Pedro Augusto Pinho*
Quando se trata da energia, existe preliminar fundamental: quem será responsável pelo seu planejamento, fornecimento e controle. Porque apenas o Estado Nacional soberano poderá atender a todo país, com garantia de permanente assistência, com qualidade do que é entregue e custos acessíveis à economia nacional. Entregue à iniciativa privada, se não levar ao monopólio privado, certamente será criado cartel, oligopólio ou criminosa colusão ou conjuração contra o povo consumidor e o Estado ausente.
A privatização no Brasil teve início no governo do general Figueiredo, com o Decreto nº 86.215, de 15 de julho de 1981, mas ganhou força nos governos civis que lhe sucederam. Vendeu-se tudo, órgãos públicos, empresas públicas e de economia mista, atividades universalmente aceitas como estatais por serem basilares para a soberania nacional, e até o trabalho de quem não ganha com especulação de capital financeiro ou patrimonial, ou seja, com os microempreendedores individuais (MEIs), se subordinados ao patrão no Brasil, ou ubers, se no estrangeiro.
Mas a privatização é apenas um segmento da transição energética. Há a falácia da questão ambiental, do efeito estufa, que nunca foi questionado quando se queimavam as florestas europeias antes da queima do carvão mineral, nos séculos XVIII e XIX, ou se firmava o Acordo de Achnacarry, 17 de setembro de 1928, onde as Sete Irmãs passavam a controlar todo petróleo produzido no Planeta. As Sete Irmãs eram:
1) Standard Oil of New Jersey (Esso, depois Exxon);
2) Standard Oil of New York (Socony, depois Mobil);
3) Standard Oil of California (Socal, depois Chevron);
4) Texaco (depois fundida com a Chevron);
5) Gulf Oil (depois absorvida pela Chevron);
6) Royal Dutch Shell (Shell); e
7) Anglo-Persian Oil Company (APOC, depois British Petroleum BP).
Vimos que o petróleo saiu do controle dos capitais ocidentais (EUA e Reino Unido, principalmente). Para reconquistar o poder, estes capitais se associaram a grupos ambientalistas, anti-industriais, surgido na Inglaterra do século XIX, quando o rio Tâmisa era um esgoto e provocava o Grande Fedor.
Lorenzo Carrasco, Silvia Palacios e Geraldo Luís Lino promoveram, em setembro de 2017, a 12ª edição revisada, do “Máfia Verde O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial” que trata, no Capítulo 1, de “Uma ideologia anticivilizatória e antinatural”, do qual transcrevemos:
“O fácil apelo popular do ambientalismo, com o discurso de alegada proteção da natureza contra os excessos das atividades humanas, o converte em um dos mais influentes fatores indutores da crise civilizacional em curso, ao lado da hegemonia conferida aos mercados financeiros na determinação das políticas econômicas”.
“Em seu cerne, a ideologia ambientalista, baseada no conceito do biocentrismo, considera o ser humano como apenas mais uma entre as milhões de espécies da biosfera terrestre, ou seja, o rebaixa ao nível dos demais seres vivos e lhe nega qualquer primazia de um papel protagonista no presente estágio da evolução universal. Com isso, em insidiosa inversão de valores, o ambientalismo transforma o meio ambiente em entidade de direito próprio e condiciona o progresso e o bem-estar das comunidades humanas a um conjunto de requisitos para a proteção do mesmo, geralmente definidos com escasso rigor científico, quando deveria dar-se o contrário”.
Mas esta falaciosa e cientifica e moralmente insustentável ideia da igualdade de todos seres vivos em direitos não os dá a mesma obrigação quanto aos deveres. Na verdade, vem sendo a armadilha das finanças apátridas para, no início, conquistarem o poder e, em seguida, derrotarem qualquer oportunidade de progresso fora de seu Decálogo, o Consenso de Washington (novembro de 1989).
O grande passo civilizatório ocorrido no século XXI veio da compreensão da convivência pacífica das diferenças entre os grupamentos humanos, seus ambientes e suas culturas, que se denominou multipolaridade. Com esta compreensão, mais adequada ao melhor conhecimento que a antropologia e a geologia permitiam da evolução humana e dos recursos naturais, não mais sobreviveram ideias globais, que buscavam homogeneizar situações inteiramente diferentes.
Mesmo países continentais como a Rússia, a China, o Brasil, a Índia, os EUA e o Canadá, estão sendo obrigados a aceitar as diferenças internas, resguardando sua identidade nacional. A capacidade desta resposta é observada no desenvolvimento mais recente. A China recuperou a tradição confuciana e desenvolveu o relacionamento das diferenças com a Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR) e vem crescendo, enquanto os EUA, insistindo no sistema unipolar do capitalismo financeiro, estão regredindo, E estes desenvolvimentos podem ser observados não só na melhoria da vida das populações, como no desenvolvimento tecnológico e na presença mundial.
Cair na falácia do efeito estufa, responsável pelo próprio desenvolvimento humano na Terra, é simplesmente retirar o petróleo, mais eficaz economicamente e de maior usabilidade e praticidade, para retroceder ao Sol e ao vento, como antes do século XVIII. Talvez esteja aí a resposta para o desmatamento crescente de um Brasil que promove a COP30.