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quarta-feira, 17 junho 2026

Herói da luta antifascista (III)

Emiliano José

Giacomo Matteotti é um herói, mártir da luta antifascista.

Tibério Canuto corrigiu meu texto de ontem: não era comunista.

Me presenteou com o primeiro volume de “O filho do século'”,  de Antonio Scurati, e agora me ajuda a colocar as coisas no devido lugar.

Matteotti fora expulso do PSI, organização dos comunistas italianos, em outubro de 1922,  e neste mesmo mês funda o Partido Socialista Unitário (PSU), considerado mais moderado, ao lado de vários companheiros.

Coisa das dissidências do período.

Do espírito do tempo.

Moderado em relação a Matteotti, só se pensado naquela conjuntura, onde era comum a estigmatização do pensamento divergente.

Era homem de convicções profundas.

Socialista.

Traidor da classe de onde era oriundo: o pai, homem da elite agrária.

Essa condição o tornava aínda mais odiado pelas classes dominantes,.de modo especial pelas hordas fascistas militarizadas.

A ele era devotado um ódio muito especial.

Sempre jurado de morte.

E isso nunca o fez recuar.

Desafiava os inimigos.

Não teve tempo para ter medo.

Os assassinos fascistas não o perdoaram.

Cumpriram o juramento.

O primeiro movimento violento veio como decorrência de um discurso dele, deputado então, do dia 10 de março de 1921, quando quando denunciou as sanguinárias expedições fascistas, a matar camponeses.

Dois dias depois, durante uma reunião em Castelguglielmo, província de Rovigo, hordas fascistas o sequestram, levam-no à sede da Agrária, e querem, sob torturas, obrigá-lo a assinar declarações de abjuração, renunciasse às suas convicções.

Matteotti se recusa. Nunca trairia a causa.

Fosse qual fosse a violência.

Quase o matam de tanta tortura.

Sobrevive.

Não se cala.

Três anos depois, faz dois discursos no Parlamento e lança o livro The Fascist Exposed a Year of Fascist Domination.

No dia 10 de junho de 1924, é agredido, empurrado pra dentro de um carro, apunhalado várias vezes.

Os fascistas, aqui sob ordens diretas de Mussolini, cumpriram o juramento.

Corpo só será encontrado no dia 16 de agosto daquele ano em Riano, a 20 quilômetros de Roma.

Seguirá o destino dos mártires da luta pela liberdade, pelo socialismo.

Sempre lembrado com emoção pela humanidade, ao menos por aquela parcela não tomada pelo ódio.

Pelos amantes da democracia.

Aqueles empenhados atualmente na luta antifascista, contra a ascensão da extrema-direita, no Brasil e no mundo.

Da eternização dele, lembrar não só a obra de Scurati, como “O delito Matteotti”, filme de 1973,. dirigido por Florestano Vancini.

Estará para sempre no panteão dos heróis e mártires da luta socialista.

#odioviolenciafascisno

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