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Postado em 03/06/2016 6:23

Não dá para confiar no Senado. Só nas ruas!

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Por Altamiro Borges
Parece que bateu o desespero nos golpistas, o que só confirma o novo apelido de presidente interino: “Michel Treme”. Nesta quinta-feira (2), a tal “comissão especial do impeachment” do Senado decidiu reduzir em 20 dias o prazo para a tramitação do processo contra Dilma Rousseff. Com esta manobra, a votação final do estupro à democracia poderá ocorrer em meados de julho. A defesa da presidenta democraticamente eleita pelos brasileiros já anunciou que recorrerá da decisão, ilegal e arbitrária, no Supremo Tribunal Federal. Este golpe dentro do golpe revela que Michel Treme se borra de medo da onda crescente de protestos na sociedade e da possibilidade de vários senadores alterarem seu voto na discussão do mérito, afastando o golpista e garantindo o retorno de Dilma Rousseff.

Na semana passada, o relator do impeachment, o tucano Antonio Anastasia – mais sujo do que pau de galinheiro –, já havia encurtado o tempo de defesa da presidenta Dilma e de discussão no Senado, fixando a votação final para 2 de agosto. A pressa para a concretização do golpe, porém, não foi suficiente para acalmar os golpistas. O novo prazo fere todas as regras. “É uma violação ao que foi decido pelo STF e uma violação ao direito de defesa da presidenta. É uma profunda irrazoabilidade porque nos deram 20 dias para a apresentação da defesa. Há que se ter, racionalmente, mais prazo para as alegações finais. É a parte mais importante porque se dá após a produção de provas”, argumentou o ex-ministro José Eduardo Cardoso, responsável pela defesa de Dilma.

O desespero dos golpistas

A pressa na consumação do “golpe dos corruptos” têm várias razões. O governo ilegítimo de Michel Treme está se esfarelando rapidamente. Irritado, o Judas até tem dado socos na mesa. Em menos de 20 dias, ele já perdeu dois ministros – o gatuno Romero Jucá, que confessou que sua missão no governo seria a de “estancar a sangria” da Lava-Jato, e o “abafador” Fabiano Silveira, que já orientou vários corruptos com “pendências judiciais”. Nesta quinta-feira (2), outro golpista foi defenestrado da Empresa Brasil de Comunicação, com a decisão liminar do STF de respeitar a autonomia da EBC e de garantir o retorno à sua presidência do jornalista Ricardo Melo. Pela decisão, a TV Brasil ainda poderá virar um palanque macartista e truculento dos golpistas, a TV Temer.

O acelerado desgaste do governo golpista, que assaltou o Palácio do Planalto com uma leitura errada sobre os ventos na política, tem gerado dúvidas entre os senadores que agora analisarão o mérito do impeachment. Nos últimos dias, a própria mídia privada, que apostou as suas fichas na conspiração, tem alertado que podem ocorrer mudanças surpreendentes na votação do Senado. Segundo relato da Folha tucana, “as turbulência do governo interino de Michel Temer (PMDB) enfraqueceram o apoio de senadores ao impeachment da presidente afastada. No atual cenário, considerado imprevisível pelos congressistas, cresce a expectativa por novas eleições, e um eventual aceno de Dilma pela convocação de novo pleito ajudaria os indecisos a optarem por garantir o seu mandato”.

A lista dos senadores indecisos

O jornal da famiglia Frias, com longa experiência em conspirações, lembra que o processo de impeachment foi aberto com 55 votos favoráveis, 22 contrários, três ausências e uma abstenção. Para que seja aprovado o afastamento definitivo de Dilma Rousseff, serão necessários 54 votos. Até notórios golpistas estão apreensivos com o desfecho da trama. O senador Álvaro Dias, o tucano que se travestiu de verde (PV-PR), já reconhece que “as turbulências vão provocando temeridade”. Já o gaúcho Lasier Martins (PDT) afirma que “estamos em cima do fio da navalha. A inclinação é mínima de um lado ao outro, e vai se decidir com uma diferença de dois votos”. Até já circula na mídia golpista um ranking dos “indefinidos” na votação final do impeachment. Vale conferir:

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1- Benedito de Lira (PP-AL)

2- Edison Lobão (PMDB-MA)

3- José Antonio Reguffe (sem partido-DF)

4- Fernando Collor (PTC-AL)

5- Hélio José (PMDB-DF)

6- José Maranhão (PMDB-PB)

7- Marcelo Crivella (PRB-RJ)

8- Roberto Rocha (PSB-MA)

9- Wellington Fagundes (PR-MT)

10- Acir Gurgacz (PDT-RO)

11- Cristovam Buarque (PPS-DF)

12- Omar Aziz (PSD-AM)

13- Raimundo Lira (PMDB-PB)

14- Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)

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O risco de cretinismo parlamentar

Esta lista, porém, não deve iludir nenhum defensor da democracia no Brasil. Afinal, os parlamentares nativos são muito susceptíveis às pressões – da mídia, da grana e das benesses do poder. Não custa lembrar que 24 dos 81 senadores em exercício (29,6%) respondem a acusações criminais no Supremo Tribunal Federal, segundo as contas do site “Congresso em Foco”. O cenário é muito parecido com o da Câmara Federal, que obrou aquela sessão de horrores que deu a largada ao golpe – até o final do ano passado, 148 dos 513 deputados (28,9%) tinham pendências no STF. Neste sentido, mais uma vez, a batalha em defesa da democracia deverá ser decidida nas ruas. Os conchavos nos bastidores serão feitos – é inevitável –, mas sem ilusões com o cretinismo parlamentar.

Nos últimos dias, os protestos pelo “Fora Temer” e pelo “Volta querida” ganharam as ruas de todo o Brasil, numa energia contagiante e emocionante. A pressão popular inclusive forçou alguns recuos do governo ilegítimo, como na recriação do Ministério da Cultura e na falsa promessa de manutenção do “Minha Casa, Minha Vida” – o que só prova a fragilidade de Michel Treme. As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo já têm vários atos agendados para este mês, que já está sendo chamado de “Junho Vermelho”. O dia 10 de junho será uma data de mobilização nacional e unitária contra o “golpe dos corruptos”, inclusive com paralisações parciais de várias categorias – como a dos petroleiros.

Somente as ruas servirão para constranger os senadores e o próprio STF. Apenas elas desmoralizarão os golpistas no Brasil e no mundo. Até alguns ‘midiotas’, que foram usados pela mídia golpista como massa de manobra das elites usurpadoras, poderão agora se penitenciar dos seus erros. A pressão das ruas é decisiva para o futuro da democracia e para a manutenção e avanço dos direitos sociais.

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