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domingo, 19 abril 2026

Imprensa, EUA e Israel – o Irã está pronto para uma guerra longa

Wellington Calasans – Direto de Estocolmo

A escalada belicista orquestrada por Israel e endossada pelos Estados Unidos revelou-se não como uma medida de segurança, mas como um cálculo geopolítico falho que despreza a cultura regional. Ao buscarem eliminar ameaças através da força bruta, Washington e Tel Aviv subestimaram a capacidade de resposta do Irã e de seus aliados, transformando uma contenção localizada em um barril de pólvora prestes a explodir.

A recente ofensiva iraniana, longe de ser uma irracionalidade, funcionou como um xeque-mate estratégico, minando a narrativa de impunidade que sustentava os ataques prévios e expondo a vulnerabilidade das bases ocidentais na região. Dessa maneira, EUA e Israel entraram em uma guerra sem um plano alternativo e pagam caro pelo erro.

Enquanto isso, países vizinhos, antes vistos como estabilizadores, viram seus planos de normalização serem destruídos pela própria guerra que ajudaram a silenciar. A verdadeira vítima colateral, contudo, é a verdade. A imprensa ocidental tem falhado miseravelmente, atuando mais como braço de relações públicas de governos do que como fiscal da realidade.

Ao repetir verbetes oficiais sem questionar as motivações reais ou o custo humanitário, jornalistas validam a propaganda de guerra e obscurecem as consequências catastróficas dessas aventuras militares. No lugar de palavras honestas sobre os crimes de EUA e Israel, esta imprensa tenta criminalizar o Irã, mas com pouca capacidade de convencimento.

É urgente que o jornalismo recupere sua independência. Não se trata de tomar partidos, mas de relatar os fatos sem o viés do excepcionalismo ocidental. Enquanto a mídia tratar agressões estatais como “defesa legítima” e resistências como “terrorismo” sem contexto, a diplomacia estará fadada ao fracasso.

A guerra atual não é inevitável; é fruto de escolhas políticas erradas amplificadas por um silêncio cúmplice. Sem uma cobertura crítica e robusta, a opinião pública permanecerá refém de narrativas que servem apenas para prolongar o conflito e legitimar o caos. O custo humano dessa cegueira voluntária é pago em sangue, e a história será punitiva contra aqueles que preferiram a guerra em oposição à clareza dos fatos.

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