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Postado em 02/07/2017 8:05

Estranho: Fachin soltou Loures quando ele ia delatar

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Brasil 247
Muito estranho.
O ministro Edson Fachin mandou soltar o mais famoso carregador de malas do país no mesmo dia em que o colunista Ricardo Noblat publicou no Globo que ele iria delatar – e, no caso, delatar o presidente da República, seu único alvo possível numa delação premiada.
Não sei se a decisão de Fachin tem algo a ver com isso, mas que é esquisito, é.
O pretexto que usou para explicar a decisão, em meio a uma enxurrada de arrazoados e floreios jurídicos que ninguém entende, também foi esquisito: ele tinha que soltar Loures porque a irmã de Aécio também foi solta:
(..) “registro o recente julgamento, em 20.6.2017, do agravo regimental interposto nos autos da AC 4.327 por Mendherson Souza Lima, ao qual a Primeira Turma deste Supremo Tribunal Federal, por maioria e nos termos do voto médio proferido pelo Ministro Luiz Fux, deu parcial provimento à irresignação para substituir a custódia cautelar anteriormente imposta pela prisão domiciliar. A referida decisão foi também estendida aos demais corréus Andréa Neves da Cunha e Frederico Pacheco de Medeiros, nos termos do art. 580 do Código de Processo Penal. Nada obstante a solução dada pela respeitável decisão colegiada, entendo que o atual momento processual vivenciado pelo aqui segregado autoriza a adoção de providência semelhante, em homenagem ao tratamento isonômico que deve inspirar a jurisdição, nos termos do art. 5º, caput, da Constituição Federal”.
No mês passado, se tanto, o mesmo Fachin determinou que os inquéritos contra Temer e contra Aécio deveriam tramitar separadamente. Agora, ele volta a uni-los: justifica a libertação de Loures, ligado a Temer, com a de Andréa Neves, ligada a Aécio.
Data vênia, o eminente magistrado tenta nos vender gato por lebre.
Afirmar que há semelhança entre um episódio em que a irmã de um senador pede alguns milhões a um empresário conhecido por comprar políticos e o de uma pessoa filmada carregando mala com 500 mil reais da JBS depois de ter sido indicada por Temer para resolver pendências da empresa em órgãos do governo é humanamente impossível.
No primeiro caso, o escândalo envolve um senador; no segundo, está envolvido o próprio presidente da República.
O primeiro escândalo afeta o senado e o PSDB. O segundo afeta o Brasil.
Não há como alegar isonomia.

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