Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasilo
RT – A agressão dos EUA na Venezuela em 3 de janeiro e o sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro, representam “mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”, escreve o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em um artigo publicado pelo The New York Times.
“Não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de administrar a justiça”, afirma o presidente, que alerta contra “ações unilaterais” porque “elas ameaçam a estabilidade global, interrompem o comércio e o investimento , aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de lidar com o crime organizado e outros desafios transnacionais”.
Lula destaca que o fato de essas práticas estarem sendo aplicadas na América Latina e no Caribe é “particularmente preocupante”, já que “elas causam violência e instabilidade em uma região do mundo que luta pela paz através da igualdade soberana das nações, da rejeição do uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos”.
Em relação aos eventos ocorridos na Venezuela em 3 de janeiro, o presidente brasileiro enfatiza que esta é “a primeira vez que a América do Sul é alvo de um ataque militar direto dos EUA” em “mais de 200 anos de história independente”, embora “as forças estadunidenses já tenham intervido na região anteriormente”.
Nesse sentido, ele enfatiza que a América Latina não se submeterá a “esforços hegemônicos “. “Construir uma região próspera, pacífica e pluralista é a única doutrina que nos beneficia”, destaca Lula, ressaltando a importância de “os líderes das grandes potências entenderem que um mundo de hostilidade permanente não é viável”. “Por mais fortes que sejam, não podem se basear apenas no medo e na coerção “, acrescenta.
Lula argumenta que “o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve estar nas mãos de seu povo”. “Somente um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável “, conclui.