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Panamá

Postado em 31/10/2021 10:50

Espiral de violência desestabiliza o Panamá

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Panamá (Prensa Latina) O Panamá está enfrentando uma série de incidentes sangrentos que parecem estar sobrecarregando as autoridades diante de uma espiral de violência ligada a quadrilhas, informou hoje o diário La Estrella de Panamá.

O último episódio do aumento da insegurança, que está se tornando cada vez mais intenso e difundido, ocorreu na noite de quinta-feira passada em uma discoteca no Casco Antiguo da capital, que deixou cinco mortos e sete feridos, disse a fonte.

Nesse mesmo dia, o número de mortes por tiroteios subiu para nove com outro caso de múltiplos assassinatos no subúrbio de Kuna Nega, que não estão relacionados entre si, disseram autoridades policiais. Além disso, houve dois outros acertos de contas no meio das ruas públicas com pelo menos uma fatalidade.

Rafael Baloyes, procurador sênior de Homicídios e Feminicídios, explicou que o incidente na boate começou quando uma pessoa abriu fogo em quatro indivíduos (que morreram) dentro das instalações e seus companheiros responderam com tiros e atiraram no atirador.

Dos mortos, três foram identificados como membros do grupo de gangsters Los Galacticos, disse Baloyes, que não identificou a gangue do agressor, mas disse que foi um ataque planejado ao estilo de pistoleiro.

“Este ato foi cometido entre grupos de gangues (sic)”. Embora seja verdade e lamentemos a morte dessas pessoas, algumas delas já estão ligadas a atos anteriores ou já foram feridas por armas de fogo, facas ou haviam cumprido penas na Penitenciária La Joya”, disse o Chefe de Polícia John Dornheim.

Na opinião do sociólogo Roberto Pinock, o aumento destes atos de violência, ocorrendo em plena luz do dia em áreas públicas e lotadas, são “claros indícios” do avanço do “grande crime organizado” e das dificuldades do Estado para enfrentá-los, disse ele ao jornal.

“Mesmo com os esforços que a justiça ou a polícia podem fazer, o país enfrenta esta situação com instituições fracas. Isto complica tudo”, disse o professor universitário e pesquisador, que identificou os jovens mais pobres como as principais vítimas de quadrilhas criminosas.

“O crime organizado encontra terreno fértil na desigualdade. E não apenas isso, porque há pessoas com necessidades básicas insatisfeitas que estão procurando uma maneira de resolvê-las, mas também porque as próprias gangues pressionam as novas gerações a se juntarem a suas fileiras, e se não o fizerem, elas são assediadas”, apontou Pinock.

Apesar do aumento da violência nas ruas, as autoridades insistem que existe segurança, pois é apenas rivalidade entre gangues e grupos transnacionais do crime organizado, sem levar em conta os danos colaterais a pessoas inocentes que são feridas ou mortas, lembrou La Estrella.

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