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Internacional

Postado em 20/08/2017 10:20

Neoliberais e neoconservadores norte-americanos são muito mais perigosos que a extrema direita 

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GARRIE, The Duran
Os que pregam guerra violenta, ilegal, imoral e cruel não têm em que se apoiar para criticar qualquer outra causa.
A mídia-empresa liberal norte-americana hegemônica acolheu uma história que começou em Al-Jazeera veículo estatal de propaganda do Qatar e que tenta associar a extrema direita norte-americana, às vezes chamada “Alt-right“[1], e o presidente sírio Bashar al-Assad e seu Partido Socialista Árabe Ba’ath.

Como escrevi ontem em The Duran,

“Para começar, Bashar al-Assad é socialista. É membro do partido governante na Síria, oPartido Socialista Árabe Ba’ath. Embora a chave esteja na denominação do partido, é útil compreender melhor as origens intelectuais do Ba’athismo.

Os três principais fundadores do Baa’thismo, Salah al-Din al-Bitar, Zaki al-Arsuzi e Michel Aflaq eram todos árabes sírios, Aflaq era árabe cristão com Salah, e al-Arsuzi era muçulmano. Na essência, o Ba’athismo combina valores culturais árabes tradicionais com o conceito anti-imperialista do nacionalismo árabe, acolhendo as ideias do socialismo tradicional como um escudo contra a agressão imperialista e como meio para permitir que povos pós-coloniais elevem com eficiência e rapidez a própria independência econômica.

O Ba’athismo, diferente nisso do marxismo-leninismo, não é antirreligião e encoraja a integração do Islã e do Cristianismo com modernas formas de governar. Em todo o mundo árabe, organizações Ba’athistas continuam a atrair todo tipo de pessoa, tanto muçulmanos como cristãos, e tanto homens como mulheres. A tolerância religiosa em governo secular e a garantia dos direitos da mulher são traços chaves do Ba’athismo”.

Pretender que a extrema-direita nos EUA seria de algum modo pró-Ba’athista é não só uma contradição em termos ideológicos: é completa mentira objetivamente caracterizada.

A extrema direita nos EUA é veemente e furiosamente antimuçulmana e antiárabe, o que torna absolutamente sem sentido pretender que o líder de um governo Ba’athista que, além disso, é muçulmano, seria figura icônica da extrema direita nos EUA.

A verdade é que a extrema direita nos EUA não é o grupo altamente organizado que a mídia-empresa diz que seria.

Melhor seria descrevê-la como uma coalizão informal e maleável de vários indivíduos que reagem negativamente à política de identidade que a mídia-empresa dominante nos EUA e elites políticas promovem há décadas. Essa posição em si e por si não só nada tem de extremista: é, na verdade, objetivamente moderada.

Extremo aqui é o simbolismo que muitos indivíduos online autoidentificados como ‘alt-right‘ usam para promover as próprias ideias. O tal simbolismo obriga a elogiar a liderança fascista alemã dos anos 1930s e 1940s e a postar memes vulgares e obscenos. Mas essa gente é apenas uma minoria, mesmo dentro da extrema direita nos EUA, imaginem dentro do movimento conservador nos EUA que é muito mais amplo. Em muitos casos, esses indivíduos engajam-se numa paródia intencional, especificamente para incendiar ou ‘cutucar’ a esquerda. Se isso é bom ou mau, de bom ou de mau gosto, é questão de opinião subjetiva.

Nessa ampla coalizão há muitos indivíduos que compreendem corretamente que o conflito na Síria é batalha que se trava entre um Ba’athismo secular e tolerante, e o terrorismo radical wahhabista/salafista que bem se poderia chamar “alt-Islam” [aprox. “Islã alternativo” (NTs)]. Essa gente quase com certeza pertence às alas mais mundanas e bem-informadas e mais moderadas desse vasto movimento da direita nos EUA.

Adiante se vê um vídeo de um homem num protesto da alt-right dos EUA, que foi usado pela mídia-empresa liberal dominante para demonizar todos os apoiadores e simpatizantes do ramo sírio do Partido Árabe Socialista Ba’ath, apresentando-os como se fossem gente de extrema direita, apesar de muitas dessas pessoas estarem alinhadas à direita páleo-conservadora, à esquerda libertarista ou à direita libertarista ou à direita, ou ao socialismo tradicional ou à esquerda comunista.

Esse vídeo não demonstra que a extrema direita seria pró-Assad mas, isso sim, que alguns norte-americanos do que se conhece como “as franjas” da vida política, são mais bem informados e, além disso, têm mente mais equilibrada e em paz que a perigosíssima mídia-empresa dominante nos EUA.

