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domingo, 14 dezembro, 2025

Frei Betto: O sistema ocidental prioriza a morte em detrimento da vida.

Frei Betto (Foto: Reprodução|Acervo pessoal)

RT – Neste episódio de ‘Conversando com Correa’, Rafael Correa recebe Frei Betto, renomado teólogo e escritor brasileiro. Segundo nosso convidado, o sistema ocidental é assassino porque prioriza o financiamento de armamentos em detrimento do combate à fome ou às mudanças climáticas. Ele também enfatiza que vivemos atualmente em um estado de “globocolonização”: a dominância de uma sociedade capitalista, hedonista e consumista.

O atual sistema ocidental é “assassino” e “genocida”, pois sempre encontra dinheiro para a morte, mas não consegue encontrar para garantir a vida e combater a fome e os problemas climáticos, argumenta o famoso teólogo e escritor brasileiro Carlos Alberto Libânio Cristo, mais conhecido como Frei Betto.

Neste novo episódio de ‘Conversando com Correa’, comparando a América Latina de décadas atrás com os dias atuais, Betto denuncia que hoje observamos “a mesma dominação do imperialismo estadunidense”.

Favela do Rio de Janeiro, Brasil.Buda Mendes / Gettyimages.ru

Por que há menos pobreza, mas mais desigualdade na América Latina?

“Temos uma desigualdade muito mais profunda ; a desigualdade social, não só no Brasil, mas em todo o mundo, piorou consideravelmente. E temos uma quarta dimensão do capitalismo, que é o capitalismo digital, que causa um ‘efeito funil’, com cada vez mais riqueza concentrada em menos mãos”, afirma.

Betto acredita que, nessas condições, a ascensão da direita em todo o mundo é “lógica”. “Porque se há concentração de capital, tem que haver concentração de poder. Uma coisa está relacionada à outra, porque o poder, a política, no capitalismo, estão sempre a serviço do capital. Então, essa concentração de capital leva à concentração de poder . É por isso que cada vez mais pessoas votam na direita”, explica ele.

Segundo ele, “a situação ditatorial […] é mais sofisticada” hoje em dia, já que não precisa de soldados ou tanques, mas usa “uma sofisticada rede digital que controla nossos corações e mentes”.

“Um processo de neoescravidão global. É por isso que nunca usei a palavra globalização, porque o que temos é uma colonização global, é a dominação do mundo por um modelo de sociedade, um modelo capitalista, hedonista e consumista”, explica ele.

“Um sistema ocidental genocida”

Ao comentar sobre o sistema que se desenvolveu no Ocidente, o teólogo o chama de “necrófilo”. “Quando os países da Europa Ocidental são solicitados a contribuir para o combate à fome, ‘não temos dinheiro’; a contribuir para o combate à crise climática, ‘não temos dinheiro’; a contribuir para o aumento do arsenal bélico, agora temos dinheiro, 800 bilhões de euros. Isso é dinheiro demais para mortes”, explica ele.

“Não há dinheiro para a vida, mas há dinheiro para a morte. Essa é a lógica deste sistema. Um sistema necrófilo, um sistema assassino, um sistema genocida.”

Como a Europa está se armando freneticamente após ter se assustado com a Rússia.

Frei Betto: O sistema ocidental prioriza a morte em detrimento da vida.

Frei Betto: O sistema ocidental prioriza a morte em detrimento da vida.

Alik Keplicz / AP

Como a Europa está se armando freneticamente após ter se assustado com a Rússia.

O autor também destaca que os países europeus são culpados pela migração que enfrentam. “A culpa pela migração recai sobre esses países da Europa Ocidental, porque o que eles fizeram quando colonizaram a África, a Ásia e o Oriente Médio agora está tendo consequências, pois extraíram toda a riqueza e deixaram para trás miséria e pobreza”, afirma.

As falhas do capitalismo e sua alternativa

Ao explicar sua aversão ao capitalismo, Betto declara que “o capitalismo é ruim, em primeiro lugar, porque nem sequer tem a decência de se autodenominar capitalismo”. “O capital tem que prevalecer sobre os direitos humanos”, acrescenta.

O segundo motivo, argumenta o convidado, é que o capitalismo é acompanhado de desigualdade. “Há pessoas que valem muito e pessoas que não valem nada. Isso é até um fenômeno cultural e ideológico. […] No capitalismo, as pessoas, enquanto pessoas, não têm valor . Elas têm valor se estiverem adornadas com bens materiais ou simbólicos. Elas têm valor porque possuem uma Mercedes-Benz, porque moram em uma mansão, porque moram em um palácio, ou porque foram presidentes de um país, ou porque têm um doutorado”, afirma.

Ao propor uma alternativa ao capitalismo, Betto argumenta que o mundo “será socialista ou não terá futuro”. “E não quero adotar nenhum dos sistemas socialistas históricos como modelo, nenhum. Mas pregamos esta mensagem que todo padre católico transmite na missa sem ter consciência de que está pregando o socialismo: a partilha dos bens da terra e dos frutos do trabalho humano”, enfatiza.

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