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quarta-feira, 18 fevereiro 2026

Na América Latina, a rebelião é justificada

Lima (Prensa Latina) Hoje, na América Latina, a rebelião é certamente justificada, após duas semanas do sequestro – e não “captura” – do presidente de um país soberano, a República Bolivariana da Venezuela, por um dos estados mais poderosos e vilões de nosso tempo.

Por Gustavo Espinoza M.*

Colaborador da Prensa Latina

Nicolás Maduro e sua companheira Cilia Flores — quando a noite escura passar — ​​poderão dizer ao mundo que conheceram o monstro por dentro e exploraram seu funcionamento interno. José Martí já o fizera à sua maneira, e por isso lutou até o fim, expondo-o e denunciando-o.

Essa experiência, porém, permanecerá para sempre na memória e na história dos povos do nosso continente. Pois será vista, ao longo dos anos, como o momento em que a barbárie bateu às portas da América, galopando em um dos sete cavalos do Apocalipse.

O rosto macabro de Donald Trump emergirá então, banhado em sangue e morte. E será possível reconstruir a história e falar do nascimento e renascimento do fascismo como duas faces da mesma moeda: o Império em declínio.

Alguns analistas argumentam que a ação tomada pelo ocupante da Casa Branca nas primeiras horas de sábado, 3 de janeiro, reflete a força do governo dos Estados Unidos. Um grave erro.

Isso reflete, antes, o desespero da hierarquia de Washington ao perceber que o Império está em colapso e seu fim está próximo. Mas, acima de tudo, eles percebem que não podem fazer nada além de brincar com fogo, esperando que aqueles que se opõem a eles caiam em sua armadilha, e então tudo será consumido pelas chamas.

A crise deles é tão grave que eles precisam atacar petroleiros no Caribe para roubá-los e sequestrar líderes para extorquir seus governos.

Donald Trump não é necessariamente um incendiário, mas gosta de causar polêmica. Principalmente quando sabe que seus dias no topo da carreira política podem estar contados. No momento, ele enfrenta 34 processos judiciais em aberto e terá que encará-los inevitavelmente, pois sua capacidade de comprar seu caminho para o sistema judiciário também é limitada. E um dos processos pendentes é justamente por fraude.

Esse crime o levou agora ao tribunal, onde enfrenta exigências coercitivas: ele deve pagar 500 milhões de dólares por ter se enriquecido ilegalmente e construído um castelo não de cartas, mas de bens obtidos ilicitamente. Caso não o faça, seus bens empresariais e pessoais serão confiscados.

Nos Estados Unidos, os ricos aceitam que você atire em alguém, até mesmo em uma criança em uma escola ou igreja, mas não toleram que você roube um único centavo. Isso é intolerável para eles.

Mas Trump tem problemas legais ainda maiores para responder. Seu parceiro e cúmplice em corrupção de alto nível — Jeff Epstein — não deixou este mundo sem deixar provas irrefutáveis ​​que implicam o homônimo do personagem da Disney em crimes mais graves, incluindo pedofilia. É por isso que as penas são tão severas.

Para evitar tudo isso, ele busca encobrir roubos, sejam eles grandes ou pequenos. Assim, tornou-se um dos Senhores da Guerra, o mais audacioso e o mais agressivo. E agora, ele tem na mira qualquer um que discorde de seus objetivos perversos.

Por ora, ele declarou guerra ao próprio país. Enviou fuzileiros navais para a Califórnia e outros estados, e tem como alvo imigrantes que detesta e que busca matar, como demonstra o caso de Renée Nicole Good em Minneapolis.

Ele também tem Cuba como alvo, um país que deseja “destruir”. No entanto, ele não percebeu que, para atingir esse objetivo, terá que matar 11 milhões de heróis na maior das Antilhas, além de muitos outros combatentes no resto do mundo.

Se Cuba for alvo de ataques, empresas, propriedades e até mesmo embaixadas americanas em todos os países do mundo serão alvos da fúria popular. Não há lugar no mundo onde Cuba não tenha amigos. São milhões deles em todos os continentes, e neles arde a chama da rebelião em defesa da Ilha da Dignidade.

Da mesma forma, Colômbia, Nicarágua e México estão, sem dúvida, na mira do Império. E o Brasil também; porque Trump não esconde sua intenção de esmagar qualquer um que pense diferente. E, ecoando James Monroe, ele também tem o Canadá em seus planos, que busca anexar à força.

E se a soltarem, ela também devorará a Groenlândia, arrebatando a calota polar que pertence à União Europeia.

A tragédia é que tudo isso é agravado por governos latino-americanos subservientes e obsequiosos, que admitem que o que foi feito contra a Venezuela constitui uma grave violação, mas – como afirmou o presidente interino do Peru, José Jerí, um homem com experiência no assunto – há casos em que “a violação é permitida”.

Diante de tamanha humilhação e infâmia, o descontentamento dos cidadãos cresce, a raiva do povo se intensifica e a vontade de lutar de milhões aumenta. Em outras palavras, no contexto desse sabá das bruxas, a rebelião se justifica.

Jornalista e professor peruano. Presidente da Associação de Amigos de Mariátegui e codiretor da Nuestra Bandera. Ex-deputado e ex-secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru.

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