Independente de quem seja esse homem e do que defenda, o que ele diz sobre o conflito na Síria é muito mais acurado que qualquer coisa que tenha sido dito no Congresso dos EUA com duas honrosas exceções, Rand Paul e Tulsi Gabbard.

De fato, tal pronunciamento é semelhante aos que Ron Paul e seus colegas no Ron Paul Institute for Peace and Prosperity fazem frequentemente, um corpo libertarista/liberal clássico, com alguns elementos tradicionais conservadores antiguerra.

O que importa é que são os partidos liberais e neoconservadores nos EUA que na verdade praticam crimes de guerra contra a humanidade em países estrangeiros, deixando sempre milhões de mortos – e depois lamentam, sofrem, pedem desculpas pelos menos crimes que, em seguida, repetem.

As guerras ilegais dos EUA na Iugoslávia, no Iraque, na Síria, o golpe fascista paralegal na Ucrânia e o crime contra a humanidade que Hillary Clinton, a terrífica, autorizou/cometeu na Líbia nada têm a ver com a direita alternativa/extrema direita. Têm tudo a ver, isso sim, com os que se opõem à extrema-direita/direita alternativa. Ironicamente, aí estão incluídos os liberais que gritam “fascistas” contra seus inimigos, mesmo quando não são nem inimigos nem fascistas, ao mesmo tempo em que apoiam fascistas assumidos, declarados, clássicos, em Kiev.

Vai-se tornando cada vez mais difícil distribuir rótulos de direita e esquerda nos EUA. Enquanto o movimento contra a Guerra do Vietnã foi de modo geral movimento de esquerda pela paz, a esquerda radical hoje diz muito pouco contra guerras longe daqui, preferindo, em vez disso, fingir que muito sofre de indignação causada por memes de mau gosto que jamais, em tempo algum, impediram algum país de ir à guerra.

A esquerda liberal não apenas perdeu o rumo como – e pior que isso –, ao pregar que os EUA façam guerra contra o governo secular, socialista, tolerante e pluralista no campo das religiões e defensor dos direitos da mulher, árabe e socialista Ba’athista na Síria, pode-se dizer sem medo de errar que a esquerda liberal norte-americana perdeu também o juízo.

Não equivale a dizer que a extrema-direita nos EUA seja boa; movimentos políticos extremistas raramente prestam. O fato é que, enquanto a extrema-direita dos EUA faz memes e organiza marchas a favor de uma visão revisionista da Guerra Civil nos EUA e da 2ª Guerra Mundial, quem faz guerras pelo mundo, hoje, são a esquerda e os neoconservadores liberais.

Assim sendo, não importa como se considere a extrema direita/direita alternativa, essa gente é muitíssimo menos perigosa que a esquerda liberal e os neoconservadores belicistas norte-americanos, os quais deixam por onde passam, pelo mundo, não uma trilha de memes, mas uma trilha de sangue.*****

[1] Do Urban Dictionary [aqui traduzido]:

“Alt-Right”

Termo curioso definido pela máquina de fazer barulho do Partido Democrata como:

– Qualquer sujeito(a) não Democrata que a mídia consiga fazer caber no conceito de “suprematista branco”, “racista” ou “extremista de direita.” Atualmente os favoritos incluem os nazistas, a Ku Klux Klan, essa gente.

FATO: O termo “nazista” significa realmente “Nacional Socialismo”, e só se diferencia de “Internacional Socialismo” (Comunismo) porque os nazistas insistem na identidade nacional misturada com racismo. Mais um rebento da venenosa árvore do socialismo. Absolutamente não é correto.

FATO: A Ku Klux Klan foi, na origem, o braço armado do Partido Democrata no Sul dos EUA depois da Guerra Civil. A Klan e os Democratas separam-se para sempre, quando os Democratas pararam de puxar o saco dos pobres brancos, para puxar o saco das minorias pobres.

– É “Alt-Right” (como em “Direita Alternativa”) qualquer não Democrata que pratique violência espetacular como meio para promover sua agenda política.

FATO: Os chamados “Alt-Rights” mantiveram-se muito silenciosos durante a última eleição. Os verdadeiros nazistas e o pessoal da KKK ficaram em casa, além de terem dado uns poucos votos aos Republicanos sem nada pedir em troca, e teriam feito alguns supostos pronunciamentos, provavelmente falsos, encenados pelos Democratas.

FATO: O Grupo dos “Afro-Nazi” Storm Troopers e Camisas Marrons do movimento “Black Lives Matter” e outras organizações de Esquerda que apoiam os Democratas lá estavam na briga de rua, tumulto, saque e vandalizando para que todos vissem. A Mídia-Empresa Liberal Dominante fez impressionante silêncio no que tenha a ver com isso.

Vê-se instantaneamente a hipocrisia.*****

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