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segunda-feira, 21 setembro 2026

Juros altos produziu jogatina da sorte que destrói capitalismo especulativo

Fotos Agência Brasil

César Fonseca

A jogatina financeira e esportiva sob modelo neoliberal, impulsionado pelos juros altos, chegou ao estresse total que obriga o presidente Lula a tomar providências urgentes, em plena campanha eleitoral, sob pena de o capitalismo produtivo tupiniquim entrar em colapso e ele se ver afetado, duramente, eleitoralmente; é o que se poderia considerar a volta do chicote no lombo de quem mandou dar no cenário do neoliberalismo.

essa é a situação de grande parte de médias e grandes empresas que enfrentam condições precárias de endividamento e que encontram dificuldades para renegociar seus ativos, algo semelhante à que chegou a maioria das famílias brasileiras encalacradas nos cartões de crédito e no jogo de apostas das Bets.

Agora, a pré-condição para melhorarem é serem recuperadas pelos fundos de investimentos especializados em recuperação empresarial, os chamados “Special Situations”; só depois de salvas do incêndio, teriam acesso aos denominados fundos de Privat Equity, destinados aos investimentos.

Curiosamente, há mais recursos – R$ 17 bilhões – alocados no primeiro caso do que no segundo – R$ 14,6 bilhões –, a tal ponto chegaram as distorções no cenário da produção e do consumo – capitalismo real – sob impacto da financeirização econômica antidesenvolvimentista neoliberal – capitalismo de ficção.

LÓGICA PARA RECUPERAÇÃO DO CAOS

primeiro tem que realizar inversões financeiras salvacionistas nos ativos bichados, enferrujados pelos juros altos que os desvalorizam.

Realizada recuperação, pela qual cobram seus serviços de gestão para que sejam recuperadas, as empresar poderão ir ao mercado em busca de interessados no seu destino como negócio.

Mas, para que isso aconteça, é necessária outra situação macroeconômica, diferente da vigente: ou seja, as empresas terão que estar livres dos malefícios impostos pelo arcabouço neoliberal, cuja missão é elevar juros, por meio de ajustes fiscais draconianos, a fim de sustentar a rentabilidade do mercado especulativo, na tarefa de rolar a dívida pública, em prejuízo da produção e do consumo.

Trata-se de contexto contraditório altamente controverso: os ativos empresariais precisam existir saudáveis para que o mercado bursátil exista, pois, afinal, não é possível sustenta-lo sem o comércio de ações, emitidas pelas empresas; nesse sentido, as empresas, para emitirem ações atrativas ao mercado, precisam estar com saúde financeira, no mínimo, razoável.

isso significa que a própria dinâmica do mercado financeiro, beneficiado pelos juros altos especulativos, requer, para sua sobrevivência, a satisfatória situação econômica financeira das empresas;

Se o ajuste fiscal continua draconiano, em nome do combate à inflação, sem considerar que a pressão inflacionária está sendo produzida pelos próprios juros altos, fica em risco o próprio mercado especulativo; o estouro do endividamento empresarial e, também, das famílias é a prova concreta da distorção.

O mercado depende de que as empresas sejam no mínimo sustentáveis, no ambiente macroeconômico, sob juros razoáveis, civilizados, pró-desenvolvimento e não antidesenvolvimento, a fim de servir de calço para a existência do mercado acionário, sem o qual torna-se impossível lançamento e renovação de ações, seja no mercado primário, seja secundário, seja terciário.

AUSTERÍCIO FISCAL VIROU VENENO MORTAL

O ajuste fiscal restritivo, austericida, como solução em si mesma, como se tornou norma no cenário neoliberal, contribui para enterrar as empresas no endividamento e, consequentemente, para reprodução do próprio sistema capitalista e seu corolário, expresso no mercado de ações.

Contradição dialética mortal para o capital produtivo.

Por isso, vê-se que os fundos de recuperação para empresas(Special Situations), financeiramente, encalacradas nos juros altos, estão mais fortes que os fundos de investimentos(Private Equity), necessários para alavancar os negócios.

O capitalismo tupiniquim anda para trás.

Ocorreu, no cenário neoliberal, sob domínio da financeirização, a inversão lógica da dinâmica capitalista sustentada na produção e no consumo.

Com a derrocada desta lógica pela financeirização especulativa, a própria financeirização se condena à extinção; afinal, ela, no limite, extingue as empresas por um processo de excessivo endividamento;

BETS: FAMÍLIAS ENCALACRADAS

Essa escalada aconteceu, também, na escala do consumo com o endividamento excessivo das famílias, nos cartões de crédito, massacradas pelos juros altos.

O governo não teve outra alternativa senão renegociar as dívidas delas, para leva-las, novamente, às compras.

O caos do endividamento aconteceu nas dívidas acumuladas com a jogatina popular – Bets –, inventada pelos capitalistas especuladores, no campo esportivo, para capitalizar times de futebol.

Somadas as dívidas geradas pelos juros especulativos com a escalada das apostas, o resultado é o colapso do capitalismo produtivo, que esgota a capacidade de consumo da maioria da população assalariada.

Na tentativa de se salvar no jogo, a fim de sobreviver, tentando ganhar na sorte, para se livrar – ou pelo menos se amenizar – da desgraça social advinda dos juros altos, o capitalismo tupiniquim neoliberal mergulha no caos.

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