deixou alguns ensinamentos básicos que agora passo vocês como quem passa um talismã que deve ser transmitido por todos aqueles que pensam na coletividade e não apenas em seus interesses pessoais.
Em primeiro lugar, Bautista Vidal me ensinou com seu exemplo que o sentido da vida é ser útil aos semelhantes. Lutou por uma América Latina solidária. Sofria ao ver crianças passarem fome, mal nutridas em um país com capacidade para alimentar o mundo. Escreveu sobre como e porquê se formou a subjugação tecnológica, econômica e cultural de nosso povo. Relatou em seus livros o que observou enquanto foi o responsável por todos os contratos do Brasil com o exterior na área tecnológica nas inúmeras vezes em que foi Secretário de Indústria e Comércio do Brasil e nos diversos cargos de direção que ocupou à frente de instituições como CONMETRO, Fundação de Tecnologia Industrial, Comissão de tecnologia Industrial do CNPQ, Comissão de Coordenação do Conselho de Desenvolvimento Industrial – CDI, como membro da OEA e das Nações Unidas, como Secretário de Articulação Municipal do Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, como presidente do Centro de Estudos tropicais – CENTROP –, como fundador e participante do Centro Latino de Altos Estudos entre outros.
Seus livros não são nada animadores. Ele faz o diagnóstico, mas deixa a nós a busca pela saída. Vou então lhes passar, brevemente, os tópicos da minha leitura sobre esse diagnóstico que tem ficado cada dia mais claro para mim. Quando meu pai começou a escrever poucos conseguiam ter acesso às informações que, naquela época, não contavam com os recursos da internet.
Em palestra proferida no lançamento do PRONA, ele diz uma frase óbvia, conhecida também por ter sido dita por Jesus Cristo: A VERDADE NOS LIBERTARÁ.
Pois bem, que verdade é essa que nos libertará? Como encontraremos a verdade senhores?
Pois eu digo: através do estudo, da ciência e da história. Não da história manipulada e incompleta que nos passam nos livros da escola. Não da história maquiada, parcial que os meios de comunicação nos contam. Mas da história que está nos livros que muitos de nós não encontra tempo de ler. Sinto muito senhores, mas não há outro caminho para entender esse mundo senão através do esforço pessoal de pesquisa e leitura.
Porque eu digo isso? Porque vejo uma sociedade que cada vez mais flutua sobre conceitos mentirosos, sem base ou fundamento que querem que nós acreditemos. Os dados manipulados que a mídia nos passa formaram uma sociedade sem base, sem raiz no conhecimento verdadeiro, no conhecimento de nós mesmos, de nossas riquezas, potencialidades e principalmente de nossa importância no contexto geopolítico mundial.
Não posso fazer aqui um discurso sobre ciência e tecnologia como meu pai fazia, defendendo o uso da biomassa como solução planetária e o Brasil como o grande país produtor mundial em razão de sua posição privilegiada com incidência solar durante todo o ano, terras férteis, água em abundância e gente. Mas posso dizer que esse projeto de produção pela biomassa pode ser feito com milhares de pequenos produtores, ocupando todo o nosso país e a Amazônia através do extrativismo de sementes como mamona, babaçu e tantas outras oleaginosas com alto poder energético que não destroem as florestas, ao contrário, as protegem, geram renda e emprego para milhares de famílias que produziriam também simultaneamente uma cultura de subsistência, além de proteger nosso território dos grileiros, ladrões de madeira, milionários que só pensam em seus lucros e não se importam em desertificar a Amazônia, assorear nossos rios ou destruir biomas que nunca nenhum ser humano será capaz de reconstruir como ocorreu com o nosso Rio Doce, destruído pelos compradores irresponsáveis da nossa grande empresa Vale do Rio Doce.
É só olhar senhores, vejam o que estão fazendo: retirando recursos e investimentos das instituições nacionais de desenvolvimento tecnológico.
Não precisa ser muito inteligente para constatar que ALGUÉM está pensando tudo isso. Nenhum brasileiro vai fazer isso porque é bom para o Brasil.
Meu pai via estarrecido TUDO o que construiu ser desmontado. O pró-alcool e TODAS as instituições de fomento e pesquisa.
Os senhores acham que isso se deve ao acaso?
Os senhores acham que nós brasileiros somos incompetentes? Burros?
É claro que não senhores! Então como e porque essas coisas acontecem?
Porque sistematicamente, desde o Brasil Colônia que nos tiram a possibilidade de nos comunicarmos. Quantas pessoas no Brasil tiveram acesso aos livros de meu pai? Quantos os conhecem dentre os milhões de brasileiros que somos? Pouquíssimos senhores.
Quantos brasileiros conhecem o Tiririca senhores?
Estão percebendo? É essa a chave para entendermos os interesses dos donos dos meios que comunicação: eles não querem que as ideias de pensadores e intelectuais como meu pai e tantos outros sejam conhecidas!
Pela primeira vez na história mundial temos uma arma que pode enfim nos fazer mudar o mundo. Temos a internet que alcança milhares de pessoas sem que para isso sejamos milionários ou donos de empresas de comunicação. Mas alerto: a internet já começa a ser controlada pelos mesmos que controlam as TVs e os jornais de grande circulação, portanto temos que ser rápidos e usar de nossa criatividade neste hiato histórico! É nossa obrigação difundir verdades, descobertas e constatações fruto de estudo e pesquisa.
De forma muito simples vou lhes dizer o obvio não percebido pela maioria:
1-    vivemos em um mundo manipulado por informações falsas.
2-    Os dados econômicos são manipulados.
