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domingo, 4 janeiro, 2026

Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser outro país, alerta o Chile.

Santiago, Chile, 3 de janeiro (Prensa Latina) O presidente chileno, Gabriel Boric, reiterou hoje sua forte condenação às ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e, em particular, ao anúncio de que um Estado estrangeiro pretende exercer controle sobre aquele território.

“Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outro país”, disse o presidente em um comunicado do Palácio de La Moneda, onde alertou que isso cria um precedente extremamente perigoso para a estabilidade regional e global.

Boric reafirmou que o respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados constitui uma linha vermelha que não deve ser cruzada sob nenhuma circunstância e que também constitui um pilar essencial do direito internacional.

“A soberania não é uma formalidade. É a garantia essencial que protege os países da vontade externa, da arbitrariedade e da lei do mais forte”, disse ele.

Para o presidente chileno, a ameaça de controle externo unilateral de seus recursos naturais ou estratégicos constitui uma grave violação do princípio da integridade territorial e põe em risco a segurança, a soberania e a estabilidade de todos os Estados da região. “Se eles podem fazer isso lá, por que não poderiam fazer em outros lugares no futuro?”, questionou.

O que aconteceu na Venezuela faz parte de um contexto geopolítico alarmante, no qual a força está substituindo cada vez mais as regras como mecanismo para a resolução de conflitos internacionais.

Normalizar essa lógica corrói o sistema multilateral, enfraquece a democracia em escala global e expõe todos os países, especialmente aqueles com menos poder relativo, a decisões unilaterais impostas pela força militar, alertou Boric.

O Chile fez um apelo urgente à ONU para que assuma um papel ativo e imediato, utilizando todos os mecanismos disponíveis para evitar uma escalada militar, proteger civis e restabelecer um quadro para uma solução política e pacífica, em conformidade com a Carta da ONU. O presidente informou que está coordenando ações com diversos governos.

Além disso, o Governo providenciou o monitoramento permanente de suas fronteiras em antecipação a um possível fluxo migratório da Venezuela e fortalecerá todos os protocolos de assistência consular, prestando especial atenção aos chilenos naquele país.

O Chile atuará como sempre atuou, com responsabilidade, coerência e firmeza, defendendo princípios inegociáveis: a não violência, a soberania dos Estados, a proibição do uso da força, a solução pacífica de controvérsias e a plena validade do direito internacional.

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