Foto Agência Brasil
César Fonseca
Os países detentores e produtores de terras raras – China, Brasil, Venezuela e muitos outros, na África e na América Latina –, que possuem minerais estratégicos, constituem-se o novo alvo dos países imperialistas, porque, na era da transição energética, são os melhores condutores de eletricidade para as indústrias de vanguarda tecnológica: chips de celulares, carro elétrico, indústrias armamentistas, satélites, inteligência artificial etc; a preferência dos consumidores, quanto aos veículos elétricos – pequenos, grandes e gigantes, como na agroindústria, construtoras etc – avança, especialmente, diante do crédito barato chinês, maior produtor mundial; cresce a demanda global, fazendo concorrência acirrada com combustíveis fósseis, poluidores da atmosfera, bombeando desequilíbrio ambiental; nesse sentido, o petróleo diminui o seu horizonte de serventia produtiva em escala mundial, quanto mais avança a consciência coletiva sob o impacto dos desastres ecológicos.
Embora a indústria petrolífera e seus derivados tenham expectativas de vida para os próximos cinquenta anos, no mínimo, o valor relativo do petróleo, atuando como equivalente/lastro monetário – tal como o ouro –, tende a ser substituído pelo seu equivalente tendencialmente superior: as terras raras; quem possui terras raras e tecnologia para manufatura-las, como a China, tem o poder mundial, proporcionalmente, maior que o dos Estados Unidos, dependente total do petróleo; a vantagem monetária comparativa dada pelas terras raras ao valor da moeda, como até agora, historicamente, deu o petróleo, tende, portanto, a ser superior no cenário da competição econômica e financeira internacional.
Não é à toa que os líderes europeus – que acabam de assinar acordo Mercosul-União Europeia – destacam, nesse instante, que se interessam pelas terras raras brasileiras, tanto quanto os Estados Unidos; Washington explicita, claramente, essa preferência, como está fazendo o imperialista, Donald Trump, com toda a agressividade que dispõe o império americano, brandindo Doutrina Monroe; é, portanto, nesse novo contexto mundial da transição energética que o produto primário – terras raras – está se valorizando mais que os produtos industrializados; se quem tem o poder de manufaturar terras raras, como é o caso da China, e, ainda por cima, detém reservas desse produto em quantidade, soma o útil ao agradável.
OPTERRA: NOVOS RICOS DO MUNDO
Criam-se os fatores determinantes para que os detentores e produtores de terras raras sejam os novos ricos do mundo, dos quais todos dependem, porque elas correspondem ao novo poder monetário; as cotações monetárias, ancoradas em terras raras, tendem a se valorizarem para quem as possuem; surge, portanto, a oportunidade histórica para os países produtores de terras raras, para que repitam a história da OPEP – Organização dos Países Produtores de Petróleo – criada no início dos anos 1970, dando novo curso ao desenvolvimento do capitalismo mundial; nasceria, para materializar essa nova etapa, a Organização dos Países Produtores de Terras Raras – OPTERRA –, como novo pólo do poder mundial; as terras raras virarão moeda e seus detentores, a nova força econômica, no ciclo da substituição energética, energia sem poluição, pró-meio ambiente livre do combustível fóssil poluidor.






