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quarta-feira, 24 julho, 2024

Milei acusa manifestantes de “golpe” e parabeniza repressão

Polícia reprime manifestantes contra a Lei de Bases com canhões de água em frente ao Congresso em Buenos Aires, capital argentina, 12 de junho de 2024.

HispanTV ´- O governo argentino de Milei aplaude a repressão brutal dos protestos diante do Congresso e acusa os manifestantes de tentarem “perpetrar um golpe de Estado”.

“O Gabinete do Presidente (Javier Milei) felicita as Forças de Segurança pela excelente atuação na repressão aos grupos terroristas que, com paus, pedras e até granadas, tentaram dar um golpe de Estado, atacando o normal funcionamento do Congresso da Nação Argentina”, afirmou esta quarta-feira a Presidência Argentina em sua conta X.

Uma manifestação contra as polêmicas Bases Legais e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos (Omnibus) do presidente de extrema direita Milei, convocada em frente ao Congresso em Buenos Aires, tornou-se violenta depois que a polícia de choque reprimiu os manifestantes.

As forças de segurança invadiram a multidão depois de alguns manifestantes terem atirado pedras e cocktails molotov, e reprimiram os indignados com spray de pimenta, gás lacrimogéneo, canhões de água e balas de borracha.

Como resultado, pelo menos seis deputados da oposição – Carlos Castagneto, Eduardo Valdés, Luis Basterra, Carolina Yutrovic, Leopoldo Moró e Juan Manuel Pedrini – ficaram feridos e sofreram “problemas oculares”, após serem atingidos por gás lacrimogêneo a curta distância, segundo para a mídia local.

Porém, apesar dos protestos e da violência policial, o Senado mantém o debate e se prepara para votar a Lei de Bases. Pelo menos 29 detidos e dezenas de feridos foram relatados.

Governo Milei declara guerra aos argentinos

Nessa linha, a deputada peronista Cecilia Moreau, da coalizão União pela Pátria, denunciou o uso desproporcional da força pela polícia contra os manifestantes. “Hoje o Governo declara guerra ao povo argentino. Foram votadas leis muito polêmicas, mas nunca aconteceu de haver uma operação policial, eu diria paramilitar, como esta”, criticou Moreau.

Por sua vez, uma sindicalista apelou à multidão para não se deixar intimidar por “uma nova provocação do Governo”. “Uma lei antipopular não pode ser aprovada se não for com repressão”, disse ele com um megafone na mão.

A lei conhecida como ‘lei omnibus’ é a primeira norma que Milei aspira alcançar desde que assumiu o cargo em dezembro e com a qual procura garantir uma maior governabilidade. O projeto confere poderes legislativos ao presidente, viabiliza privatizações, flexibiliza a legislação trabalhista e concede 30 anos de benefícios fiscais às grandes empresas. Segundo a oposição argentina, estas mudanças beneficiam apenas os mais ricos e prejudicam os setores mais desfavorecidos.

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