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domingo, 4 janeiro, 2026

Equador cria comitê para promover programa de energia nuclear

Quito (Prensa Latina) O Equador anunciou hoje a criação de um comitê estatal para coordenar seu programa nuclear, um passo rumo à transição do planejamento para a implementação, em conformidade com os padrões internacionais de segurança e a cooperação com a agência atômica da ONU.

O Ministério do Meio Ambiente e Energia informou em um boletim que o país formará a Agência de Implementação do Programa Nuclear (Nepiu), cujo lançamento está previsto para o primeiro trimestre de 2026, como exigência da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Segundo o comunicado oficial, o Nepiu será o espaço que reunirá todas as entidades estatais ligadas ao desenvolvimento nuclear e ficará responsável pela gestão técnica do processo até a eventual entrada em operação do primeiro reator nuclear equatoriano, num prazo de 10 anos.

A criação da agência faz parte da Abordagem por Marcos da AIEA, uma estrutura que estabelece etapas obrigatórias para os países que decidem incorporar a energia nuclear e busca garantir uma implementação ordenada e progressiva, com ênfase na segurança.

O governo equatoriano afirmou que mantém uma cooperação técnica ativa com a AIEA, que inclui assistência especializada e treinamento, e que isso despertou o interesse de países e empresas do setor nuclear, de acordo com o Ministério de Estado.

O Equador também observou que o programa permitirá a avaliação a médio e longo prazo do uso de tecnologias nucleares para a geração de eletricidade limpa e estável, incluindo reatores modulares, como complemento à matriz energética nacional.

Nessa nação sul-americana, a maior parte da geração de energia provém de usinas hidrelétricas, embora exista um parque de usinas termelétricas que foi abandonado e não conseguiu suprir a demanda durante períodos de seca.

O país atravessou uma crise energética em 2024, com apagões de até 14 horas por dia e contratos.

As autoridades do setor asseguraram que estavam buscando alternativas para aumentar a capacidade de geração; no entanto, os contratos assinados por empresas públicas resultaram em prejuízos de milhões de dólares para o Estado e ainda não foram finalizados.

A legisladora da oposição Verónica Iñiguez alertou que propor energia nuclear sem sequer ser capaz de gerir uma central termoelétrica é irresponsável e perigoso.

“Embora o debate científico sobre o tratamento e o armazenamento seguro de resíduos nucleares careça de uma solução clara e universalmente aceita, sugerir que um governo incapaz de gerir bem os seus próprios recursos implementaria uma política nuclear de forma segura é uma crítica que encontra respaldo técnico e social”, alertou a deputada.

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