Quito (Prensa Latina) As relações entre Equador e Cuba atravessam um dos momentos mais tensos das últimas décadas, após a decisão do governo de Daniel Noboa de expulsar todo o pessoal diplomático da ilha e retirar seu embaixador em Havana.
Esta sexta-feira marca o fim do prazo de 48 horas estabelecido pelo Poder Executivo para a saída do embaixador cubano, Basilio Gutiérrez, e de cerca de outros vinte funcionários credenciados em Quito.
A medida foi anunciada em 4 de março pelo Ministério das Relações Exteriores e da Mobilidade Humana, que declarou Gutiérrez persona non grata, assim como os membros do corpo diplomático, consular e administrativo da missão.
O Ministério das Relações Exteriores do Equador indicou que a decisão se baseia no Artigo 9 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que permite a um Estado retirar o reconhecimento de diplomatas estrangeiros a qualquer momento.
Ao mesmo tempo, o presidente Noboa ordenou o retorno do embaixador equatoriano em Cuba, José María Borja, que ocupava o cargo desde 2021.
Embora o Executivo não tenha anunciado formalmente o rompimento das relações, a expulsão do pessoal diplomático e a retirada do seu representante no país caribenho constituem, na prática, um congelamento dos laços políticos entre os dois países.
O governo equatoriano também não divulgou publicamente os motivos da decisão.
Em uma entrevista de rádio posterior, Noboa se referiu a um vídeo que circulava nas redes sociais mostrando uma pessoa destruindo documentos no telhado da embaixada cubana em Quito.
Embora seja considerada uma prática comum após o encerramento de uma missão diplomática, conforme previsto no direito internacional, o presidente disse à Rádio Canela que não vê “nada de positivo no fato de estarem queimando papéis no terraço”.
O Ministério das Relações Exteriores de Cuba rejeitou a expulsão e descreveu a medida como “arbitrária e injustificada”.
“Este é um ato hostil e sem precedentes que prejudica significativamente as relações históricas de amizade e cooperação entre os dois países e povos”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Cuba em comunicado.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também descreveu as ações do governo equatoriano em relação à missão diplomática como “injustificadas, hostis e pouco amigáveis”, acrescentando que elas “prejudicam as relações históricas de amizade e cooperação entre nossos povos”.
O ex-presidente equatoriano Rafael Correa (2007-2017) respondeu nas redes sociais ao líder da nação caribenha, afirmando que “os capangas podem romper relações, mas nossos povos sempre serão irmãos, protegidos pela grandeza de (José) Martí e (Eloy) Alfaro”.
A crise diplomática ocorre poucos dias antes de uma reunião convocada nos Estados Unidos pelo presidente Donald Trump com líderes latino-americanos de direita, o que levou vários analistas a interpretar a decisão equatoriana dentro de um contexto geopolítico mais amplo no hemisfério.
Nos últimos dias, cidadãos equatorianos se reuniram em frente à embaixada cubana em Quito para expressar sua rejeição à medida, com faixas e slogans em apoio à ilha.
Às manifestações de apoio juntaram-se políticos da oposição e várias organizações civis, como a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), a Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade e a Coordenadoria Equatoriana de Amizade e Solidariedade com Cuba.
O movimento político Revolução Cidadã, liderado por Correa, criticou a decisão do Executivo equatoriano e acusou o governo de Noboa de se alinhar à política externa dos Estados Unidos.
Para a socióloga e comunicadora equatoriana Irene León, a medida representa uma mudança na política externa do país.
Em entrevista à Prensa Latina, León concordou que a expulsão da missão diplomática cubana ocorre em um contexto regional marcado por pressões políticas e realinhamentos geopolíticos.
“Estamos muito preocupados com essa situação e queremos expressar nossa gratidão ao povo de Cuba pela solidariedade que sempre demonstraram ao povo equatoriano”, disse o coordenador da seção equatoriana da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade.
Ele insistiu que essa situação não reflete de forma alguma a expressão do povo equatoriano ou dos movimentos políticos e sociais.
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