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quarta-feira, 18 fevereiro 2026

Paraiso da corrupção, dos centrões e da marginalidade. É esse o país que queremos?

Há urgência no projeto de país para o Brasil

Pedro Augusto Pinho*

Um país sem instrução não é um país livre, o que dizer de país soberano e de povo cidadão. É milenar a condição da instrução, não está nas religiões mas no pensador que vem orientando a China desde 500 anos antes da Era Cristã, que no ocidente foi designado pelos jesuítas de Confúcio, mas no seu país era conhecido por Mestre Kong, Kong Fu Zi. Nenhum nome, salvo Sidarta Gautama, o Buda, teve maior antiguidade e de poucos anos. Buda nasceu em 563 a.C. e Confúcio em 552 a.C.

O que fez destes homens referência, passados tantos séculos? No caso de Confúcio foi o salto qualitativo na reflexão do homem sobre o próprio homem e, de acordo com a filósofa francesa Anne Cheng, por ter proposto, pela primeira vez na história do homo sapiens, “uma concepção ética do homem em sua integralidade e em sua universalidade” (Anne Cheng, “História do Pensamento Chinês”, 1997).

A urgência da instrução é evidente para todos e, por isso, os inimigos do Brasil, desde sempre, tudo fizeram para nos manter analfabetos, desinformados. Veja-se que a escola só veio a constituir preocupação do poder público, da direção do Estado Nacional Brasileiro, em 14 de novembro de 1930, quando Getúlio Vargas, onze dias depois de empossado na presidência do Governo Provisório da Revolução Nacionalista de outubro de 1930, instituiu o Ministério da Educação e da Saúde Pública.

Foi para evitar a escola pública, ou seja, a escola obrigatória e universal, logo gratuita, e laica, ou seja, não propagadora de ideologias e dogmatismos, mas aberta à evolução dos conhecimentos, que os entreguistas e os interesses estrangeiros tudo sempre fizeram para que o brasileiro não tivesse, independentemente de raça e riqueza, como se instruir.

Se o leitor for buscar a origem dos golpes, tão frequentes neste menos de um século de institucionalização do Brasil, pode estar certo que é a manutenção da ignorância, da desinformação, um vetor importantíssimo.

Tomemos a realidade para esta última década – 2014/2024 – do número de inscritos no exame para as universidades públicas, o ENEM, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), autarquia vinculada ao Ministério da Educação.

Em 2014, foram 9,5 milhões de inscritos; em 2015, reduzidos a 8,5 milhões, pulemos para após o golpe de 2016, em 2018 foram 5,5 milhões, em 2021, com o governo de Jair Bolsonaro e o covid-19, chegou ao ponto mais baixo, 3,1 milhões, praticamente mantidos nos anos de 2022 (3,4 milhões) e 2023 (3,9 milhões), para retornar, em 2024, aos 5,1 milhões, próximos do quinquênio 2008-2012, na ordem dos quatro milhões de inscritos, quando passou a ser o único modo de acessar as universidades públicas.

Mas houve também fatores mais objetivos como alteração das regras para isenção da taxa de inscrição e o aumento da desigualdade social que afastou do ENEN pretos, pardos e indígenas. Também o desemprego e a vida marginal, do tráfico de drogas, do aumento de milícias tomando lugar da segurança pública, e com o pior Congresso da nossa história política cortando meio bilhão de reais do orçamento para 2026 das universidades, para que os parlamentares tivessem R$ 61 bilhões para suas “emendas”.

Não há dúvida que venceu a ignorância, a corrupção, a marginalidade no Brasil dos centrões e da extrema direita ignorante como de Bolsonaro e seus filhos.

A maior comprovação deste retrocesso, se compararmos com a Era Vargas (1930-1979), mesmo com o golpe de 1964, é que jamais estivemos tão perto da total submissão aos interesses estrangeiros desde a Proclamação da República, do que agora, com o domínio da ideologia do mercado financeiro e suas privatizações, ou astuciosas, como as de Fernando Henrique Cardoso, ou por meras percentagens nos negócios, no período Temer-Bolsonaro.

Do exterior nos vem a ameaça de guerra, pois o projeto Trump, não mais tendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para lhe fornecer recursos financeiros, volta-se para a “Doutrina Monroe”, “toda a América para os Estados Unidos da América (EUA)”, daí quererem tornar o Canadá seu 51º Estado.

Porém a institucionalização do Brasil não é tarefa simples e exige muito dos poucos nacionalistas preparados para tal empreitada. Afinal, o golpe na sucessão do Presidente Geisel, que deu à energia no País as cores verde e amarela, trouxe vitoriosa as finanças apátridas.

Para aqueles que se acomodaram nos embates da guerra fria, fica difícil distinguir quem, além dos comunistas, podem ser nossos inimigos, e quem, se não os estadunidenses, podem nos garantir a democracia e a liberdade. Pois é?!

No mundo de hoje, a posse do presidente dos EUA, Donald Trump, constituiu verdadeira fotografia do novo poder, com todos os donos das mídias eletrônicas que pareciam nos dizer: ou se curvam ao nosso poder, e para isso temos os gestores de ativos, ou faço os habitantes de seus países os destruírem. Simples assim. Sem educação pública e sem mídias nacionalistas, como salvar o Brasil?

E estão aí os passos essenciais para que se promova a nova e nacionalista institucionalização do Brasil. Escolas públicas, das creches às universidades, e mídias eletrônicas e órgãos de comunicação de massa, jornais, revistas, canais de televisão, estações de rádios em diversas frequências para noticiarem e comentarem os fatos na perspectiva nacional brasileira.

