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domingo, 21 julho, 2024

Novembro, mês da Pátria no Panamá

 

Panamá (Prensa Latina) Cinco fatos transcendentais na história do Panamá, ocorridos em novembro, tornam-no o mês da Pátria.

E como, a cada ano, os panamenhos comemoram a separação da Colômbia e o apoio dado pela província caribenha de Colón a este acontecimento, no Dia da Bandeira e o Grito de Independência da Villa de los Santos que desencadeou a emancipação da Espanha, poucos dias depois. Tentativas separatistas que somam 17, segundo a história, depois da fundação da colônia espanhola.

Mas não foi até o dia 3 de novembro de 1903 que se consumou uma delas com a proclamação, nesta cidade, da independência do Panamá da Colômbia, nação vizinha cujo Congresso recusou a assinatura do Tratado Herrán-Há com os Estados Unidos, o qual impulsionaria o projeto do Canal, iniciado pelos franceses em 1881.

Acontecimento este que catalisou a conspiração para estimular, pela sombra e com o apoio das canhoneiras, a ruptura com a Colômbia mediante empresários estreitamente vinculados ao presidente estadunidense Franklin Roosevelt, apontou em um artigo o professor Olmedo Beluche.

À crise econômica que padecia o país veio se somar em 1899 o estouro da Guerra dos Mil Dias, na qual durante três anos os exércitos liberais e conservadores esgotaram a já deprimida riqueza do Istmo, que se converteu em um campo de batalha.

Este fator, o expansionismo dos Estados Unidos e outras situações como as diferenças estruturais impossíveis de dissimular entre o Panamá e a Colômbia, alimentaram a decisão de renunciar à tutela da nação sul-americana, estimulados pelo vizinho setentrional.

A redação da Ata de Independência do Istmo foi encomendada pelo chefe da revolução José Agustín Arango ao jurista panamenho Carlos Antonio Mendoza, prominente figura do Partido Liberal, com uma ativa vida política.

Apesar da proclamação, na manhã de 3 de novembro os barcos colombianos Cartagena e Alexander Bixio chegaram à Bahia de Colón, onde desembarcaram homens bem armados, com intenções de avançar para a capital para libertar seus chefes e impedir o sucesso do movimento separatista.

No entanto, tais desejos foram refreados pelas autoridades da ferrovia, uma agência dos Estados Unidos, e por membros da Junta Revolucionária colonense dirigida pelo prefeito Eleazar Guerrero.

Textos históricos refletem as ligações entre interesses estadunidenses que uniam as companhias Ferrovia do Panamá, a Nova do Canal (francesa) e protagonistas dos fatos como Arango e Manuel Amador Guerrero, que tinham como cérebro da conspiração William N. Cromwell, que de Nova York dirigia a empresa ferroviária.

Depois de longas horas de diálogo, fortes pressões com a presença do encouraçado Nashville, conciliábulos e oito mil dólares a título de manutenção e transporte, o coronel colombiano Eliseo Torres partiu de volta com seus homens no barco Orinoco, segundo expuseram alguns textos da época.

 

Foi então, no dia 5 de novembro de 1903, quando o membro da Junta Revolucionária de Colón, Juan Antonio Henríquez, enviou para a capital um telegrama que dizia: “Só agora, 19h30, pode se dizer que a independência do Panamá está assegurada”.

A BANDEIRA MAIS SIMÉTRICA DO MUNDO

Com esta frase, o falecido presidente da Comissão Nacional dos Símbolos Pátrios, Luis De Ycaza, tentou não só expor o erro de reproduzir as bandeiras sem seguir os parâmetros corretos, como também a forma retangular a três cores (azul, vermelho e branco) e duas estrelas que distingue a panamenha.

Segundo o especialista em vexilologia (ciência que estuda as bandeiras), Vladimir Berrío-Lemm, a original possuía o quadrante azul na parte superior esquerda, em uma zona chamada canto de honra. No entanto, esta cor representava o partido conservador, razão pela qual posteriormente se realizou a mudança da bandeira, ficando o quadrante branco com a estrela azul nessa posição, como mostra hoje este símbolo pátrio.

