Brasília, 11 de agosto de 2022 às 18:07
Selecione o Idioma:

Internacional

Postado em 27/05/2021 5:37

Embora sem desculpas, Macron reconhece papel da França no genocídio de Ruanda

.

ORIENTE MÉDIO E ÁFRICA
Sputnik – O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quinta-feira (27) que reconhece a responsabilidade de seu país no genocídio ocorrido em Ruanda, em 1994.
O chefe de Estado fez a declaração durante visita ao país africano, em um momento em que as duas nações buscam se aproximar, após décadas de tensão diplomática em função do massacre ocorrido em Ruanda.
Embora não tenha se desculpado, Macron ressaltou o apoio dado pela França ao regime Hutu. À época, o país europeu ignorou alertas sobre a possibilidade de um banho de sangue em Ruanda. Com isso, nada fez para evitar o massacre de 800 pessoas da etnia Tutsi.
“De pé aqui neste dia de hoje, com humildade e respeito, ao lado de vocês, reconheço nossas responsabilidades”, disse Macron em discurso no Memorial do Genocídio de Kigali, segundo a agência AFP.
O presidente francês afirmou ainda que apenas os sobreviventes do genocídio podem “nos dar a benção do perdão”.
Elogio do presidente de Ruanda
O presidente de Ruanda, por sua vez, elogiou o discurso de Macron e o chamou de “amigo”.
“Suas palavras foram mais valiosas do que um pedido de desculpas. Eram verdadeiras”, disse Kagame em coletiva de imprensa ao lado do chefe de Estado francês. “Falar a verdade é arriscado. Mas você o faz porque é certo, mesmo quando custa alguma coisa, mesmo quando não é popular”, acrescentou.
Desde 2010, nenhum líder francês visitava Ruanda. O país africano acusa o europeu de cumplicidade no genocídio. Macron negou, mas disse que a França tinha um “papel” e “responsabilidade política” em relação a Ruanda, assim como precisa “enfrentar a história de frente e reconhecer o sofrimento que infligiu ao povo ruandês por muito tempo, valorizando o silêncio ao invés do exame da verdade”.
Genocídio
genocídio de Ruanda ocorreu entre abril e julho de 1994, após o então presidente de Ruanda, Juvenal Habyarimana, aliado de Paris, morrer após o avião em que estava ser abatido em Kigali, em 6 de abril.
Em pouco tempo, extremistas hutus iniciaram massacre dos tutsis e mesmo de hutus moderados. A França, que forneceu armas e suporte para Ruanda durante guerra civil que precedeu o genocídio, é acusada de ter virado os olhos para a brutalidade do que estava ocorrendo no país africano.

Comentários: