Empresários pedem flexibilização trabalhista e crédito bancário para enfrentar o impacto de tarifas americanas.
por Gabriela Matias
Imagine uma empresa exportadora de milho, café ou carne — construída com sacrifício, emprego e planejamento — arrancada de seu rumo por uma sobretaxa brutal que reduz à metade seu acesso ao maior mercado do mundo. Parece dramático? Pois é exatamente isso que empresários brasileiros enfrentam diante da tarifa de 50 % proposta pelos EUA, que começará a valer em 1º de agosto de 2025.
Esse cenário não se resume a números: representa risco real ao capital de giro, às exportações brasileiras e à manutenção de empregos. O setor produtivo levou ao governo federal um conjunto de medidas emergenciais que, no papel, deveriam mitigar esses impactos — mas, na prática, revelam fragilidades e tensões dentro do próprio Estado brasileiro.
A crise anunciada
O comitê interministerial, coordenado pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, recebeu da indústria um pedido de socorro: flexibilização das leis trabalhistas, nos moldes do BEm da pandemia, e uma linha de crédito para refinanciar ACCs (Adiantamentos de Contrato de Câmbio).
Esses ACCs, essenciais ao capital de giro, agora enfrentam inadimplência devido à paralisação das exportações. Sem receita em dólares, as empresas não conseguem pagar os adiantamentos. O pedido inclui prazos maiores, juros menores e carência — condições que, se negadas, podem levar à falência de negócios estratégicos, o advogado João Valença do VLV Advogados, explica que “estamos falando de um impacto direto sobre a sobrevivência de empresas que sustentam cadeias produtivas inteiras, sem medidas rápidas e coerentes, o efeito dominó será inevitável: falência, desemprego e retração econômica regional.”
Medidas estaduais
Na ausência de respostas federais claras, alguns estados decidiram agir por conta própria. Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado anunciou uma linha de crédito de até R$ 628 milhões, com juros abaixo de 10 % ao ano. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas liberou R$ 200 milhões, com taxa a partir de 0,27 % ao mês e carência de um ano. Outros estados criaram comitês para discutir soluções semelhantes. De acordo com Valença, são iniciativas válidas, mas ainda insuficientes frente à escala do problema, ainda segundo o advogado,“o risco é criar uma colcha de retalhos, onde empresas de um estado conseguem respirar, enquanto outras afundam sem o mesmo apoio. Precisamos de uma coordenação nacional.”
Falhas sistêmicas e risco ao tecido produtivo
A crise expõe uma realidade preocupante: a falta de articulação federal. A flexibilização trabalhista defendida pelos empresários encontra resistência no governo federal. E as negociações diplomáticas com os EUA não demonstram eficácia até o momento.
Para empresários, o tarifaço já começou a ser sentido. Cancelamentos de contratos, renegociação de prazos com bancos e demissões silenciosas se tornaram rotina. Pequenas e médias empresas são as mais vulneráveis, “é preciso lembrar que uma empresa exportadora não é só um CNPJ — é um conjunto de famílias, empregos e compromissos sociais que estão em risco”, destaca o advogado. “Quando o Estado se omite, ele transfere o peso da crise para quem está na ponta.”
A ausência de coordenação federal
Apesar de articulações e reuniões com autoridades americanas, o governo federal ainda não anunciou um plano robusto. Enquanto isso, as tarifas seguem prestes a entrar em vigor.“O silêncio do Estado diante de uma crise anunciada é, por si só, uma forma de negligência institucional”, afirma Valença. “A Constituição impõe ao poder público o dever de proteger a livre iniciativa e o desenvolvimento nacional. Isso exige mais que discursos: exige ação concreta.”
Este não é apenas um caso econômico — é uma ameaça à estabilidade jurídica e produtiva do país. O tarifaço pode ser o gatilho de uma crise generalizada se não houver uma resposta rápida, unificada e tecnicamente estruturada.
*Gabriela Matias, jornalista, redatora e assessora de imprensa, graduada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). INSTAGRAM: @gabrielamatiascomunica
Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies.
This website uses cookies to improve your experience while you navigate through the website. Out of these, the cookies that are categorized as necessary are stored on your browser as they are essential for the working of basic functionalities of the website. We also use third-party cookies that help us analyze and understand how you use this website. These cookies will be stored in your browser only with your consent. You also have the option to opt-out of these cookies. But opting out of some of these cookies may affect your browsing experience.
Necessary cookies are absolutely essential for the website to function properly. These cookies ensure basic functionalities and security features of the website, anonymously.
Cookie
Duração
Descrição
cookielawinfo-checkbox-analytics
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics".
cookielawinfo-checkbox-functional
11 months
The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional".
cookielawinfo-checkbox-necessary
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary".
cookielawinfo-checkbox-others
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other.
cookielawinfo-checkbox-performance
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance".
viewed_cookie_policy
11 months
The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data.
Functional cookies help to perform certain functionalities like sharing the content of the website on social media platforms, collect feedbacks, and other third-party features.
Performance cookies are used to understand and analyze the key performance indexes of the website which helps in delivering a better user experience for the visitors.
Analytical cookies are used to understand how visitors interact with the website. These cookies help provide information on metrics the number of visitors, bounce rate, traffic source, etc.
Advertisement cookies are used to provide visitors with relevant ads and marketing campaigns. These cookies track visitors across websites and collect information to provide customized ads.