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domingo, 18 janeiro, 2026

Mano de la Mano promove uma América Central sem fome

Cidade do Panamá (Prensa Latina) De acordo com o relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI 2025), a fome na América Central afeta 5,0% da população, uma redução de 7,2% em 2004-2006.

Por Mario Hubert Garrido

Correspondente-chefe no Panamá

Esse progresso é positivo, mas milhões de pessoas ainda vivem em insegurança alimentar, especialmente em áreas rurais vulneráveis.

Sobre este tema, o economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e representante regional para a América Latina e o Caribe, Máximo Torero, disse à Prensa Latina que, para evitar que esses progressos estagnem ou retrocedam, é essencial transformar os sistemas agroalimentares com soluções inovadoras, baseadas em dados precisos e respaldadas por parcerias sólidas.

INICIATIVA DA FAO

Segundo Torero, a iniciativa da FAO, Mano de la Mano, nasceu com esse propósito e tem como objetivo acelerar a erradicação da fome e da pobreza por meio de investimentos estratégicos de alto impacto, priorizando as áreas com maiores desafios e potencial.

O especialista indicou que se trata de uma abordagem abrangente que combina ferramentas tecnológicas, inteligência de dados e coordenação entre diversas partes interessadas para orientar decisões de investimento e políticas públicas.

Na América Central, Mano de la Mano se concentra em todos os países, no Corredor Seco e nas zonas áridas das nações que compõem o Sistema de Integração Centro-Americana (SICA).

Este território cobre 34% da região e abriga 21 milhões de pessoas em áreas rurais, mais de 20% das quais dependem da agricultura de grãos básicos.

Ele acrescentou que 37% dessa população vive na pobreza e 6,5% na pobreza extrema, em um contexto marcado por secas recorrentes, degradação ambiental e alta vulnerabilidade às mudanças climáticas, fatores que aumentam a insegurança alimentar e incentivam a migração forçada.

AS FERRAMENTAS

Mano de la Mano usa análise geoespacial, mapeamento digital de solos, zoneamento agrícola baseado em risco climático e estudos econômicos para identificar áreas com maior potencial de impacto e priorizar investimentos, disse o especialista.

O princípio é claro: concentrar recursos onde eles podem gerar os maiores retornos sociais, produtivos e ambientais.

Essa abordagem, acrescentou, permitiu definir uma estratégia que integra soluções hídricas para consumo humano e irrigação eficiente, fortalecendo os institutos nacionais de pesquisa agrícola, promovendo micro, pequenas e médias empresas e ecossistemas digitais que conectam produtores com mercados, mapeamento de solos para orientar o uso sustentável da terra e planejamento agrícola adaptado ao risco climático.

Em apenas dois anos, a iniciativa Hand-in-Hand mobilizou uma rede robusta de parceiros, incluindo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a Cooperação Sul-Sul Trilateral com o Brasil por meio da Agência Brasileira de Cooperação e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, bem como o Banco Centro-Americano de Integração Econômica e outros aliados estratégicos.

Essa colaboração já produziu resultados concretos: mapas de solos e ferramentas de zoneamento que otimizam as decisões de plantio, adoção de tecnologias de água adaptadas às comunidades e culturas, geração de empregos rurais por meio do fortalecimento de negócios locais e incorporação de inovação e pesquisa como áreas prioritárias nas políticas públicas regionais.

CONCERTAÇÃO POLÍTICA

Segundo Torero, além de seus componentes técnicos, a iniciativa Mano de la Mano é um mecanismo de coordenação política e social.

Esta iniciativa, disse ele, envolve governos, organizações regionais, o setor privado, organizações de produtores e comunidades em um processo de planejamento conjunto que evita duplicação, maximiza sinergias e garante que as soluções respondam às necessidades reais das pessoas.

Cada ator contribui com capacidades, financiamento ou conhecimento, e todos compartilham a responsabilidade de garantir que os resultados sejam sustentáveis, enfatizou.

O SOFI 2025 confirma que, quando dados precisos, inovação e parcerias eficazes são combinados, a fome diminui, observou ele.

A experiência da Mano de la Mano demonstra que é possível transformar territórios vulneráveis ​​em centros de resiliência e oportunidade se agirmos com foco estratégico e comprometimento sustentado.

Manter uma taxa de prevalência de fome de 5% não é suficiente; o objetivo deve ser erradicá-la completamente. Para isso, este modelo deve ser ampliado e replicado em outras áreas da região e além, afirmou.

A América Central tem capital humano, potencial produtivo, biodiversidade e acesso à tecnologia.

A iniciativa Hand-in-Hand, em sua visão, oferece um roteiro para integrar esses recursos em um projeto comum, priorizando investimentos que gerem impactos duradouros e mensuráveis.

No entanto, ele alertou que atingir essa meta exige vontade política, financiamento estável e um firme comprometimento de todas as partes interessadas.

A lição é clara: sozinhos podemos avançar, mas juntos podemos transformar. A inovação, quando traduzida em ações coordenadas e sustentadas, tem o poder de mudar realidades, afirmou Torero.

Por fim, ele indicou que a essência da iniciativa Hand in Hand é transformar potencial em resultados, e resultados em um futuro sem fome, resiliente e próspero para todos.

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