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terça-feira, 3 fevereiro, 2026

Há 514 anos, os conquistadores espanhóis queimaram vivo o chefe Hatuey

Havana (Prensa Latina) O chefe quisqueyano Hatuey foi queimado vivo pelos conquistadores espanhóis em 2 de fevereiro, há 514 anos, na cidade de Yara, no leste do país, como lição para sufocar a rebelião indígena do homem que chegou a Cuba para promovê-la depois de ser expulso da ilha de Hispaniola.

Por Pedro Rioseco*

Colaboradora da Prensa Latina

Hatuey se estabeleceu na foz do rio Toa, em Cuba, e é considerado na história da conquista da América como o primeiro chefe indígena a lutar para impedir a ocupação dos territórios caribenhos pelos espanhóis.

No segundo mês de 1512, Hatuey morreu na fogueira, após liderar uma rebelião contra os conquistadores espanhóis na região de Guahabá, no que hoje é a República Dominicana.

Reconhecendo a superioridade militar dos ocupantes, ele viajou para Maisí, na parte mais oriental de Cuba – em canoas e junto com um grupo de seus seguidores – para alertar os habitantes e lutar contra o invasor.

Com a chegada dos espanhóis, que desembarcaram na ilha de Hispaniola em 1510, Hatuey convocou a população indígena e a incitou à guerra até que a expulsão dos invasores fosse alcançada; porém, ele não obteve o apoio dos chefes locais.

No entanto, quando viajou para Cuba com mais experiência, empregou uma tática diferente, utilizando emboscadas e ataques surpresa.

Seus seguidores se esconderam nas montanhas de Baracoa e se aproximaram dos acampamentos, aguardando o momento oportuno para lançar ataques e, em seguida, recuar rapidamente. A natureza repetitiva dessas ações manteve os espanhóis em constante alerta.

Dois ou três meses após o início da resistência, os espanhóis, com seu armamento superior, controlavam todo o território rebelde com perdas mínimas, enquanto os nativos eram gradualmente exterminados.

Implacavelmente perseguido por seus inimigos, Hatuey foi surpreendido em seu refúgio pelas forças de Diego Velázquez, embora outras versões digam que ele foi traído por um dos indígenas que o acompanhavam desde Hispaniola.

Após ser capturado, Velázquez o condenou à fogueira por heresia e rebelião. A versão mais aceita é que a queima de Hatuey ocorreu em algum lugar no que hoje é a província de Granma. Um monumento ao cacique está erguido em Yara, embora inicialmente se acreditasse que ele tivesse sido queimado em Baracoa.

Conta-se que, antes de ser queimado, um dos religiosos que acompanhavam as tropas perguntou-lhe, por intermédio de um indígena que trabalhava para os espanhóis, se ele queria aceitar Jesus e ir para o céu.

Frei Bartolomé de las Casas relatou em um de seus escritos que o líder Taíno perguntou se os espanhóis iam para o céu e, ao receber uma resposta afirmativa, disse que não queria ir para lá para não ter que ver novamente pessoas tão cruéis.

A história comprovaria a justa rebelião do Cacique Hatuey, visto que os colonizadores espanhóis massacraram ou forçaram à morte quase toda a população indígena em Cuba e na República Dominicana, substituindo a mão de obra necessária por escravos negros trazidos da África.

*Correspondente-chefe da Prensa Latina na Nicarágua e, simultaneamente, em El Salvador, Guatemala e Honduras por 10 anos; correspondente-chefe na República Dominicana, Equador e Bolívia. Fundou e dirigiu a Editorial Génesis Multimedia, que produziu a Enciclopédia Todo de Cuba e outros 136 títulos. Anteriormente, foi diretor do jornal Sierra Maestra, na antiga província de Oriente; assessor do Ministro da Cultura, Armando Hart; chefe da seção internacional da revista Bohemia, com cobertura internacional em mais de 30 países; e autor do livro Comércio Eletrônico, a Nova Conquista. Dirige a revista Visión da UPEC e é presidente de seu Conselho Consultivo.

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