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Papo do Dia

Postado em 09/09/2018 10:34

Incompetentes competências: O incêndio no Museu Nacional que destruiu o passado, num governo que destrói o futuro

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Da equipe do Pátria Latina

Faz parte dos mitos das elites a fé cega nas “competências”. O diploma de “doutor” sempre abriu as portas de todas as casas, todas as salas, talvez de muitos quartos, sem que nada precisasse demonstrar.

Quando o povo elegeu um torneiro mecânico, só não foi apeado imediatamente do governo porque se acreditava em seu fracasso. E foi dos três ou quatro maiores presidentes do Brasil, ombreando-se com Getúlio que deixou na história a Era Vargas, o que não fez nenhum outro, antes ou depois, e o pode fazer Luiz Inácio Lula da Silva.

Entrega-se a gestão de hospitais, fundações de ensino, museus a doutores em medicina, professores, e pesquisadores ou artistas como se fosse a resposta certa para o sucesso da instituição.

Nada mais falso. Nada mais errado.

Mas com esse preconceito, as elites bem nascidas e mal formadas, garantem a manutenção do poder para si e seus iguais. Afasta o povo do poder, para o que sempre estiveram atentas e não escolhem meios, vale tudo, até destruir o País como os golpistas de 2016 estão fazendo.

Quem vive ou viveu no meio acadêmico, universitário, sabe o serpentário lá existente, terá uma pálida ideia, assistindo pela televisão às monótonas, arrogantes e falsamente cultas sessões plenárias de tribunais supremos ou superiores de justiça.

É a arrogante autossuficiência de um doutor, um pós-doutor. Escreve um professor, Claudio de Moura Castro, na revista Veja (nº 2513, 18/01/2017): “Mas acontece que os Ph.Ds. se autorreproduzem. Mais se formam, mais professores disponíveis para os programas de doutoramento que pipocam por ai. A cada ano, produzimos 17.000 doutores. Essa inflação é ótima para o país, mas uma catástrofe para os previamente glorificados por tal diploma. Era preciso providenciar um novo patamar de status. Entra em cena a criatividade brasileira: cria-se o pós-doutor”.

Pois é, o torneiro mecânico criou mais universidades do que o Ph.D., a quem substituiu, e mais escolas técnicas do que todos os governantes desde o descobrimento do Brasil.

Certamente você conhece o caso do empresário rico, muito bem sucedido com sua empresa, que começou pequena, só com ele, e hoje tem mais de mil empregados. Inquirido sobre sua vida, disse: nasci muito pobre, meus pais queriam que eu estudasse, mas faltava tudo em casa e então fui trabalhar. Se tivesse estudado, certamente seria um doutor mas sem a fortuna que amealhei.

O diploma não faz de pessoa alguma um gestor, um administrador. Principalmente se não for de administração, o que também não garante o triunfo.

O incêndio no Museu Nacional que destruiu o passado, num governo que destrói o futuro, é bem o exemplo dos doutores dirigindo uma instituição. E, mais grave ainda, quando estes doutores não dependem de seu sucesso para receberem os salários.

Muita coisa precisa mudar no Brasil e em suas instituições. Uma delas é colocar o povo para governar. Sem a farsa destas eleições fraudulentas, dirigidas pelo poder sem voto do judiciário, que previamente eliminam candidatos. Outra é deixar que o democrático sistema do voto se amplie para muito mais do que as quadrienais trocas de governantes.

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