O prezado leitor pode arguir: e há recursos para isso? Mas é óbvio que existem, basta limitar os juros àqueles adequados ao desenvolvimento brasileiro.

Sabem qual a taxa de juros atual na Suíça? Zero por cento, isso mesmo, 0% ao ano. E as contas de poupança em francos suíços (CHF) nos bancos comerciais, em julho de 2025, estavam, em média, a 0,18% ao ano. O Swiss Average Rate Overnight (SARON) neste mês de dezembro está negativo, -0,04%, para o curto prazo. E, por isso, o desemprego sempre oscila nos 2% ao ano, melhores tempos 2,2%, piores tempos, 2,8%. Este ano de 2025 é dos piores; para jovens entre 15 e 24 anos a taxa, em setembro, ficou em 3,2%, o nível mais alto desde março de 2021.

E a Suíça é considerada a terra dos banqueiros…

Vejamos a China, que alcançou a cidadania para população pouco superior a 1,4 bilhão de pessoas, a segunda maior do mundo, apenas inferior à da Índia, no território de 9,6 km², de grande diversidade geográfica. Lá não existe população de rua nem analfabeto. E as taxas de juros para empréstimos são de 3,35%, se para um ano, ou 3,50%, se para cinco anos. Os juros interbancários de curto prazo (SHIBOR) ficam em 2,55% se por um dia, 2,70% se para sete dias, ou 3,05%, se para um mês.

Não existe esta loucura de juros de 15% ao ano, com inflação acumulada de 4,41% (IPCA 15, Índice de Preço ao Consumidor Amplo) de janeiro a dezembro de 2025.

QUE PAÍS DESEJAMOS?

Se vos compraz a corrupção, o domínio da marginalidade, a ausência de código de conduta para todos que ocupem funções públicas, então votem no Centrão, no Partido Liberal (PL) dos Bolsonaros, e em toda sorte de marginais que disputem um lugar na Câmara dos Deputados ou no Senado pelo Comando Vermelho (CV), pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), pela Família do Norte (FDN), ou organizações menores como Terceiro Comando Puro (TCP), no Rio de Janeiro, Guardiões do Estado (GE), no Ceará, no Bonde dos 40, no Maranhão ou na Família Monstro, em Goiás e Minas Gerais.

Mas se querem um país bom para viver e para que vivam seus filhos e descendentes, lembremos das palavras de Xi Jin Ping, na entrevista à TV da Rússia, em 7 de fevereiro de 2014: “a aspiração do povo por uma bela vida é exatamente a nossa meta de luta. A minha ideia de governança constitui, em resumo, servir o povo e assumir devidamente a minha responsabilidade neste sentido”. “Devo ter a segurança e o bem-estar do povo no coração, dedicar-me ao trabalho com diligência para os interesses públicos, ter empatia com o povo, compartilhar suas alegrias e sofrimentos e lutar unido com ele”.

Nestes últimos onze anos a China deixou de ter seu foco no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para se concentrar no desenvolvimento de alta qualidade, impulsionado pela inovação e pelo consumo interno. Hoje não há criança fora da escola, nem morador de rua num país de dimensões e população das maiores do mundo.

E nós, com 8,5 milhões de km² e 213,4 milhões de habitantes, ficamos fazendo feio, com moradores de ruas até em pequenas cidades interioranas, desemprego, fome e abundante criminalidade das favelas às cortes judiciárias.

Como estruturar um país de cidadãos? Que tenham saúde, educação, moradia, mobilidade urbana, proteção pública de seus direitos de ser humano.

Comecemos, pois, com Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) que só ouvi até agora, entre todos candidatos ou pretensos candidatos à presidência, nos discursos de Roberto Requião, do partido criado por Leonel Brizola, em 1979, o Partido Democrático Trabalhista (PDT). No mínimo um CIEP em todos os 10.671 Distritos brasileiros; melhor seria na média ter mais de três, abrigando os jovens desde a creche, aos três anos de idade, até a formação profissional, aos 19 anos, ou seja, 33% da população atual. E como complemento à Instrução, a rede de comunicação pública já enunciada.

Esta é a base que nos permitirá discutir a organização do Brasil que desejamos e que é possível.

A Instrução vem por princípio e a energia vem para que se construam as bases da soberania nacional.

Mas não estamos propondo uma receita de país. O que desejamos é o país que possa e saiba encontrar seu futuro, com esta imensa riqueza de recursos naturais e esta pobreza de recursos humanos.

Se contarmos todos os golpes, desde aquele que levou Getúlio Vargas ao suicídio, até este último, em fermentação, denunciado pela jornalista e professora Ângela Carrato, que está sendo denominado Lava Jato 2, observaremos em todos eles a presença da Central de Inteligência Estadunidense (CIA – Central Intelligence Agency) e, vejam só, do Sistema Globo de Comunicação (!).

Esta aliança verdadeiramente antinacional é o maior entrave para o desenvolvimento do Brasil, para nossa governança soberana, e para a construção da cidadania brasileira; caso contrário será apenas para enriquecer os gestores de ativos – BlackRock, Vanguard, Fidelity, State Street, JPMorgan Chase, com muito mais de quatro trilhões de dólares estadunidenses cada – capitais financeiros apátridas que nos dominam desde 1980.

É indispensável saber votar em 2026, e para isso é imprescindível se informar; sem preconceitos, com mente aberta, conhecendo a realidade nacional que não está obviamente na tela da Globo.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.

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