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Postado em 17/07/2016 9:20

Governo golpista deporta professor na calada da noite

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Mário Augusto Jakobskind

O governo interino golpista de Michel Temer decidiu, na calada da noite, deportar o físico, nascido na Argélia e naturalizado francês, Adlène Hicheur, acusado de vínculos com grupos terroristas. Ele chegou a cumprir pena de dois anos na França depois de obter liberdade provisória, seguindo para o Brasil onde se tornou professor visitante do Instituto de Física da UFRJ.
Hicheur sempre negou acusação e depois que a Revista, Época divulgou matéria informando que o professor estava sendo monitorado pela Polícia Federal, ele não teve mais sossego. Parou de dar aulas e estava disposto a voltar para a Europa, mas acabou convencido por outros mestres a permanecer no Brasil.
A “novela” acabou tendo um desfecho com a deportação de Richeur na calada da noite, um dia depois do atentado terrorista em Nice. Na pressa, o governo golpista queria evitar eventuais protestos de setores que não se deixam iludir pela manipulação da informação.
O Ministério da Justiça, aproveitando o clima de comoção e paranóia já envolvendo as Olimpíadas, deportou o físico. Não seria nenhuma surpresa se os serviços de inteligência da França tivessem convencido as autoridades golpistas a promoverem a deportação, para também aproveitarem o embalo e mostrarem à opinião pública do seu país que estão agindo. Isso depois da estranha aparição de um caminhão conduzido por alguém visivelmente perturbado. Que a barbárie tenha sido já assumida pelos assassinos do Estado Islâmico não chega a surpreender.Qualquer ato insano e assassino, mesmo cometido por qualquer pessoa, o grupo terrorista se apresenta como responsável.
Claro que qualquer atividade ou ato terrorista merecem o repúdio de todo mundo. E ações terroristas criminosas favorecem a indústria armamentista, que pode escoar a sua produção com mais facilidade, aproveitando a comoção, e a extrema direita que se fortalece com o terror incutindo barbaridades contra todos os estrangeiros que tentam uma nova vida em outro continente já que nos seus locais de origem isso se tornou impossível.
Quanto aos Jogos Olímpicos, desde antes do atentado em Nice já estava instalado um clima de nervosismo e até mesmo de paranóia e pânico, que facilita a ação até mesmo atabalhoada dos esquemas de segurança.
Na verdade, as autoridades usurpadoras, a começar pelo Ministro golpista da Justiça, de nome Alexandre Moraes, que quando Secretário da Justiça de São Paulo promovia arbitrariedades contra estudantes adolescentes, poderão, sob o argumento de combate ao terrorismo, promover repressão discriminada contra quem se manifestar contra o governo interino golpista. `
É claro que é necessário adotar medidas preventivas contra o terrorism0, mas só que com as atuais autoridades golpistas no comando, todo cuidado é pouco. Basta acompanhar os pronunciamentos do próprio Moraes e do general Sérgio Etchegoyen, partícipe ativo em governos da ditadura civil militar de 64, inclusive na gestão do general de plantão Garrastazu Médici, para se colocar as barbas de molho.
O caso da deportação do físico é sintomático. O governo golpista ao ordenar a deportação na calada da noite queria visivelmente aproveitar a comoção e mandá-lo embora sem mais delongas.
O resto ficará por conta da mídia conservadora para queimar de vez Adlène Hicheur diante da opinião pública em verdadeiro estado de comoção pela barbárie em Nice.
Quanto aos assassinos do Estado Islâmico, da Al Qaeda e Cia ltda., é necessário aprofundar a análise de como surgiram e se há cartas escondidas no jogo internacional.

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