Madri (Prensa Latina) O diálogo surge nas imagens do Museu Reina Sofía, em Madri, e o improvável encontro entre Pablo Picasso e Dumilé Feni agora tem um denominador comum: Guernica.
Por Fausto Triana
Da mundialmente famosa e monumental pintura de Picasso de 1937, concebida em seu ateliê na Rue des Grands Augustines, em Paris, a uma Guernica equivalente de outra época ou contexto geopolítico, contextualizada por uma obra acadêmica de história da arte como arcabouço interpretativo.
Sob essas premissas, chega ao museu, que abriga a Guernica de Picasso desde setembro de 1981, emprestada pelo MoMA de Nova York, como parte do novo ciclo de intervenções na Coleção da Pinacoteca.
A história não se repete, mas rima — este é o fio condutor destas exposições, neste caso com curadoria de Tamar Garb, professora de História da Arte no University College London.
A obra icônica de Picasso é justaposta a Guernica Africana (1967), concebida por Dumile Feni (Worcester, África do Sul, 1942 – Nova Iorque, 1991), um dos artistas-chave do modernismo africano.
O diretor do Museu Reina Sofía, Manuel Segade, enfatizou que “Guernica Africana representa um momento crucial na crise da modernidade, o momento do apartheid na África do Sul, que é um dos limites do projeto moderno”.
Por sua vez, Tamar Garb observou que Dumile Feni “é um artista moderno que utilizou materiais de desenho numa escala quase inédita em todo o mundo naquela época”.
“Se analisarmos as práticas de desenho em todo o mundo na década de 1960, veremos que poucos artistas trabalhavam na escala épica e monumental de Dumile naquela época”, acrescentou.
Como a própria instituição destaca, o título da série é uma frase tradicionalmente atribuída ao romancista Mark Twain, mas apócrifa, nunca escrita pelo autor.
Junto com o desenho monumental de Dumile, outras cinco obras do artista estão em exibição, provenientes de importantes instituições sul-africanas como a Universidade de Fort Hare, a Fundação Norval e o Museu de Arte da Universidade de Witwatersrand, bem como de coleções particulares.
Quatro desenhos preparatórios de Picasso para Guernica, pertencentes às coleções do museu de Madri, também estão incluídos.
Uma palestra de abertura da professora Tamar Garb, apresentada por Manuel Segade, marcou o início da exposição, que estará aberta ao público até o final de setembro.
Como grande final da abertura, ocorreu a estreia mundial da peça musical Inkomo iwile, traduzida do zulu como “A Vaca Caiu”. Esta obra de nove canções do artista sul-africano Philip Miller foi composta para a ocasião em colaboração com Tshegofatso Moeng.
O objetivo é estabelecer um diálogo paralelo entre os sons tradicionais sul-africanos e o repertório clássico para cordas, voz e instrumentos de sopro. Um elenco de artistas da África do Sul e da Espanha participou do concerto.