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Postado em 26/01/2016 5:35

Iniciativa do Brics no setor de trabalho é projeto de longo prazo

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A iniciativa dos Ministros do Trabalho dos Brics de criar uma política de geração de empregos de alto nível, anunciada nesta segunda-feira (25) durante reunião em Ufá, na Rússia, não deve ter uma implementação de curto prazo, em função das diferenças políticas e econômicas de cada país. É o que avalia especialista ouvido pela Sputnik.

Em entrevista exclusiva paraSputnik Brasil, o Professor de Relações Internacionais da PUC-RJ e do Brics Policy Center, Paulo Wrobel, disse acreditar que será uma tarefa de médio ou longo prazo. E não será fácil, porque todos os países do grupo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com possível exceção da Índia, estão passando por períodos econômicos difíceis. “Até mesmo a China, que até recentemente se destacava por sua vitalidade econômica, vem passando por um período de diminuição muito forte do crescimento econômico e da criação de empregos”.

Segundo Paulo Wrobel, o mais importante nesta primeira etapa foi o estreitamento das relações entre os Ministros do Trabalho e do Emprego do bloco. “O mais importante é exatamente esse adensamento das relações entre os cinco países. Que supere os encontros apenas dos chefes de estado, o encontro dos ministros da Fazenda, dos ministros das Relações Exteriores. Nos últimos anos, talvez o aspecto mais interessante dos Brics seja esse aumento, essa mudança de qualidade de patamar das relações. Não só de governo a governo, mas de homens de negócio para homens de negócio. De sociedade para sociedade. De área acadêmica para área acadêmica. Eu entendo esse encontro na Rússia dentro desse contexto”.

O especialista ressaltou que a criação de empregos é o maior problema do mundo atual. “É uma questão que já vem de longa data, desde que a economia moderna se desenvolveu. A criação de empregos, e principalmente de bons empregos, é fundamental para o dinamismo econômico de qualquer país, e para o dinamismo econômico do mundo. A recessão que nós víamos a partir de 2008, e que de uma certa maneira ainda se manifestaria hoje, foi responsável pela destruição de mais de 100 milhões de empregos no mundo. É muito difícil que esses empregos sejam recriados”.

Wrobel destacou ainda que uma das questões chave para a criação de empregos em qualquer país hoje em dia é conseguir atender às demandas diferenciadas de grupos como jovens, mulheres, minorias nacionais e grupos étnicos. “No caso dos jovens, é muito comum, principalmente em países de economia madura (vimos isso na Europa recentemente, na Espanha), que o desemprego entre os jovens seja quase o dobro do desemprego entre a idade média da sociedade. A Espanha chegou a ter taxas de desemprego de 40% entre os jovens, pela dificuldade da economia crescer de uma maneira a absorver todos esses novos entrantes no mercado de trabalho. Esses empregos só podem ocorrer em uma economia que cresce, numa economia dinâmica, numa economia que investe tanto no público, quanto no privado”.

Fonte: Sputnik

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