Brizola com Dona Neuza e os filhos João Otavio, José Vicente e Neusinha (Reprodução)
Pedro Augusto Pinho*
Leonel Brizola, a maior liderança trabalhista brasileira, nasceu em Carazinho, distrito rural de São Bento, região noroeste do Rio Grande do Sul, em 22 de janeiro de 1922. Faleceu em 21 de junho de 2004. Foi a criança pobre que, com seu esforço, dedicação e muitos sacrifícios, conseguiu contribuir de modo importantíssimo para o Brasil.
Apenas Getúlio Vargas (1882-1954), uma inspiração para Brizola, menino rico que morreu pobre, teve tão grande importância em nossa história política. Mas ambos foram derrotados pelos escravagistas e entreguistas, que formam a maioria dos “homens públicos” no Congresso, no Poder Judiciário e no Executivo brasileiro, principalmente hoje, quando o único brasileiro a governar dois Estados, completaria 104 anos.
A vida deste líder deve servir de inspiração e exemplo para a juventude, sem escola pública de tempo integral, um ideal dos signatários do Manifesto da Escola Nova, de 1932, abraçado por Brizola sempre que foi governador, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. E que hoje estaria contribuindo para juventude do Brasil e não para morrer na flor da idade, defendendo o crime organizado, o tráfico de drogas, e a marginalidade.
A filósofa estadunidense Nancy Fraser (maio de 1947), liderança no movimento da Teoria Crítica, deu a um de seus livros o título de frase de Antonio Gramsci (1891-1937), que por incrível coincidência também nasceu em 22 de janeiro, na ilha de Sardenha, sul da Itália, “o velho está morrendo e o novo não pode nascer”.
Quem são o velho e o novo no período de vida de Brizola?
Brizola nasceu numa década em que o Brasil buscava tornar-se efetivamente independente. O 7 de setembro fora uma farsa. Tão grande que o governo continuou sendo monárquico e nas mãos da mesma família, os Braganças. Que independência era esta?
A República envergonhadamente se livrou dos Braganças, mas ficou com o mesmo modelo colonizador, como demonstram os afastamentos de Benjamin Constant Botelho de Magalhães (1836-1891) e Floriano Vieira Peixoto (1839-1895), este último, em seu testamento político, escreveu: “A mim me chamais o consolidador da República. Consolidador da obra grandiosa de Benjamin Constant e Deodoro são o exército nacional e uma parte da armada, que à Lei e às instituições se conservaram fiéis”.
Ambos, em graus variáveis, eram positivistas, contrários ao federalismo e intransigentes nacionalistas.
Infelizmente as forças colonizadoras e entreguistas assumiram a República Velha (1894- 1930), que na década de nascimento de Brizola encontravam oposição, enfim vitoriosa com a Revolução Nacionalista de outubro de 1930, encabeçada por Getúlio Dornelles Vargas.
O velho que está morrendo são a escravidão e o colonialismo.
Brizola foi intransigentemente trabalhista e Vargas foi o que deu institucionalidade ao trabalho, criando 23 dias após sua posse na presidência do Governo Provisório (3/11/1930) o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, quando a escravidão legal ainda vivia na prática, pois nada fizera para efetivamente extingui-la a Lei Áurea. E, com o domínio do poder das finanças apátridas, ela ressurge na forma dos microempreendedores individuais (MEIs) e dos ubers, controlados pelos estrangeiros.
O velho escravismo não deixa o trabalhismo nascer.
As mesmas forças que mantém a escravidão, também mantém o Brasil Colônia.
Em 1934, o historiador Gustavo Barroso (1888-1959) publicou “Brasil – Colônia de Banqueiros”. As ideias deste cearense foram motivo de muitas controvérsias, mas sempre prevaleceu a prática a favor dos índios brasileiros, da educação e da reestruturação e manutenção de instituições como o Museu Histórico Nacional, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Serviço de Restauração de Documentos e Objetos, e a criação de Museus Regionais.
Ora quem mais do que os banqueiros, as finanças, sempre colonizaram o Brasil? As da Inglaterra, as dos Estados Unidos da América (EUA) e atualmente, com o domínio do neoliberalismo globalizante, das finanças apátridas.
E foram estas que mais atacaram Brizola, tendo toda mídia a detrata-lo, a caluniá-lo, a tal ponto que, nem mesmo corrupta, a justiça não pode lhe negar o direito de resposta (15 de março de 1994) ao Sistema Globo de comunicação, verdadeira hidra da desinformação.
“Não reconheço na Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários”.
Aproveitemos a data de seu nascimento para nos fortalecer na luta contra a escravidão, transvestida em novas fantasias, e na alienação das riquezas naturais e do trabalho dos brasileiros para enriquecimento da plutocracia mundial.
*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.
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