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Postado em 06/05/2020 7:49

Na crise, a pequenez do comando se agiganta!

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Qual concorrente propôs triplicar a bonificação da alta hierarquia?

Quando nos encontramos mergulhados em uma dramática crise global, histórica, e multidimensional, a maior desde as guerras mundiais, não são somente os rígidos valores éticos que se sobressaem nos escombros. A pequenez também se agiganta! A estreiteza de algumas visões deixam de ser estupidez ou mau-caratismo para virar um insulto. Isso vale também para a hierarquia da Petrobrás.

Como explicar, por exemplo, gestores se aproveitarem do momento de extrema vulnerabilidade para de forma oportunista acelerar as privatizações, demissões (de grevistas que defendem a Petrobrás estatal e de uma multidão de terceirizados), aprofundando ainda mais o abismo entre as classes?

Como justificar, nesse contexto, o cliché de que o que importa é entregar valor? Entrega de valor para quê? E para quem, caras-pálidas? O valor extraordinário atingido é gerado pelo trabalho excepcional dos petroleiros e de todos os trabalhadores diretos ou indiretos da cadeia do petróleo. Portanto, somos nós trabalhadores que devemos decidir como DISTRIBUÍ-LO, e não ENTREGÁ-LO a quem não gera esse valor.

O discurso de mera melhoria de eficiência e corte de custos se mostra fora da realidade e de seu tempo, quando temos uma população vulnerável, com cada brasileiro lutando por manter-se vivo e a sua família, demandando distribuição emergenciais e essenciais de energia, água, gás de cozinha, alimentos e medicamentos.

Afinal, a Petrobrás é estatal. É do Brasil, ou deveria ser.

As mentiras que os gestores contam…

Velhas desculpas são apresentadas para justificar o indefensável. Ressuscitam o mito da Petrobrás quebrada e do endividamento como desculpa para a privatização, quando até mesmo Castello Branco já declarou que não é esse o motivo para as entregas. Afinal, como sustentar essa falácia se no último ano a Petrobrás auferiu R$ 40 bilhões de lucro? Fosse o pagamento da dívida algo inescapável e inadiável, porque não se utilizou esse montante vultoso para pagamento da mesma?

Sem ter argumentos, apelam para o discurso de alinhamento com “todas” as petrolíferas do mercado, as quais chamam de “majors”. Fôssemos seguir o que as concorrentes (estranhamente chamadas por eles de “parceiras”) indicaram no passado, não teríamos conseguido produzir o petróleo do Pré-sal, façanha que o mercado rotulava como inviável. Não teríamos sequer descoberto o Pré-sal, pois não tínhamos que investir demais na Exploração. Deveríamos ter mudado de ramo, pois o mercado informava nos anos 60 que não tínhamos petróleo. A bem da verdade, sequer existiríamos, pois o mercado foi contra a criação da Petrobrás, que só aconteceu porque foi fruto de uma ampla campanha envolvendo milhares de brasileiros de verdade!

Ainda assim, tomemos o argumento das práticas das concorrentes. A partir daí, desafiamos os gestores a nos darem algumas respostas, para saber se estamos em linha com elas:

* Qual empresa de petróleo propôs aumentar os proventos da alta gestão de R$ 24 milhões em 2019 para 45 milhões em 2020, como vocês propuseram?

*Qual concorrente propôs triplicar a bonificação da alta hierarquia, como vocês fizeram?

*Qual major está tentando cortar linearmente e sem negociação, em 25%, os salários de todos os trabalhadores, deixando de fora estranhamente os que têm função gratificada?

* Qual empresa está pretendendo cortar renda fixa daqueles que geram sua riqueza antes de mexer na renda variável?

* Qual concorrente vendeu em alguns poucos anos toda a sua rede de gasodutos (sendo que precisa forçosamente pagar aluguel caríssimo por ela)?

* Qual das petrolíferas entregou seu setor de distribuição?

* Qual delas absorveu dezenas de indicados políticos para cargos de assessoria, consultoria e afins, em poucos meses, somente considerando o gabinete da presidência, com salários tão nababescos?

* Qual das “coirmãs” (acreditem, esse termo foi usado por um gestor) tem planos de entregar 8 de suas 13 refinarias?

Não são capazes de responder. Mentem descaradamente. Informam que a suposta venda das refinarias teria partido de determinação do Cade, quando a própria gestão da Petrobrás foi até esse órgão fazer consulta proativamente! Esse desejo vem de antes, quem não se lembra dos discursos falaciosos de Pedro Parente e Castello prometendo aumentar a concorrência vendendo a ilusão de que isso baixará os preços? O absurdo disso tudo é que supostamente para atrair tal concorrência foi necessário fazer disparar os preços! Não vai haver concorrência, muito menos queda de preços, pois, se não impedirmos os planos de privatização, estaremos entregando nosso refino para cartéis monopolistas privados!

A Petrobrás tem que estar a serviço dos trabalhadores brasileiros!

Fonte: Sindipetro RJ

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