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segunda-feira, 22 julho, 2024

Genocídio sionista em Gaza apoiado pelo Norte Global freia os BRICS como geopolítica cooperativa Global do Sul

César Fonseca

O genocídio de Gaza pelas forças de Netanyahu com pleno apoio de Biden não ocorre por acaso, visto sobre a lógica da guerra imperialista que precisa de motivos para não acabar nunca, sempre se desdobrando de si mesma como uma necessidade intrínseca para manter viva a infraestrutura militar imperial independente de quem é o vencedor do conflito.

Esse aspecto, aliás, é o que menos importa saber.

O fundamental é estar acesa a motivação para a guerra como alimento permanente da indústria de armas.

Nesse sentido, o conflito na Palestina, que pode se estender por todo o Oriente Médio, como rastro de pólvora, é extensão da guerra na Ucrânia, armada pelo ocidente, para tentar desestabilizar a Rússia.

Como o resultado não foi alcançado conforme os propósitos de Washington, para globalizar o domínio americano de vez, o jogo da guerra precisa continuar em outras frentes para a expectativa de prosperidade da indústria armamentista americana não se arrefecer.

Do contrário, o império deixa de ser império, movido por emissão monetária garantida pelo endividamento público dos Estados Unidos, permanentemente, em expansão.

A dívida pública imperialista americana já se aproxima dos 35 trilhões de dólares e se transforma em fator constante da instabilidade do capitalismo no cenário de financeirização especulativa global.

Freio aos BRICS

Nova frente de guerra impulsionada por Washington, agora, por meio do seu braço militar, Israel, no Oriente Médio, serve para impedir os planos dos maiores adversários do império, os BRICS, ancorados na conjunção das forças militares e econômicas, da Rússia e da China, detentores do mesmo poderio bélico, espacial e atômico que o dos Estados Unidos.

Estados Unidos e seus aliados ocidentais não podem deixar ocorrer vácuo entre uma guerra e outra, de modo a permitir à humanidade visualizar alternativa de paz que criaria mundo cooperativo, ao contrário do mundo que a guerra cria, o de permanente conflito e caos, que interessa à indústria armamentista.

Esse é o papel que passou a desempenhar o BRICS, de dissuasão firme das forças atômicas imperialistas do Norte Global, para se transformar em nova aurora da paz.

Vislumbrava-se depois da vitória virtual da Rússia na Ucrânia, armada por Estados Unidos e OTAN, objetivando desestabilizar o governo Putin, fortemente apoiado pelo governo Xi Jinpimg, da China, a ascensão irresistível dos BRICS.

É a nova força global, ancorada na geopolítica da cooperação multipolar, em substituição à geopolítica unipolar em colapso.

Antes que isso pudesse acontecer, de forma a conformar nova realidade internacional, dado que os BRICS são força majoritária em termos econômicos e políticos – maior população, maior PIB global, maior mercado consumidor, maior expansão científica e t ecnológica etc. –, o Ocidente liderado pelos Estados Unidos insistem, por meio de Israel, com sua geopolítica unipolar explosiva.

Novo campo de batalha 

O novo campo de batalha é a Palestina e sua população miserável, campo de prova de atrocidades inauditas que escandaliza a humanidade interligada por redes sociais, instrumento de divulgação on line das barbaridades israelenses e sua verdade bíblica de autodefesa exclusiva diante dos outros povos.

Essa falsa verdade é que justifica o extermínio do Hamas, como força política palestina, democraticamente, aprovada nas urnas, agora, exposta às brasas incandescentes das forças sionistas.

O novo conflito joga por terra possibilidades de paz e expansão das forças alternativas ao Ocidente guerreiro, por meio dos BRICS, que têm como horizonte difusão das forças produtivas globais com a chamada Rota da Seda e sua integração em escala global, com força capaz de colocar o império americano e sua moeda, o dólar, em segundo plano.

Para que isso jamais venha a acontecer, o imperialismo do norte põe fogo no mundo, se for preciso.

Washington, diante do genocídio sionista em Gaza, que apoia, desloca-se para o Oriente Médio dois gigantes navios de guerra, armados com bombas nucleares e mais de 10 mil soldados a bordo, a constituírem nova base de guerra, sob argumento de defesa de Israel.

Cai por terra, pelo menos temporariamente, a construção da geopolítica cooperativa articulada pelos BRICS, tendo como retaguarda a força econômica e militar China-Rússia, ao lado do mercado consumidor majoritário do mundo localizado no Sul Global.

O Norte Global, comandado pelos Estados Unidos, bloqueia o BRICS como geopolítica cooperativa do Sul Global e jogo o mundo em cenário de incerteza total.

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