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Postado em 17/09/2021 7:20

Eleições parlamentares russas sob o cerco do Ocidente

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Por Mario Muñoz Lozano Moscou (Prensa Latina) As eleições da Duma (Câmara Baixa do Parlamento bicameral) da Rússia começaram hoje sob o cerco de infocomunicação dos Estados Unidos e a ameaça do Parlamento Europeu de deslegitimar os resultados da votação.

 

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, disse na quinta-feira que o país tem ‘provas irrefutáveis’ de violações da lei russa por plataformas de internet estadunidenses no contexto da preparação e condução das eleições.

Ela disse que a Rússia havia passado informações sobre tais ofensas de interferência ao Departamento de Estado dos EUA e ao Conselho de Segurança Nacional dos EUA por meio da embaixada russa em Washington.

De acordo com Zakharova, a paciência de Moscou, que ‘até agora se absteve de erguer barreiras aos negócios americanos na Rússia, não é infinita’, e ela expressou a esperança de que as autoridades estadunidenses tomassem medidas imediatas.

Sobre esta questão, o senador russo Vladimir Dzhabarov denunciou que com a participação das empresas de telecomunicações Apple e Google, os crimes cibernéticos estão ocorrendo na Rússia e aumentarão até 19 de setembro, quando a votação termina.

O regulador russo da mídia, Roskomnadzor, bloqueou o site Voto Inteligente em 6 de setembro, acusado de promover as ações de uma das organizações criadas pelo líder da oposição Alexei Navalny, banido no país como agência de serviços estrangeiros.

Compartilhado pelas lojas on-line dos consórcios americanos Apple e Google, o aplicativo foi projetado para promover o voto dos candidatos a deputados que se opõem ao partido governista Rússia Unida.

A Liga pela Internet Segura detectou mais de 4.500 publicações falsas sobre as eleições parlamentares, disse Ekaterina Mizulina, diretora da organização.

‘Os voluntários da Liga já registraram 4.526 publicações desse tipo desde 8 de julho, e o número aumentou nos últimos dias antes da votação’, disse ela à agência de notícias TASS, também membro da Câmara Pública do país.

Ela apontou que essas falsidades incluem a suposta existência de uma metodologia de fraude eleitoral nas mãos das comissões eleitorais distritais e o cancelamento dos sistemas de vigilância por vídeo durante os três dias de votação.

Mizulina disse que tais notícias estão espalhadas pelos serviços de mensagens e redes sociais, incluindo o TikTok, muitos deles provenientes dos territórios de outros países.

Moscou também condenou as tentativas do Parlamento Europeu de manipular a opinião pública internacional antes das eleições parlamentares.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que as tentativas de distorcer os resultados da votação acabariam desacreditando o Parlamento Europeu como um órgão representativo da União Europeia (UE).

A diplomata disse que era ‘óbvio’ que a legislatura da UE pretendia tirar conclusões sobre a votação com base na opinião de organizações que haviam recusado a possibilidade oferecida pelas autoridades russas de participar como observadores no processo.

Ontem, o Comitê de Relações Exteriores da Eurocâmara instou a UE que se preparasse para não reconhecer os resultados das eleições para os deputados da Duma se o bloco considerar que as normas internacionais foram violadas.

Enquanto isso, a mídia local, especialmente na televisão, relatou um início silencioso da votação nas diferentes regiões, de acordo com seus nove fusos horários, que começaram em Sakhalin, nas Ilhas Kuril e Magadan, no extremo leste. A gigantesca Rússia acordou e vai votar até domingo.

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