3-    O papel moeda deve ser representação da riqueza real e não é, por isso tem sido dito que o sistema financeiro internacional está falido.
4-    Os países hegemônicos liderados pelos EUA emitem papel sem lastro desde a convenção de Bretoon Woods.
5-    A indústria da comunicação é dominada no mundo todo pelos donos do capital que são os donos dos bancos e das grandes empresas, verifiquem quem são os maiores acionistas da SANMARCO, da WARNER BROTHERS, da PETROBRÁS, das transnacionais da área farmacêutica, das transnacionais produtoras de agrotóxicos, das transnacionais produtoras de alimentos transgênicos… São as mesmas famílias.
Quando for auditada a dívida pública brasileira, se algum dia conseguirmos fazer isso, nós saberemos quem são as pessoas que lucram com os juros exorbitantes, dinheiro drenado da remuneração do trabalho de toda a população. Obviamente todos aqui sabem que mais de cinquenta por cento de nossos salários vão para os cofres públicos sob a forma de impostos e que destes, a metade vai para pagar juros de uma dívida que sequer sabemos como se formou.
Percebem agora como se dá a escravidão? Vinte e cinco por cento de nosso trabalho vai enriquecer pessoas que não estão produzindo NADA. Imaginem 25% do trabalho de uma população com proporções continentais.
Somem a isso o fato de que a maior renda dos países hegemônicos vem da venda de produção intelectual.
Os senhores já pararam para pensar quanto custa um quilo que quartzo para exportação e por quanto compramos um chip com miligramas de quartzo em razão do conhecimento agregado ali para uso na informática?
Pois bem, porque então não desenvolvemos nós esta tecnologia ao invés de adquirirmos de fora?
Os senhores conseguem imaginar se nós brasileiros ao invés de vendermos o nióbio bruto determinássemos que ele só sairia do Brasil sob a forma de produto acabado?
Só para informação, a indústria espacial, a internet, a indústria bélica mundial dependem do nosso Nióbio, temos 98% das reservas mundiais. São verdades alarmantes que não podem ser ditas, ou não são ditas por razões obvias: os donos das grandes empresas que precisam comprar nosso nióbio a preço baixo e vender seus produtos acabados com preços altíssimos não querem que nosso governo desenvolva tecnologia para competir com eles e, pior: que o nosso governo determine que o produto só sairá do Brasil sob a forma acabada e com a NOSSA tecnologia.
Entendem porque todas as empresas tecnológicas que meu pai desenvolveu foram desmanteladas? Sabem como fazem isso?
Simples. Através dos meios de comunicação eles controlam as informações que serão passadas às populações. Digo populações porque esse fenômeno está ocorrendo em todo o mundo capitalista e democrático, onde os governos não são os proprietários das TVs. Pois bem, através de informações manipuladas e mentirosas direcionam a população para onde querem e colocam no poder em todos os países onde controlam a mídia seus representantes. Obviamente jamais obteriam êxito se falassem a verdade. Porque seus interesses são voltados para o próprio lucro. Com essa metodologia de manipulação, pasmem, segundo um estudo da organização não-governamental britânica Oxfam, neste ano de 2016, 99% das riquezas do mundo se concentram nas mãos de famílias que representam apenas 1% da população. Obviamente essas famílias não são boazinhas nem estão se importando se essa concentração de riquezas está causando um genocídio mundial em razão da falta de todo tipo de recursos. Eles, ao contrário estão pensando inclusive que essas mortes são desejáveis, porque afinal de contas quem está morrendo é essa gente subdesenvolvida, feia e burra: nós. E que, para infelicidade deles, vive e é dona de um país que tem as maiores reservas estratégicas de minerais do mundo, tem a maior biodiversidade do mundo e recebe sol o ano todo.
Entendem porque os países que não aceitaram esse controle dos países hegemônicos são satanizados pela mídia? Entendem porque estes países têm sofrido sanções e tem faltado todo gênero de coisas? Esses embargos ocorrem porque é extremamente ameaçador para os donos das empresas internacionais qualquer governo que desenvolva tecnologia e proteja a produção nacional. Daí essa propaganda alarmante das mídias a favor do estado mínimo, do liberalismo econômico sem intervenção estatal, das privatizações etc.
Neste contexto o Brasil é um gigante adormecido. Se o brasileiro assumir seu real poder, souber da verdade, da dependência de todo o globo terrestre em relação a nossas riquezas REAIS, aí meus amigos, haverá não apenas um Japão ao sul do Equador mas 23 “Japões” porque o Brasil tem 8.516.000 km² e o Japão apenas 377.972 km².
Mãos à obra porque um horizonte brilhante nos espera se tivermos uma população consciente. Com a internet hoje isso é possível, hoje a verdade pode ser divulgada.
Esse era o desejo de meu pai, Bautista Vidal.
*Alyne de Oliveira Bautista – Especialista em Ordenação Territorial e Meio Ambiente (Universidade de Valência – ES), Auditora Fiscal Estadual, Contabilista, Especialista em Direito Tributário (IBET), Arquiteta e Urbanista (UnB), Holista (Unipaz). Alyne é filha do já falecido iminente professor, PHD em física Nuclear por Stanford-USA, criador do Pró-alcool, três vezes Secretário de Indústria e Comércio Federal, fundador de mais de trinta instituições científicas, renomado intelectual conhecido e premiado internacionalmente, defensor das causas Nacionais, profundamente humano e solidário, escritor e ganhador do Premio Casa Grande e Senzala da cultura Brasileira com o livro DE ESTADO SERVIL À NAÇÃO SOBERANA, publicado entre outros mais de dez livros.

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