Criada em 1903 pelo artista Manuel E. Amador, filho do primeiro presidente da República, Manuel Amador Guerreiro, a flâmula tricolor assume o vermelho e azul como representação dos partidos Liberal e Conservador, respectivamente, enquanto o branco simboliza a paz à qual chegavam ambas organizações políticas.

As estrelas, por sua vez, assinalam a retidão, força e autoridade que caracterizam o desenvolvimento do país.

Composta por quatro quadros: dois brancos, um vermelho e outro azul, a primeira bandeira panamenha nasceu das mãos de María Ossa de Amador, esposa do então mandatário.

Ainda que a 20 de dezembro de 1903 tenha sido batizada, não foi até 1924 que surge a iniciativa de consagrar o dia 4 de novembro para honrar a bandeira nacional, e em 1941 se ratificou a adoção deste símbolo.

Segundo o intelectual Alfredo Castillero, “com suas estrelas por guia, o Panamá tem surpreendido o mundo com seu progresso e consolidado sua posição internacional”.

“O azul de seus mares ao chegar a este solo tem trazido a nossa costa a civilização universal e o vermelho do sangue não se derrama já na luta fratricida, mas se transforma em energia para impulsionar o progresso da pátria em todas as ordens da vida. E isto sob a égide da concórdia que está representada na cor branca”.

PRIMEIRO GRITO DE INDEPENDÊNCIA

Historicamente não está comprovado que Rufina Alfaro tenha encabeçado o levantamento popular, mas os habitantes da central Villa de los Santos consideram que ela simboliza o valor e a fortaleza dos panamenhos durante a luta iniciada a 10 de novembro de 1821 com o primeiro Grito de Independência.

A este fato somaram-se outros em vários pontos do território nacional: Parita, Las Tablas, Penonomé, Ocú, Natá de los Caballeros, San Francisco de Veraguas e Alanje en Chiriquí, que derivaram depois na Independência do Panamá da coroa espanhola, a 28 de novembro de 1821.

O abuso contínuo das autoridades, a grave situação econômica, a declaração de independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa, foram alguns dos ideais que insuflaram os desejos de liberdade dos santeños, liderados por Segundo Villarreal. Mas a real motivação surgiu da fragilidade do governo colonial, pois Juan de la Cruz Mourgeon y Achet encarregou sua chefia ao panamenho José de Fábrega, quem fez parte das ideias independentistas de seu povo, comentam historiadores.

Desejoso de ascender a vice-rei, De la Cruz Mourgeon y Achet aceitou a proposta da Coroa Espanhola e realizou uma viagem ao Equador a 22 outubro de 1821, com o propósito de recuperar o controle de várias colônias insurgidas.

Em sua ausência, Fábrega, que nesse momento era o governador de Veraguas, assumiu o comando do governo do Istmo. Cansados da submissão aos espanhóis, um grupo de homens liderados por Julián Chávez, José María de los Rios, José Antonio Moreno, Salvador Castillo, José Antonio José Catalino Ruíz, Manuel José Hernández e Pedro Hernández, irromperam no quartel da guarnição espanhola na manhã de 10 de Novembro e apoderaram-se de suas instalações.

Conta a história que a jovem Rufina Alfaro, que era cozinheira do lugar, levou aos compatriotas a informação de que o Istmo do Panamá poderia se aproveitar da quantidade mínima de soldados devido à incursão militar ao Equador, pelo que essa seria a ocasião perfeita para iniciar a luta independentista.

No momento em que o Libertador Simón Bolívar interou-se deste primeiro ato emancipatório do Panamá, chamou Villa de los Santos de “Cidade Heroica”, daí o nome de “A Heroica Villa de los Santos” como também é conhecido este lugar histórico.

*Corresponsável da Prensa Latina no Panamá.

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